Adolescentes que fumam maconha regularmente têm pior desempenho nos exames escolares, revela um estudo feito com estudantes ingleses, divulgado no último mês pelo jornal inglês Daily Mail. A pesquisa, realizada pelo University College of London, foi apresentada na Conferência Europeia de Neuropsicofarmacologia, em Berlim.

O trabalho acompanhou mais de 2 mil crianças, cujos Q.Is. (quociente de inteligência) foram medidos aos 8 anos e, depois, aos 15 anos. Os resultados mostram que os adolescentes que já tinham fumado maconha pelo menos 50 vezes antes dos 15 anos mostraram uma piora importante em suas habilidades educacionais. Nos casos em que houve uso pesado da maconha (todos os dias ou quase diário), a associação com um desempenho mais fraco na sala de aula era evidente.

A metodologia adotada nessa pesquisa não estabeleceu uma associação de causa e efeito. É difícil saber se a maconha levou à piora no desempenho na escola ou se os jovens que já tinham dificuldades emocionais e iam mal na escola passaram a usar mais maconha.

Uma série de outros estudos mostra que a maconha pode ter impacto no desempenho escolar. Uma enquete sobre comportamentos de risco, feita em escolas particulares do Brasil pelo Portal Educacional, em 2006 e em 2013, com cerca de 15 mil alunos, mostrou que jovens que faziam uso mais pesado de maconha tinham quase o triplo de chance de ter sido reprovados.

Outro estudo, feito na Nova Zelândia de 2012 por pesquisadores da Universidade Duke, Estados Unidos, já gerara controvérsia, ao afirmar que jovens que começavam a fumar maconha com mais frequência antes dos 18 anos tinham um prejuízo em seu Q.I. na vida adulta. Isso não mudava nem com o abandono do consumo por muitos anos. O trabalho, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, mostrava que, se o consumo ocorria após os 18 anos, não havia deterioração do Q.I. A fase antes da adolescência é crítica para o desenvolvimento de diversas redes de conexão neuronal, que pode sofrer impacto do consumo intenso da maconha.

Sempre há diferentes fatores em jogo quando se fala em comportamento jovem e desempenho acadêmico. Questões familiares, exclusão social, alterações emocionais significativas, álcool, cigarro e drogas estão entre eles. De qualquer forma, seja causa da piora na escola ou sintoma de outras dificuldades, o uso frequente de maconha pelos adolescentes merece atenção.

(Autor: Jairo Bouer, médico formado pela USP, com residência em psiquiatria. Trabalha com comunicação e saúde)

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