A perda amorosa é um assunto recorrente nos consultórios de terapia e a maneira como cada pessoa vivencia esse momento depende de uma série de fatores.

A dor de perder a pessoa que amamos pode ser uma das piores experiências humanas, inclusive para quem têm autoestima elevada, pois costuma provocar uma sensação de insegurança na própria capacidade de amar. E quanto  mais baixo for o sentimento de valor pessoal, mais vulnerável a pessoa estará ao sentimento de rejeição. Além de que a sensação de abandono será tanto mais intensa, quanto mais possessivo for o amante preterido.

Neste artigo vou ater-me à separação entre vivos, não falarei da perda por morte do ser amado. Mas, da dor de perder a pessoa amada, quando esta decide terminar a relação. Talvez, este seja o pior dos lutos, morrer na consciência do outro.

O significado que a nossa sociedade dá para esse evento contribui para aumentar o sofrimento dos amantes. Aprendemos que o amor é eterno, quando na verdade, o amor precisa ser reinventado a cada dia. As músicas enfatizam: “minha vida sem você não faz sentido”, “de que vale tudo isso se você não está aqui” e, aos poucos, fomos acreditando na “metade da laranja”. Contudo, somos seres inteiros, o outro pode complementar a nossa existência com sua presença e trazer felicidade a nossa vida, mas nunca nos completar.

Existem pessoas que depositam toda a sua energia de vida em um relacionamento, esquecendo-se de si mesmas. São aquelas de se dedicam, quase que totalmente, ao namorado, marido, filhos, geralmente, são as que mais sofrem quando o outro termina a relação.

Porém, quando desenvolvemos uma visão mais realista e menos dependente das relações, despertamos para a consciência de que não existem garantias para os relacionamentos.

Como esse assunto é complexo e extenso, vou direto a algumas atitudes que muito podem nos ajudar a superar a dor do luto.

– Nunca perca o seu referencial interno! Dedique muito amor a você, jamais dependa do outro para ter certeza do seu valor!

– Não permita que o outro seja sua única fonte de prazer e alegria. Tenha amigos, pratique um hobby. Não queira sempre fazer tudo junto com o outro.

– Saia do “grupo de pessoas carentes”, aprenda a curtir a sua própria companhia. Estando em um relacionamento ou não, quando estiver sozinho(a) abra um espumante, aprecie a natureza, reverencie a vida,  fotografe as flores, leia um livro.

– Evite tentar controlar os sentimentos e as atitudes do outro. Todos nós podemos ser preteridos um dia, da mesma forma que também somos livres para sair de uma relação.

É importante estar consciente de que aquele que termina a relação é um ser humano como nós, que tem suas próprias motivações e conflitos internos e que nem sempre a sua atitude tem a ver conosco. Considerar a realidade interna do outro, em princípio, pode não aliviar a dor, mas ajuda a desdramatizar a situação.

– Quando perdemos alguém que amamos, o luto é  inevitável e a primeira fase que passamos é a da negação, não queremos acreditar. Esse sentimento é normal, mas sair do papel de vítima e reforçar a autoestima é fundamental, pois as fases que seguem, trazem uma série de sentimentos, dor, raiva, culpa, tristeza e isolamento, até chegarmos a última: a aceitação. O tempo de duração desse processo vai depender da maneira como cada pessoa lida com situações de crise e de outras circunstâncias do entorno.

É importante manter a consciência de que esse processo tem fim. Considere a possibilidade de buscar uma terapia para entender melhor seus sentimentos e aprender a lidar com os conflitos.

Abandonar o vício da infelicidade nos permite repensar nossos valores. A vida segue e se soubermos tirar o aprendizado dessa experiência, estaremos mais amadurecidos e muito mais confiantes para amar novamente.

