Um dia em um bar – onde acontecem as melhores histórias – uma amiga disse que estava cansada de ir a festas e viver desses relacionamentos casuais.

Ela queria sossegar, mas só encontrava pessoas vazias. O meu amigo que estava junto, disse para ela: “Você é uma pessoa de amores de domingo, amando no sábado”. Aquilo mexeu comigo.

Provavelmente, vivemos a época do supra-sumo da superficialidade.

Amizades duradouras são raras, manter a família unida é escasso e casamentos que não acabam estão em extinção.

Hoje é fácil trocar as pessoas, afastar-se delas, mudar de endereço, criar novos vínculos e assim que der vontade, repetir os mesmos passos.

Colocaram na cabeça das pessoas que bonito é ser racional e não entregar-se aos sentimentos, que amar é perigoso e machuca, que trata-se de algum tipo de auto-sabotagem emocional.

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Assim nasceram os amores de sábado. As pessoas destes amores vivem de festas, procurando alguém para ficar, passar o tempo, criaram na cabeça delas que esse egoísmo cínico e covarde de fugir dos relacionamentos se chama liberdade.

Como se não precisassem de ninguém, como se a solidão entre amigos esporádicos de festas e um copo de cerveja, no meio da madrugada, resolvesse, preenchesse.

Os amores de sábado são fugazes, de uma noite, a pessoa vai embora no meio da madrugada, ou na manhã do dia seguinte.

Não há perguntas e questionamentos, a vida segue, ninguém quer saber como está a vida do outro, quais são os planos para o futuro ou se a pessoa está com algum problema para resolver.

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É provável que você possa ser também uma pessoa de amores de sábado, mas você nunca pensou que merecia um pouco mais do que te ofereciam? Que o prazer de uma noite de gemidos é pouco para um coração cheio de amor e uma alma cansada deste mundo tão cheio de vazios? Nunca acordou com aquela vontade de querer algo realmente importante e especial?

E nesse cansaço de tanta mesmice superficial, nascem os amores de domingo. Ah… Esses fazem suspirar.

Os amores de domingo são os que ficam. São aqueles que acordam e fazem o café da manhã juntos, que ficam conversando por horas depois do sexo, que se perdem no meio da tarde falando de saudade, sonhos e afetos. São os amores que se constroem com o tempo. São os que têm maturidade para perder o medo e perceber que querer o outro não é deixar de se querer.

Os amores de domingo são os que criam raízes, os que se envolvem, os que você pode convidar para conversar ou ouvir a sua banda favorita num fim da tarde sem sentir-se careta.

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Os amores de domingo são corajosos e estáveis, não precisam de bebida ou de música para que algo aconteça. São os que gostam de criar lembranças compartilhadas, que não têm medo de falar o que sentem, que não buscam motivos para ir embora e não se incomodam com a monotonia de ter sempre a mesma pessoa.

Porque o bom da vida é sentir-se importante para alguém, o bonito é deixar os sentimentos tomarem conta da razão e mergulhar de cabeça para uma paixão correspondida, é deixar levar-se pela reciprocidade do amor.

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Viver no paraíso é baixar a guarda, e sentir com toda a intensidade do mundo o prazer de ser um pouco da outra pessoa, deixar se pertencer.

E existe algo melhor do que isso? Só que, enquanto você viver de amores efêmeros no sábado, sempre acordará cansado e de ressaca para viver os bons e velhos amores de domingo.

(Autor: Francisco Galarreta)
(Fonte: antesdasobremesa.wordpress.com)
* artigo publicado com autorização do site

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