Me lembro de quando comecei estudar a psicologia junguiana e ter lido um trecho em que o próprio Jung dizia que uma boa parte dos tratamentos terapêuticos se resolvia com um breve ajustamento.

Eu, na época, mais jovem e ingênuo, fiquei profundamente indignado com a fala daquele que deveria, entre todos, não acreditar em ajustamento ou coisa do tipo. Parecia-me um absurdo pensar que poderíamos melhorar uma condição psicológica através de algumas simples adequações ou indicações de como agir… pensar. Lembrava-me sempre da máxima: Psicólogo não dá conselho.

O tempo passou e ainda sei que psicólogo não dá conselho, mas o tempo despendido no consultório me fez ver que muita coisa é resolvida por umas explicações básicas sim…

Uma boa parte do tempo somos guiados e controlados por vieses cognitivos bem simplistas. Acreditamos em ilusões de forma e estabelecemos padrões irrealistas para nossos planos e exigências pessoais.

Um exemplo simples, porém eficaz, de adequação psicológica é o redimensionamento de pontos de referência.

Somos mediados, o tempo todo, por exemplos de sucesso que são muito distantes da realidade da imensa maioria da população. Basta você rodar a sua barra de rolagem em qualquer rede social e tenho certeza que encontrará postagens sobre lugares paradisíacos, exemplos de sucesso de jovens que conquistaram o primeiro milhão antes dos 30 ou, para ser mais atual, o corpo de 50 anos de um modelo que é muito melhor que a imensa maioria dos de 20.

Trabalhar a simples observação da realidade circundante e notar como as coisas não são como aparecem na propaganda, já conseguiu “curar” muita gente.

Apesar de concordar que “seguir os seus sonhos” tem uma função importante na vida das pessoas, aprender sobre a normalidade e aceita-la é urgente para maioria de nós. Aceitando certas limitações, podemos ir bem mais longe.

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Marcelo Marchiori
Marcelo Marchiori é psicólogo clínico, especialista em interpretação de sonhos e imaginação ativa. Escreve [quase] diariamente sobre psicologia, comportamento e sociedade. Pode ser seguido por seu perfil no Facebook. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here