Para alguns se apaixonar é sinônimo de entrega absoluta. As borboletas no estômago giram no padrão ciclone e tudo se torna possível.

O amor começa a ser idealizado, os medos acabam e os planos para o futuro são feito até o século que vem. Porém, como as pessoas conquistam, mas esquecem de manter, em algum momento a paixão acaba e resta, para ambas as partes, a saudade do que poderia ter virado amor.

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Ao contrário do que você pensa, a maioria das relações não acaba devido a traições ou às diferenças surreais do cotidiano. Acaba na rotina, nas ofensas diárias, nas pequenas mentiras… acaba quando não se tem mais vontade de continuar.

Nesse estágio, todos sofrem. Indiferente do nível de envolvimento. O sofrimento dura dias, semanas, meses. Fica aquela sensação de culpa e de insuficiência diante das tentativas. O vazio toma conta dos dias e as horas teimam em não passar.

Até que um dia a razão prevalece e o sentimento da lugar à sensatez. E começamos a entender que o amor não é feito de metades, não é construído nas diferenças e que borboletas no estômago não garantem casamento.

Entendemos que amor não vem pronto em caixinhas e que só podemos construí-lo na convivência. Muito (mas muito mesmo) diferente da paixão. E entendemos que, em suas particularidades e, apesar dos pesares, são bons. Aprendemos, crescemos e nos sentimos vivos ao senti-los.

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Apesar disso, as lembranças ainda estão presentes na memória e ainda ferem mais que faca. Os planos, as expectativas, os nomes dos filhos são lembrados com mais frequência que seu sobrenome. E você começa a pensar que nunca mais irá amar ninguém.

Mas, um dia, tudo passa. A saudade não machuca mais, as lembranças não são as primeiras coisas que a mente lembra e a vontade em estar junto não é tão grande assim. E começamos a entender que, tão importante quanto apaixonar-se, é esquecer.

(Autora: Pamela Camocardi)
(Fonte: entrelinhasliterarias.com)
*Texto publicado com autorização da autora

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