Quem já não passou por uma situação desagradável de humilhação? Quantas pessoas, quando crianças, já não se sentiram diminuídas e envergonhadas por seus colegas de escola?

O bullying já acontece há algum tempo e em grande proporção, mas a discussão sobre o assunto é recente e está cada vez mais presente nas áreas educacionais, nos programas de televisão, revistas, jornais.

Profissionais de várias áreas, como a jurídica, psíquica, educacional, olham para o tema e apontam para uma reflexão com o objetivo de entender e encontrar formas de evitar ou minimizar o problema.

O bullying significa atos de violência física ou psicológica contra alguém em desvantagem de poder. Surge com frequência na escola e o impacto psicológico da agressão pode acompanhar o indivíduo pela vida toda.

Um dos sintomas que demonstra isso é a grande quantidade de adultos que possuem um bloqueio ao falar em público, prejudicando sua apresentação como pessoa e profissional. Essa dificuldade pode acontecer na escola onde a criança aprende a expor seus conhecimentos perante a um grupo.

Se as experiências iniciais não forem adequadas, ou seja, se quando a criança ao tentar se mostrar foi de alguma maneira diminuída pelos demais, é natural que ela se sinta bastante desconfortável e isso impacte negativamente na sua autoestima fazendo-a evitar a situação de exposição talvez pela vida toda.

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Esse exemplo é apenas uma das inúmeras formas de como o bullying pode afetar a vida das pessoas e, consequentemente, a sociedade.

Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram que crianças agredidas por maus tratos físicos ou emocionais por parte dos colegas, durante anos consecutivos, aumentam em até quatro vezes as chances de desenvolver sintomas psicóticos na adolescência. Esses sintomas são variados e incluem alucinações e delírios que alteram a percepção do mundo para o sujeito, demonstrando o impacto negativo que o bullying pode ter no desenvolvimento humano.

É brincadeira?

Muitas situações de agressões são encobertas por serem vistas como brincadeiras de criança. Deve ser considerada uma brincadeira aquela em que todos seus participantes estão se divertindo e aprendendo positivamente algo ao longo da experiência. À medida que um participante passa por uma situação angustiante, causando nele dor emocional ou física, e sem ter como se defender, a situação deixa de ser uma brincadeira para se tornar uma agressão. Qualquer forma de exclusão e acusação causa constrangimentos.

É possível que muitas crianças aprendam a ser violentas em casa, reproduzindo o contexto familiar na escola.

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A família deve dar o parâmetro do que é e o que não é respeitoso, pois se a criança não tem esse limite fica bem mais difícil que ela absorva e integre as regras da boa convivência, tanto na escola quanto na vida.

É importante que a família esteja atenta também para a questão do Cyberbullying, tantos para os filhos que praticam quanto para as possíveis vítimas. Alguns adolescentes, na pretensão de conquistar amorosamente um par, acabam se expondo demasiadamente na internet sem imaginar que essas imagens podem ser utilizadas com outro objetivo, ou seja, que podem ser divulgadas negativamente na rede numa proporção muito maior. Em muitos casos a vítima precisa sair da escola ou até da cidade para evitar o bullying que começa na internet e termina na vida real.

Canalizando as energias

Uma das maneiras de se lidar com o bullying é canalizar o potencial de quem o pratica para algo construtivo. A criança que pratica o bullying geralmente apresenta uma característica de liderança, ou uma grande força física. É interessante encontrar formas onde o indivíduo possa utilizar essas características a seu favor e não prejudicar ninguém.

Líderes de turma, representantes, monitores são algumas possibilidades, assim como atividades esportivas podem ser formas da energia agressiva encontrar saída de uma forma saudável.

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É importante lembrar que a energia agressiva não é ruim, pois nos ajuda a buscar nossos objetivos, a alcançar metas, realizar projetos pessoais e profissionais. A criança pode ainda não entender o que é essa energia, mas é muito importante que isso seja esclarecido a ela e que novas formas de superação da violência sejam encontradas.

Discussões, oficinas e palestras devem ser utilizadas para esclarecerem e orientarem pais, educadores e crianças sobre assuntos como: violência, preconceito, respeito, empatia entre outros. Qualquer trabalho que esteja dentro do propósito de ajudar a criança excluída a se sentir novamente pertencente ao grupo e valorizada como ser humano, deve ser considerada e estimulada.

(Autora: Marcela Pimenta Pavan)
(Fonte: acaminhodamudanca.wordpress.com)
*Texto publicado com autorização da administração do site

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