Enquanto pais, sempre nos questionando qual é o melhor momento para alguns aprendizados significativos (e algumas vezes um tanto frustrantes) da vida de nossas crianças. Exemplo: em qual momento devo retirar a mamadeira (ou o seio) do bebê? E a chupeta? Devo iniciar o desfralde no verão?

Os estudiosos de educação infantil nos orientam sobre as diversas fases do desenvolvimento, porém não nos posicionam quanto a algumas estratégias práticas, mas a experiência nas observações das crianças nos auxilia neste contexto.

Começando pelo desmame… Até quando a criança necessita do leite na mamadeira? A mamadeira é um grande facilitador da vida da criança e dos pais. Para a criança, porque a supre da necessidade de sucção, e dos pais, porque garante que a criança se alimente rapidamente e sem se sujar. Pensando pela amamentação, o ser humano é o único mamífero que preserva a ingestão de leite durante mais de 8 meses. Nesta idade citada, o bebê já adquiriu muitos hábitos alimentares e a mamadeira já pode ser substituída pelos derivados: iogurte, danoninhos, etc. Lembramos também que o leite causa uma viscosidade nas secreções nasais e este é um intensificador das rinites bem como de outros problemas respiratórios.

Assim, a mamadeira pode ser retirada no momento em que o bebê aprende a utilizar o copo com tampa, além de diminuir progressivamente a ingestão do leite. Se a criança aprende a utilizar o copo, a mamadeira perde a utilidade, desde que os pais não se utilizem desta facilidade como substituto da alimentação. Uma alimentação saudável garante que a necessidade de sucção seja suprida, superada e que os dentes possam exercer a função que lhes cabe: mastigar.

Sei que alguns pais considerarão cedo, pois a educação que receberam esteve repleta de leite e este alimento psicologicamente se encontra vinculado ao conforto e carinho da mãe. Mas hoje a ciência nos demonstra a nossa necessidade nutricional muito precisamente, bem como os centros odontológicos nos posicionam que a mamadeira deve ser retirada entre os 6 e 10 meses. Alguns especialistas orientam que a criança passe diretamente do seio para o copo. Devido à necessidade de sucção e do conforto que a mamadeira nos traz, o importante é retirá-la antes dos 20 meses.

E a chupeta? Este objeto é importante tanto quanto o mordedor, principalmente no alívio durante o nascimento da primeira dentição. Além disso, a necessidade de morder é um instinto (algo inato e que deve ser direcionado), é a reação mais rápida que as crianças possuem quando ficam a mercê de sentimentos. Assim, o controle de sentimentos e direcionamento dos mesmos (morder alimentos e brinquedos), é um dos estágios da socialização infantil. Desta forma, a chupeta é um facilitador, porém, tal qual a mamadeira, deve ser utilizada até no máximo os 2 anos.

Em relação ao desfralde, o mais importante é respeitar quando a criança tem musculatura perineal preparada para esse avanço. Ela demonstra esse preparo muscular quando consegue andar agachada (como um patinho) por mais de três passos. Conseguindo andar assim, a musculatura está preparada, mas é preciso que a criança queira substituir a fralda pelo uso sanitário.

Nesta idade (por volta dos dois anos para as meninas e dois anos e meio para os meninos), a criança percebe que pode controlar seu ambiente e utiliza muito bem o controle dos esfíncteres (evacuar e urinar) com esta função. Quanto mais naturalidade for tratada esta situação (afinal, todos usamos o banheiro), mais rápido será o desfralde.

O desfralde noturno ocorre progressivamente, pois se a criança for estimulada a não tomar grande quantidade de líquido após as 18:00 horas, a fralda começará a amanhecer seca, podendo assim ser retirada.

Lembre sempre que as nossas crianças são muito inteligentes. Se os pais precisarem viajar ou percorrer um trajeto longo e como no carro não tem banheiro, os pais devem conversar com a criança explicando que a fralda será colocada para que, caso a necessidade fisiológica apareça, a criança possa utilizar a fralda naquele momento. O mais importante é enfatizar que ela não precisa da fralda, é apenas prevenção.

Quanto ao período do desfralde, este é independente. No verão facilita o lavar e secar de roupas, caso ocorram “escapes”, porém o tempo de troca de uma fralda ou de uma roupa molhada em uma criança é o mesmo. O mais importante é a criança e os pais estarem prontos.

O maior estímulo para o desfralde é ficar sem fralda e utilizar a calcinha igual da mamãe, ou a cueca igual ao papai. Neste sentido, essas peças precisam ser valorizadas e se possível, com desenhos, etc.

Aos dois anos é a idade dos aprendizados socialmente mais valorizados (citados acima). É preciso estar ciente de que também nesta idade ocorre a estimulação do sistema nervoso, na área da vergonha. Empatia e respeito a este sentimento que está sendo estimulado neurologicamente é fundamental.

E como fazer? Em cada um dos aspectos citados, há vários meios: a conversa séria normalmente resolve, porém a história inventada, a substituição de objetos, os relatos pessoais, inserir o tema em contexto em brincadeiras características de cada idade, auxilia muito.

Se os pais conseguirem manter um relacionamento respeitando a criança como um ser que está constantemente aprendendo, confiando na possibilidade de seu filho superar a fase que se encontra sem criar uma dependência dos mesmos (seja ela do desmame, desfralde ou desvinculo com a chupeta), a criança construirá uma auto-estima mais sustentada.

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Rachel Cantelli
Psicóloga. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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