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Sabe a “crise da meia-idade”? Ela pode ser mais real do que você imagina.

Os níveis de ansiedade atingem seu ponto máximo entre os 40 e os 60 anos, indicam novas estatísticas, provando que a “crise da meia-idade” pode ser mais real do que muita gente imagina.

Um novo estudo do governo britânico sobre bem-estar apontou que, falando em termos gerais, as pessoas têm níveis relativamente altos de satisfação com a vida e de felicidade – com aqueles entre 16 e 19 anos e entre 65 e 79 mostrando os índices mais elevados.

As pessoas entre 45 e 54 anos, entretanto, relataram índices mais baixos, o que coincidiu com um aumento notável nos níveis de ansiedade.

Médicos e especialistas em saúde mental oferecem conselhos para lidar com a ansiedade nessa fase da vida, quando divórcio, luto e problemas financeiros costumam ser comuns.

O Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido estudou os índices de bem estar pessoal entre 2012 e 2015 e criou notas médias para áreas que incluem satisfação com a vida, felicidade, senso de valor e ansiedade.

O levantamento indica que, dos 40 aos 60 anos, os níveis de ansiedade atingem o ponto mais alto para pessoas entre 50 e 54 anos.

Os níveis caem depois dos 60 anos, coincidindo com um aumento do nível de satisfação com a vida e de felicidade.

Helen Webberley é a clínica geral dedicada da Oxford Online Pharmacy. Ela diz que questões relacionadas à ansiedade são muito comuns em seus pacientes de meia-idade.

“A tendência é ver mais casos entre mulheres, e concordo que parece haver um pico entre os 40 e 50 anos”, diz a médica.

“Pode haver várias razões para isso, mas o cenário típico que encontro envolve pacientes com um ou mais empregos, demandas dos filhos e de administrar a casa e a preocupação extra de cuidar de parentes mais velhos.”

“No passado, as pessoas poderiam ter babá, cozinheira e empregada. Hoje, os dois adultos da casa têm de fazer tudo. As expectativas também são altas por parte dos empregadores, das crianças e dos parentes – a vida é difícil.”

“Acrescente a isso preocupações financeiras, e a pressão fica muito grande, o que pode causar depressão e ansiedade.”

Rachel Boyd, gerente de informações da ONG de saúde mental Mind, diz que lidar com divórcio e luto também pode compor o problema.
 
 Leia Mais: Cientistas descobrem como desligar a ansiedade

Por que esses sentimentos de ansiedade diminuem depois dos 60 anos, então?

Segundo Boyd, “é possível que a partir dos 60 anos, as pessoas tenham maior probabilidade de se aposentar, o que retira a pressão do trabalho desse cenário.”

“Também é provável que as pessoas aceitem melhor o que têm e exijam menos de si mesmas.”

Para quem tem níveis quase insuportáveis de ansiedade, muito além da ansiedade normal do dia a dia, Boyd tem alguns conselhos.

“A maioria das pessoas entende a ideia de se sentir tenso antes de uma entrevista de trabalho ou de uma mudança de casa, mas problemas mentais como ansiedade e depressão têm impacto muito maior na sua vida e podem até mesmo te impedir de fazer as coisas com que você estava acostumado”, explica ela.

“A ansiedade, entendida como problema de saúde mental, não é o mesmo que ser ?meio tímido?, e é importante procurar ajuda assim que possível se você acha que ela está interferindo com sua capacidade de levar a vida normalmente.”

Ela explica que a ansiedade não tem impacto só na cabeça – ela também pode afetar seu corpo.

“Sintomas físicos incluem aumento da frequência cardíaca, tensão muscular, tontura, dificuldade para respirar, suor, tremores e náusea”, afirma ela.

“Sintomas psicológicos incluem nervosismo e tensão, preocupação incessante e a sensação de que os outros estão percebendo sua ansiedade.”

“Você pode ter ataques de pânico agudos ou frequentes, aparentemente sem motivo, ou ter uma sensação permanente de ansiedade. Você pode ter vontade de fugir, ou perceber que está gastando muita energia tentando evitar a ansiedade.”

“Se você tem ansiedade social, também pode evitar situações que podem disparar a ansiedade, tais como encontrar amigos, sair para fazer compras ou até mesmo atender o telefone.”

Boyd recomenda que pessoas que apresentem esses sintomas procurem ajuda, seja um especialista, um clínico geral ou até mesmo amigos e familiares.

(Autora: Natasha Hinde)
(Fonte: HUFFPOST BRASIL)

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