Hoje gostaria de refletir um pouquinho sobre a questão da droga na adolescência. Longe de mim, querer esgotar ou explicar sob apenas um ponto de vista esta questão que assola nossa sociedade. A entrada de alguém neste mundo ocorre por uma multiplicidade de fatores.

Ontem tive uma reunião de trabalho com vários educadores de escolas públicas e, ouvindo os gestores de diferentes escolas, observei que quase 100% dos alunos envolvidos com drogas são vítimas de um desamparo familiar que independe da classe social. Desamparo e drogas se fazem presentes independente da conta bancária dos pais!

Na Psicanálise a adição – ou dependência física ou psíquica – é classificada como uma Neurose Impulsiva.

As Neuroses Impulsivas são aqueles desequilíbrios emocionais cujos sintomas se caracterizam por atos impulsivos, ou seja, por ações prazerosas. O problema é que estas ações não são convencionais e podem prejudicar quem as realiza ou aos outros. São Neuroses Impulsivas: a cleptomania (pegar objetos), a piromania (colocar fogo), os vícios do jogo, dos tóxicos, andar sem destino…

Freud diz que dentro de nós vivem três seres: id, ego e superego. Grosseiramente podemos dizer que o id é nosso polo pulsional, é ele que manda os impulsos para o ego resolver os problemas que surgem diante das insatisfações da vida. Ele é irracional, regido pelo princípio do prazer. É só desejo!

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Tudo que gravamos na parte inconsciente do nosso ser é de conhecimento do id. Na parte consciente está o Ego. Ele é a porção do id que foi educada. É regido pelo princípio da realidade. Recebe os impulsos do id, mas só pode atendê-los se o superego deixar! O superego é o juiz, o censor moral que premia, alerta e pune o ego, causando distonias emocionais (angústias, insônias, tristezas sem motivo aparente) e os sintomas neuróticos.

Diante das insatisfações do ego o id manda a ele os impulsos e aqueles proibidos pelo superego são deformados e geram os atos impulsivos com o objetivo de eliminar a tensão interna ameaçadora; são impulsos prazerosos que visam cessar o sofrimento, a dor interna que o indivíduo sente.

A busca pela droga caracteriza uma busca de segurança e apoio, a pessoa passa a depender deste componente para sentir-se alguém, ficando num primeiro momento depende emocional e, posteriormente dependente físico da substância tóxica, a ponto de anular todos os demais interesses da vida.

Os adictos são pessoas para as quais o efeito da droga tem significado específico de provedor de segurança. Não toleram a tensão, não suportam a dor, a frustração, a expectativa. A droga é uma oportunidade de fuga e seu efeito é algo tão gratificante que elimina o sofrimento e a frustração.

Passado o efeito da droga, o sofrimento e a frustração tornam-se ainda mais difíceis de suportar, induzindo novamente o aumento do uso da droga.

O que predispõe um jovem a ser “viciado” ou não é sua estrutura emocional. Jovens criados sem afeto, sem limites, com o mínimo de frustração são presas fáceis do tráfico.

A quem cabe educar o jovem para que ele não desabe diante das tempestades da vida? Nos dias de hoje vemos os pais preocupados em prover seus filhos de bens materiais e se esquecendo de desenvolver valores universais.

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Em nome da culpa que desenvolvemos pelo abandono a que sujeitamos nossos filhos, damos a eles tudo que o dinheiro pode (muitas vezes não podemos!) comprar, dizemos “sim” para tudo, temos que ser os “pais amigos” e esquecemos-nos de sermos “pais educadores”, que educam pelos exemplos e pelas palavras.

Afirmamos amar incondicionalmente, mas esquecemos de amar educando. O psiquiatra e educador Içami Tiba afirma que “quem ama, educa”! Eu acredito que educar é muitas vezes dizer não! Quem educa para a vida, corre menos riscos de chorar por um filho “zumbi”, perdido no insano mundo das drogas.

Pensem nisso!

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Claudia Pedrozo
Professora, coordenadora pedagógica, diretora de escola e atualmente está na Supervisão de Ensino do Estado de SP. Pedagoga de formação, pós graduada em Gestão Escolar pela Unicamp, em Psicopedagogia pelo CEUNSP e formada Psicanálise Clinica. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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