Blonde infant boy hugging sisters doll

É muito comum mães e pais relatarem a dúvida sobre se há algum impacto no desenvolvimento afetivo-sexual de seus filhos caso eles brinquem com brinquedos rotulados como do sexo oposto.

Essa dúvida é muito comum, mas também muito simples de ser esclarecida. Afinal, brinquedo tem sexo?

Sem entrar no mérito do preconceito, vamos compreender alguns pontos:

Qual a função do brincar?

Os brinquedos, assim como as brincadeiras, são oportunidades para que as crianças descubram o mundo, aprendam, desenvolvam criatividade, para futuramente enfrentarem o mundo dos adultos . Neste sentido, os brinquedos e as brincadeiras infantis são riquíssimos instrumentos que preparam a criança para sua vida futura, e quanto mais essa criança conseguir brincar com brinquedos diversos, mais elementos criativos ela terá internalizado, e essa riqueza interna repercutirá em criatividade e tolerância com o diferente, fatores essenciais para a humanidade.

Pensemos da seguinte maneira: suponhamos que dentre 100% dos brinquedos, fosse possível dividir 50% como sendo os brinquedos ditos para meninos, e 50% dos brinquedos para meninas.

Se uma menina brincar somente com os 50% dos brinquedos correspondentes, ou seja, casinha, boneca, etc, ela estará deixando de descobrir 50% de outras possibilidades essenciais para sua vida, como carrinho, patinete, peças de montar e outros que poderiam lhe auxiliar no desenvolvimento de habilidades visuoespaciais, fundamentais para a autonomia, planejamento, estratégia de rota, necessárias ao dirigir um automóvel, por exemplo.

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No mesmo sentido, continuando com a mesma suposição, um menino que brinque apenas com os 50% de “brinquedos para meninos”, está deixando de aprender muito sobre o universo dito equivocadamente como “feminino”, e quando crescer terá dificuldades em afazeres domésticos, não terá autonomia para preparar a própria comida, ou limpar a própria casa, ou pior, não saberá cuidar do próprio filho, terá inclusive dificuldades para se relacionar com outras pessoas, pois não brincou de casinha, tampouco de boneca, ou brincadeiras que necessitassem um posicionamento mais afetuoso e atento perante a atividade.

Conclusão: precisamos criar nossos filhos 100% potentes ao desenvolvimento das habilidades humanas.

Os pais contemporâneos precisam ampliar suas próprias visões de mundo para acolher a diversidade, inclusive das brincadeiras, como oportunidade para desenvolver o máximo da criatividade possível em seus filhos.

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O caminho para isso é deixa-los livres para criar, descobrir, aprender e se desenvolver tendo o máximo de oportunidade possível, para serem adultos bem resolvidos, criativos, minimamente habilidosos em diversas áreas.

Por fim, fica evidente que existe apenas um tipo de brinquedo: os brinquedos de crianças, que transformaram nossas crianças em adultos inteligentes, afetuosos, criativos, e capazes de acolher a humanidade presente em toda diversidade.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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