Toda forma de abuso, seja físico ou verbal, representa um ato de violência e pode deixar sequelas sérias em crianças e adolescentes.

Essas sequelas podem aparecer em forma de problemas sociais e de relacionamento com pessoas do mesmo sexo do abusador, algumas vezes sequelas psiquiátricas, problemas de comportamento, como agressão ou comportamento indevidamente sexualizado, abuso de certas substancias, disfunção sexual na idade adulta, depressão, entre outros.

Algumas crianças sentem que participaram de alguma forma se oferecendo para que o abuso pudesse acontecer, e por isso nem sempre denunciam o abusador.

Quando adultas podem se sentir diferentes dos outros, têm menos confiança interpessoal, mantêm a crença de que o mundo é um lugar perigoso, possuem uma visão negativa da sexualidade e uma imagem corporal negativa.

No momento do abuso é possível que a criança nem tenha noção do que está acontecendo, pois sempre houve adultos tocando suas partes intimas na hora da troca da fralda ou do banho.

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Para uma criança tudo pode ser desprovido de maldade e talvez demore a perceber intenções maliciosas que diferenciam o toque carinhoso de um toque com outras intenções.

A culpa costuma ocorrer mais tarde quando ela percebe, por informações recebidas em sua educação, do que seria um toque correto e do que não deve ocorrer, passando então a lembrar de seu comportamento passivo e por isso se considera causadora ou participante ativa do abuso.

É preciso ter em mente que, mesmo ao lidar com a violência já praticada, a atuação da família e dos profissionais é de grande importância. A vítima pode sofrer novas violações de direitos se não houver cuidados especiais ao lidar com o caso.

Qual deve ser a postura dos pais e responsáveis em casos de abuso sexual?

Em primeiro lugar, não entrar em pânico. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus entes queridos.

Se a criança conseguir contar aos pais, atenção!

Acreditem, dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza.

Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu.

Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia.

E quando o abuso não é físico?

Crianças que sofrem abusos emocionais e negligências enfrentam problemas emocionais similares ou até piores que as relatadas por crianças que passaram por abusos sexuais.

Crianças que foram abusadas emocionalmente, sofrem de ansiedade, depressão, baixa autoestima, sintomas de estresse pós-traumático e até tendências suicidas, em mesmo nível, ou até mesmo em patamares superiores aos de crianças que sofreram abuso sexual.

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O processo de abuso psicológico é realmente complexo de se identificar, mas existem alguns componentes que podem indicá-lo: excesso de exigência dos pais, constante censura à criança, xingamentos, rejeição, depreciação, uso de palavras que ferem mais que um castigo físico, por exemplo.

Assim como acontece nos casos de abuso sexual, a criança pode se sentir culpada ou realmente merecedora dos castigos e palavras duras direcionadas a ela.

É preciso em primeiro lugar, identificar o abusador principal, se apenas um dos pais ou responsáveis abusa emocionalmente da criança ou se os dois possuem esse comportamento.

Geralmente, casos de abuso psicológico facilmente evoluem, ou já estão acompanhados, de abuso físico.

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Abuso emocional é tão prejudicial quanto qualquer outra forma de abuso, por isso deve ser no mínimo diminuído, entendido e o abusado deve receber apoio, se não for possível acabar com o abuso completamente.

Ao identificar uma situação de abuso físico ou psicológico, é importante procurar ajuda especializada, apoio de algum familiar ou amigo confiável e, em certos casos, as autoridades competentes.

(Autora: Celina Sobreira)
(Fonte: celinasobreira.com.br )

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1 COMENTÁRIO

  1. É difícil lidar com isso ainda mais que eu nunca irei esquecer. Não foi só uma pessoa, foram em diferentes momentos por diferentes pessoas, não havia e não há acolhimento parental, minha casa nunca foi meu lar de refúgio. Aos poucos vou aprendendo a lidar e perdoa – los. Mas a mim mesma, não consigo perdoar. Sempre acho que poderia ter feito algo. Os efeitos continuam apesar de a primeira vez ter acontecido aos 6 anos, esses efeitos são tristes. Mas agradeço por sempre postarem assuntos legais, amo psicologia, perco horas do meu dia aqui, sem arrependimento. Parabéns a toda equipe.

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