Segundo a mitologia grega, Tântalo era um rei que ao cometer uma ofensa muito grave contra os deuses, foi castigos e condenado a viver com fome e sedeem um vale abundante de água e frutas. Ao querer beber, a água escoava por entre os dedos, e ao sentir fome, as frutas se distanciavam para longe de seu alcance.De tal modo, a expressão Tântalo se refere ao sofrimento por desejar algo aparentemente próximo, mas inalcançável.

Transpondo aos relacionamentos amorosos, temos o chamado vínculo Tantalizante (Zimerman, 2004; 2010), um modo de amar caracterizado pela impossibilidade na concretização de um relacionamento afetivo bem-sucedido,numa constante de um “nem ata, nem desata”.

A impossibilidade se dá pelo comportamento de um dos parceiros que, através de diferentes justificativas, nunca pode assumir a união, mas é sedutor e sabe muito bem renovar as esperanças da outra figura enamorada, através de promessas, manipulações e jogos psicológicos.

As desculpas são variadas, entretanto de modo geral se relacionam a existência de uma terceira pessoa, ou filhos, ou trabalho, ou até mesmo justificativas tendo a própria personalidade como questão de empecilho, sendo “alguém que não consegue gostar de ninguém”, por exemplo. Fato é que o momento nunca é adequado, sempre é necessário um pouco mais de paciência, e assim o tempo vai passando e o enlace nunca acontece.

A frustração causada ao parceiro que fica no banco de reserva é sentida de modo angustiante. Há uma vontade de acabar com tudo e se separar, entretanto, neste momento, surge novas promessas de amore a possibilidade de um futuro juntos acaba mantendo o vínculo, levando a manutenção da situação, através de um eficaz domínio emocional.

O domínio, para Zimerman (2004) pode ser exercido de muitas maneiras, tais como “dominação intelectual, moral, econômica, política, religiosa, afetiva, mas (…) sempre alude ao exercício de um poder supremo que leva o outro a sentir-se subjugado, controlado, diminuído, humilhado, manipulado e em uma crescente dependência”.

Neste quadro temos duas personalidades características. De um lado um sujeito disponível ao amor, mas dependente, que impossibilita a auto realização e a plena vivência amorosa, boicotando possibilidades de experiências positivas e repetindo relacionamentos fadados ao fracasso. De outro, uma pessoa com uma necessidade vital de reconhecimento, que vive mais pela aparência e quantidade, que pela essência e qualidade, que se protege de uma realidade frágil e assustada, através de escudos emocionais.

O que permanece neste complexo vincular é um apego doentio, que tal como o uso de uma droga, consegue satisfação de modo medíocre e ilusório,impossibilitando o viver criativo e a presença real de vínculos superiores,causando um alto preço à saúde emocional, com a predominância de sofrimento e angústia. Trata-se de uma vivência patológica da experiência do amar.

Referência:

Zimerman, D. E. Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Zimerman, D. E. Os quatro vínculos: amor, ódio, conhecimento, reconhecimento na psicanálise e em nossas vidas

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



2 COMENTÁRIOS

  1. Lendo este artigo e alguns outros do site, me identifiquei em relação a um relacionamento q terminou há poucos dias. Não tínhamos nada em comum além do amor por cantar e o sexo q era muito bom pois temos muitas afinidades. Dediquei muito tempo a ele, ajudei-o a sair de uma situação muito dificil financeira e psicologicamente, e no fim recebi ingratidão e um pé na bunda, justamente por não ter emprego, o q me possibilitava me dedicar tanto a ele.

  2. Passei por essa situação por 3 anos, cheguei até a ficar com depressão e ontem dia 7/7/2016 decedi me libertar, e me sinto muito bem comigo mesma.. obrigada pela matéria, me ajudou bastante.

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