Quem tem mais de 30 anos certamente já teve nas mãos um exemplar da revista Playboy que, em sua época áurea, causava furor entre os jovens.

Em dezembro de 2015 a Playboy deixou de circular, devido à queda nas vendas causada pela concorrência dos sites pornográficos. A revista, que chegou a vender mais de um milhão de exemplares em algumas de suas publicações, retornará às bancas, em abril, sem a obrigatoriedade do nu frontal nos ensaios.

Vivemos novos tempos, inclusive no que diz respeito à pornografia.

A época das revistas e vídeos eróticos

Há alguns anos, revistas e vídeos serviam como estímulo à masturbação. Quem desconhece o que os adolescentes – e muitos trintões, quarentões, cinquentões – faziam no banheiro com uma revista erótica?

O sexo solitário sempre foi um recurso disponível, principalmente aos adolescentes e pessoas sem um parceiro frequente. Mas por que hoje se fala tanto em dependência de pornografia?

O que mudou depois da internet?

Com o advento da internet, o rapaz não tem mais que ir às bancas comprar revistas especializadas nem alugar filmes em locadoras.

Bastam alguns cliques e ele tem à disposição um número ilimitado de sites pornográficos, que atendem a todos os seus desejos. Em poucas horas pode possuir mulheres de todos os tipos e ter todo tipo de relação sexual imaginável, além de viver situações eróticas que levaria anos para conseguir.

O uso esporádico não é um problema em si – fazendo o antigo papel das revistas e vídeos – desde que não afete a vida da pessoa.

Mas o que tem havido é uso e abuso, um fenômeno psicossocial intimamente ligado aos novos meios de comunicação e que assume características de descontrole e compulsão (repetição de episódios onde a pessoa sente um impulso incontrolável e irrefreável de realizar uma ação que gera prazer em seu estágio inicial e depois culpa e remorso).

A pessoa é dominada por uma necessidade contínua de obter prazer assistindo a filmes pornográficos, quase sempre junto com masturbação compulsiva.

A dependência de pornografia atinge solteiros e casados, sem distinção de idade e nível sócio econômico. É prevalente nos homens – estima-se que entre os usuários de sites pornô 70% são do sexo masculino – e assemelha-se à compulsão por drogas, uma vez que a pessoa estabelece uma ligação patológica entre o material pornográfico e os níveis de dopamina no cérebro, ocasionando sensação de felicidade e bem-estar.

Cessado o estímulo, vem a abstinência.

Comportamentos e sintomas de quem é viciado em pornografia

Podem ocorrer alguns ou vários dos comportamentos e sintomas:

• Navegação prolongada na web em busca de material pornográfico. O período de permanência aumenta com o tempo e há o consumo de imagens cada vez mais extremas;

• Masturbação compulsiva frente às imagens eróticas;

• Perda da noção do tempo. A pessoa se esquece de comer, beber ou tomar banho;

• Desequilíbrio no ritmo sono/vigília;

• Ansiedade, nervosismo e agitação quando há impossibilidade de conectar-se à internet para fins sexuais;

• Dificuldade de concentração, fadiga crônica e dores de cabeça;

• Perda de desejo pelo sexo real;

• Diminuição do desejo sexual em relação à parceira;

• Diminuição do afeto pela parceira que em seu pensamento é sempre comparada às atrizes pornô. Redução das demonstrações de amor e carinho. As relações afetivas ficam desumanizadas;

• Negligência em relação aos amigos e ao lazer, pois a pessoa evita sair de casa ou não vê a hora de voltar;

• Negligência em relação aos estudos ou trabalho;

• Disfunção erétil;

• Tentativas fracassadas para controlar, limitar ou suspender o uso de material pornográfico;

• Perda da autoestima e autoconfiança, sensação de vergonha e culpa quando o último orgasmo põe fim à maratona.

Saiba mais: Masoquismo no sexo

O que fazer para sair da dependência de pornografia?

• Reconhecer o problema e a incapacidade de controlá-lo sem ajuda é o primeiro passo. Como é uma atividade solitária e secreta, é comum vergonha e constrangimento em admiti-lo;

• Procurar ajuda de um psicoterapeuta para identificar e conscientizar as dinâmicas internas, reconstruir a autoestima, restabelecer os relacionamentos, especialmente com as mulheres, e reconstruir uma vida sexual ‘real’;

• Abstinência para normalizar a produção de dopamina sem o estímulo do material pornográfico, podendo ocorrer crises de abstinência com sintomas como insônia, irritação, ansiedade, etc.;

• Exercícios físicos e meditação podem contribuir positivamente, segundo o Neurocientista Gary Wilson, autor do site www.yourbrainonporn.com referência mundial sobre o assunto.

Como será o amanhã?

A dependência de pornografia separa a sexualidade da afetividade, mas, sobretudo, retira a sexualidade do corpo do outro, transformando a intimidade de um ato sexual em atividade solitária, mecânica e desprovida de sentimentos.
Depois de décadas de repressão à sexualidade, fizemos uma revolução sexual.

Alguns anos depois vivemos, paradoxalmente, uma situação onde as pessoas, principalmente jovens, preferem fazer sexo consigo mesmas, trancadas num quarto escuro, devido a uma compulsão que pode ter começado por tédio, curiosidade, individualismo, imaturidade afetiva ou medo de se relacionar.

Os adolescentes têm que ser conscientizados dos riscos, já aos 10 ou 11 anos, que a dependência de pornografia via internet pode acarretar.

(Fonte: psicoafins.com.br)

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Tenho a maioria dos problemas citados , gostaria que alguem me ajudasse , pelo fato disso , tenho uma super baixo estima , e nao consigo sair de casa , pra agir minha vida , e me tornar um alguem , fico preso a isso , quero mt me libertar…. , se houver alguem que tenha skype e possa me ajudar , ficaria agradecido meu skype é: rewter71 , obrigado desde ja

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