(Carmen Janssen, psicanalista, sexóloga e palestrante internacional)

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Carmen Janssen
Psicanalista, Especialista em Sexualidade Humana. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



9 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Isso é tudo que eu precisa saber, passei por tudo aqui descrito, meu luto demorou um pouco mais de um ano e eu queria poder dizer que queria ter lido essa matéria antes, mas não teria adiantado, não tem como olhar com outro prisma quando se está no olho do furacão. De qualquer maneira, foi bom ler essa matéria, me trouxe paz, foi como aquelas palavras que dizem no funeral antes de enterrar alguém.
    Obrigada Carmen Janssen.

    P.S. a matéria foi curta, eu gostaria de ter lido um pouco mais sobre o assunto.

  2. Belo texto!
    Realmente, a dor é inevitável! Variando de individuo para individuo…
    As vezes vemos pessoas sofrendo por amor e achamos besteira, até passarmos pela mesma situação.
    O término do meu ultimo relacionamento foi épico, um show de horrores. Tentei sozinho, durante pouco mais de um ano aceitar, porém sem êxito. Durante este tempo experimentei dores indescritíveis que não desejo a ninguém, enfim, procurei a luz na psicoterapia e nos fármacos durante um ano…
    Hoje, já lúcido, as memórias ainda assombram minha mente, mas as acolho e coloco no passado, onde para sempre ficará!
    Beijo e grande abraço a todos, bem como força para aqueles que estão passando ou passarão por isto.

  3. Linda matéria, retrata bem o “luto” de um fim de relacionamento, difícil descrever a dor e a angustia que cada um que passa ou passou por isso leva dentro de si, para muito essa passagem pode levar meses ou ate anos, eu que o diga.

  4. Como sempre digo…As pessoas tem o direito de nos amar,ou não.Se alguém rompi uma relação,ela deixa claro que não é mais o que ela quer para vida dela.Doi,eu sei o quanto doi,mas a vida tem que seguir..Quem nunca passou por isso?.Cada um a sua maneira,eu costumo ir ao fundo do poço (É sempre lá que se encontra o chão,para dar o impulso)Amei,fui amada.Também fui amada mas não amei…Enfím,isso tudo é viver!!!Somente acho que NUNCA devemos deixar de acreditar no Amor.

  5. Acho que o término de um relacionamento, quando não bem resolvido, é sempre doloroso para aquele que não quer se separar. É como se alguém, de repente, criasse um buraco capaz de sugar todo o nosso ânimo, nosso gosto pela vida. Eu estou vivenciando essa situação há cerca de 2 meses, e ainda choro muito, mas muito mesmo. Cada vez que converso com alguém sobre essa situação, a coisa fica pior. Parece que os amigos falam de um “outro alguém”, que eu não conheço, que não é a pessoa por quem me apaixonei e que namorei por quase dois anos. E eu fico pensando nisso o tempo todo. Sempre que eu fico sozinho, me dá saudade, fico pensando no que o outro está fazendo, se está bem, o que estará sentindo…

    Eu sei que estou errado. Sei que eu deveria usar tudo isso como incentivo pra eu crescer e seguir minha vida. Mas eu não só me apaixonei, como também passei a amar de verdade. Meu erro maior foi esse: passar a gostar mais do outro do que de mim mesmo, a querer sempre o bem estar dele antes do meu. E isso não é bom, nem pra ele, nem pra mim.

    Não estou dizendo que sou 100% tristeza. Tenho momentos bons, principalmente quando estou junto dos amigos queridos. Mas meu coração está sempre junto do outro, ou melhor, quer sempre estar junto. E dói muito não poder atender esse pedido, assim como doeu muito ouvir ele dizer que não me quer mais.

    Sabe, eu criei um espaço em meu coração especialmente voltado pra ele. Pensei comigo: “Eu gosto demais desse menino. Quero muito fazer ele feliz. Quero cuidar dele, ajudar ele a chegar o mais longe que puder. Quero que ele se sinta amado de verdade, que ele saiba que tem alguém ao lado que acredita e apoia ele em todas as situações.” Mas também era assim que eu gostaria que ele me visse, era assim que eu gostaria que ele fosse por mim.

    Então no fim, acho que não choro mais por ele. Choro por mim. Por mais uma vez eu ter reservado meu melhor para alguém e, no fim, ser deixado pra trás.

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