Acordou e a calça para ir trabalhar estava justa. Decidiu, então, focar na dieta. Lá pelas 10h estava no pique de trabalho e às 11h já não lembrava mais do plano inicial.

No horário de almoço, se esbaldou no quilo, na sobremesa e o arrependimento veio logo depois. Ficou para iniciar no outro dia, o que não aconteceu. Até que desistiu e os quilos começaram a aparecer.

Uma história comum vivenciada dia após dia pelas mais diversas pessoas ao redor do mundo.

A compulsão pela comida e a dependência emocional em torno dela, são comuns e mais ligadas às emoções do que imaginamos.

O tratamento é difícil, muitas vezes caro, demorado e doloroso. Mas a cura existe sim.

A sensação de vazio

O vazio não está no estômago e sim na alma. Porém, insistimos em confundir as coisas. Buscamos um alento na comida, no refrigerante, no chocolate. Buscamos uma alegria, um conforto, um preenchimento.

Essa busca constante prejudica a vida como um todo, das relações humanas ao trabalho. Depois de comer, logo vem a dor da culpa. Piora ainda mais quando começam a aparecer as dores físicas, em conjunto com as da alma.

É uma bola de neve, um círculo vicioso. Sair requer extrema habilidade, coragem e força de vontade.

Auto estima lá no chão

A baixa autoestima influencia de forma intensa a autoimagem de fracasso. Cada vez que alguém tenta reverter o quadro da obesidade sem sucesso, aumenta a sensação de vazio, o que leva a comer mais e, consequentemente, piorar o quadro.

Dói bastante sentir-se feio(a), o gordo(a) da festa, o simpático(a) (apenas amigo), o rejeitado(a). Mesmo aqueles que dizem sentir-se bem com o peso que estão, escondem alguma dor, alguma ferida feita por uma sociedade que massacra quem se autodestrói, que aponta o dedo para quem não cuida da imagem.

E julgar é mesmo muito fácil. Assim como – para quem não entrou no círculo vicioso – é simples sair. Quem não tem aquele amigo que está sempre vindo com uma dieta milagrosa, um remédio novo, um shake para você tomar e emagrecer 10 quilos por semana? Não adianta, ninguém está na nossa pele. Isso é fato. Sair do círculo é difícil, às vezes quase impossível, e só sabe o quanto dói quem está lá e vive tentando.

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Reconhecer o problema

Nem tudo está perdido, dá pra sair sim e o primeiro passo é saber que é difícil, que vai ser duro e que é preciso enxergar a realidade e pôr, de uma vez por toda, um ponto final na auto-sabotagem.

Algumas pessoas usam remédios, outras buscam cirurgias, outras buscam a força de vontade e a terapia. Escolha seu método, foque nos resultados e seja firme do início ao fim.

Em 2006, com a cirurgia de redução do estômago marcada, Camila perguntou para meu médico, cheia de medo:
– E se não der certo?
– Não der certo o que?
– Sei lá, se eu não emagrecer ou tiver algum problema?
– Você vai fazer tudo certo?
– Sim, vou.
– Você já viu alguém que fez tudo certo não conseguir?
– Não, mas…
– Não tem mas… faça sua parte, faça tudo certo.

Pois é. 11 anos se passaram, Camila no peso ideal, grávida do 2º filho.

Nesse tempo, recaiu e se autosabotou algumas vezes. Mas tomou a consciência e o controle das emoções sobre a comida. Aprendeu a se controlar e sair do círculo, assim que ele inicia. Aprendeu que o negócio é não entrar. O negócio é ser firme e seguir em frente. Como se diz lá em Florianópolis, cidade onde cresceu: “segue toda vida reto”.

*Baseado em fatos reais. Camila se chama Caroline e vive em Jaraguá do Sul/SC.

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Caroline Scharlau

Jornalista por formação, profissional de marketing por opção, escritora por paixão. Mãe, viajante solitária, ex-obesa, eterna aprendiz. É colunista do Fãs de Psicanálise.



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