Sei que não pareço mais bebê, ninguém mais faz cute cute para mim. Pareço mais com você desde que aprendi os primeiros passos, não é mesmo, Mamãe? Agora fico de pé e sigo meus passinhos, muito feliz ao identificar sua sombra a me acompanhar. Pois ainda não posso caminhar sozinho, preciso de você. Sou menina maior, mas não sou menina grande ainda.

Estou me entendendo como indivíduo, Mamãe. E isso às vezes me deixa confusa e insegura. Peço que tenha calma. Algo pode ser simples para você, mas para mim é um desafio enorme e estou me esforçando muito.

Sei que eu testo. Assim como quando era menor colocava tudo à boca para explorar as novidades, hoje testo para aprender. Não sei se magoa, se é educado ou não, ainda não aprendi isso. Apenas estou entendendo quais as reações às minhas ações.

Não preciso de muitos brinquedos, Mamãe. Preciso de amor, carinho, tempo com você e brincar com potes e panelas.

Tudo o que almejo é tão simples e me frustro muito quando não consigo algo. Aprendi agora que tenho vontades. Se alguém além de mim também tem, eu ainda não sei, Mamãe.

Mamãe, não me bata. Você é meu porto seguro e se de ti desconfiar, como ficarei?

Peço também que não me deixe encabulada. Não me corrija diretamente, fico com vergonha de tentar de novo. Se me responder falando corretamente a palavra que errei, já entenderei o recado que com muito amor me enviou e com confiança logo acertarei.

Preciso de momentos que brinque comigo, Mamãe, mas também gosto de testar essa minha independência. Não sinta que não te amo mais nessas horas, quando der errado voltarei correndo para seus braços.

Eu ainda não sou adulto, Mamãe. Não entendo o porque você e Papai brigam. Mas gosto quando me explicam que tudo ficará bem e principalmente, quando fazem as pazes. Quando crescer, também saberei perdoar e pedir perdão, como vocês.

Fale comigo, Mamãe. Mesmo que eu não responda, estou prestando muita atenção e me sinto seguro ao se importar comigo;

Desligue a TV, adoro ouvir o barulho da sua voz e das pessoas que amo nesta casa. Admiro-os desde que vim ao mundo, quando me deixava num local tranquilo, onde podia apenas observar os movimentos do lar. Admiro e aprendo muito com vocês. Meus exemplos de vida!

Não faço greve de fome Mamãe, muito menos de sono. Só quero poder testar meu poder de negociação. Tenha paciência e calma, minha cabecinha está em formação e às vezes tudo parece muito confuso.

E enfim, o que mais gosto nesse mundo é que se divirta comigo, que ria do meu riso. Me sinto de novo em você, minha Mamãe.

(Autora: Marrie Ometto)

(Fonte: mamaeplugada)

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