Fã uma palavra que significa muito. “Exagerado” de Cazuza é tema de muitos “Eu nunca mais vou respirar, se você não me notar. Eu posso até morrer de fome, se você não me amar”. Alguns fãs ultrapassam os limites e levam seu amor às últimas consequências.

A palavra fã causa confusão, afinal o que é ser fã? O que transforma o fã em fanático? Fã é quem admira e gosta de ter contato com o que ama — seja um artista, uma banda, um time de futebol.

O problema é quando o fã não tem limites e passa a ser fanático. Os fanáticos também amam e admiram, a diferença é que o objeto amado é o que existe de mais importante na vida.

Segundo o livro Faces do Fanatismo, dos historiadores Jaime e Carla Pinsky, “há fanáticos e fanáticos. Entretanto, parece óbvio que um fanático por novela é algo bem diferente e bem menos perigoso que um nazista fanático”.

Para a psicóloga Silvana Drabeski o fanático trouxe para si a vida do ídolo, e isso é perigoso. Não importa o que aconteça, sempre estará ligado ao ídolo. “O fanático é exagerado, adere ao seu ídolo incondicionalmente e faz tudo por ele. Dependendo do grau o fanatismo, é perigoso porque o indivíduo para de viver a sua vida e passa a viver a do outro.”

Foi o que aconteceu com a administradora Michelle Rodrigues. “Dormia e acordava pensando Detonautas, não tinha controle”. Michelle, na época casada, diz que seu marido não podia nem ouvir falar na banda. “No início, ele achava legal, depois passou a dizer que odiava”.

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A situação chegou ao limite quando ela tatuou símbolos e frases da banda, seu casamento terminou. “Claro que a banda não foi o único motivo, mas 70% foi culpa do fanatismo”.

Para o músico Tico Santa Cruz, o fã admira o trabalho e o fanático acredita que é dono do trabalho do outro. “O fanático pensa que pode mais que do quem faz o que ele, teoricamente, admira”, contou Tico.

Mesmo que cada um tenha uma ideia sobre fã e fanático, fica claro que existe limite. O limite existe para tornar a relação entre fã e ídolo saudável.

Para o guitarrista do Detonautas, Philippe Fernandes, o limite é entender quando se pode ou não ficar próximo. “Quando é possível um bate-papo, trocar ideias, isso é saudável, mas tem gente que passa disso e que fica seguindo o dia todo, isso incomoda, é chato.”

A consciência de que você tem uma vida independente do seu ídolo faz com que você crie limites. Anelise Brum, comissária de bordo e fã do Detonautas, tem consciência que muda os planos para estar perto dos ídolos. “Não deixo de viver minha vida para viver a deles, mas sei que muitas vezes os coloco como prioridade.”

Uma pessoa se torna fã porque tem identificação. “Se você é fã de uma banda, é porque ela tenha muito a sua personalidade, fala o que você pensa”, diz a psicóloga, e completa dizendo que o fanático não é necessariamente doente. “Depende do grau de idolatria, mas claro que o fanático é predisposto a ter problemas de personalidade e momentos de desequilíbrio”.

Com as facilidades de contato que a internet proporciona, lembrar que quem você admira é tem uma vida como você pode facilitar e até construir uma amizade como diz Philippe. “A relação que tenho com os fãs do Detonautas é tranquila, na verdade os tenho como amigos. São pessoas que se morassem perto, estaria junto e convidaria para festas ou ir para a praia”.

(Autora: Talita Lima e Julie Gelenski)
(Fonte: webjornalismoup.wordpress.com )

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