Businessman straightening his tie in reflection

Competitivo, considera-se grandioso, humilha quem discorda, arrogante, mente/distorce fatos; você conhece alguém assim?

Por acaso você conhece alguém assim?

– Altamente competitivo em praticamente todos os aspectos da vida; acredita ter qualidades e habilidades especiais que os outros não possuem; retrata a si mesmo (a) como um vencedor e todos os outros, como fracassados.

– Considera-se grandioso(a) e, por isso, viola as normas sociais, tem ataques de estrelismo e até infringe a lei com consequências mínimas; geralmente se comporta como se tivesse direito de fazer o que bem entender, independentemente de como isso possa afetar os outros.

– Envergonha/humilha quem discorda dele(a) e parte para o ataque quando magoado(a) ou frustrado(a), geralmente com direito a explosões de fúria.

– Arrogante, vaidoso(a) e soberbo(a), exagera suas conquistas; atormenta todo mundo até conseguir as coisas da sua maneira.

– Mente/distorce a verdade em benefício próprio, põe a culpa nos outros ou inventa desculpas para os próprios erros, ignora ou muda os fatos que vão contra a imagem que construiu de si e não ouve os argumentos baseados na verdade.

Essas são as características comuns do narcisista extremo, descritas por Joseph Burgo em seu livro “The Narcissist You Know” (“O Narcisista que Você Conhece”). Embora a cultura atual seja descrita por muitos da mesma forma, com milhões de pessoas tirando selfies, metralhando o Twitter e registrando tudo o que fazem no YouTube e Facebook o tempo inteiro, os casos mais radicais que o psicólogo descreve são uma classe especial. E podem ser extremamente bem-sucedidos na carreira, mas fazem do convívio profissional e familiar um desafio.

É claro que praticamente todos nós temos um ou mais desses traços sem necessariamente sermos diagnosticados com o transtorno e, sem dúvida, ninguém é considerado narcisista por ser autoconfiante e conhecer suas próprias capacidades.

“O narcisismo existe de várias formas e diversos graus de severidade”, explica Burgo que, embora cite pessoas famosas com traços do distúrbio, se recusa a diagnosticá-las como portadoras do transtorno segundo as definições da Associação Americana de Psiquiatria.

O manual da instituição lista diversas características para descrever o transtorno da personalidade narcisista, entre eles a incapacidade de reconhecer ou se identificar com os sentimentos e necessidades dos outros, grandiosidade, a noção de que tem direito a tudo e as tentativas excessivas de chamar a atenção.

O Dr. Giancarlo Dimaggio, do Centro de Terapia Metacognitiva Interpessoal de Roma, escreveu no Psychiatric Times: “A pessoa com transtorno de personalidade narcisista é agressiva e presunçosa, exagera seu desempenho e sempre culpa os outros por seus fracassos”.

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Segundo a Clínica Mayo, quem sofre desse mal se tem em tão alta conta que se coloca em um pedestal e valoriza mais a si mesmo que aos outros. Passa a imagem de convencido ou pretensioso. Tende a monopolizar as conversas, diminuir aqueles que considera inferiores, insiste em ter sempre o melhor e fica bravo/impaciente se não recebe tratamento especial.

“Sob esse comportamento, porém, podem se esconder sentimentos de insegurança, vergonha, vulnerabilidade e humilhação – e para evitar essas sensações quando criticada, a pessoa reage com raiva ou desprezo e tenta humilhar o outro”, escrevem os especialistas da clínica.

Burgo, que atende os clientes por Skype de sua casa em Grand Lake, Colorado, observa: “O narcisista geralmente se sente atraído pela política, o esporte profissional e a indústria do entretenimento porque o sucesso nessas áreas oferece um sem-fim de oportunidades de demonstrar sua condição de vencedor, gerando a admiração dos outros e confirmando sua autoimagem defensiva como a de um ser superior”.

As causas do narcisismo extremo não são conhecidas com precisão. Entre as teorias há a que menciona o excesso de ênfase dos pais nas habilidades especiais do filho e críticas severas aos erros e temores, criando uma necessidade na criança de parecer perfeita e exigindo atenção constante.

Burgo escreve: “Embora o transtorno não esteja ligado a um grupo único de fatores, um número surpreendente de narcisistas extremos passaram por algum tipo de trauma ou perda quando muito jovens, como o abandono dos pais. A vida familiar de vários narcisistas famosos, entre eles Lance Armstrong, é marcada por vários casamentos fracassados, pobreza extrema e uma atmosfera de violência emocional e física”.

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Enquanto transtorno de personalidade diagnosticável, o narcisismo ocorre com mais frequência em homens que mulheres, geralmente se desenvolve na adolescência ou início da idade adulta e se torna mais radical com a idade. Ocorre em aproximadamente 0,5 por cento da população em geral e em seis por cento das pessoas que têm problemas com a lei e que têm dificuldades mentais/emocionais. Um estudo realizado na Itália descobriu traços de personalidade narcisista presentes em 17 por cento dos calouros da Escola de Medicina.

Como chefe e parceiro romântico pode ser insuportável, exigindo perfeição, sendo altamente crítico, não hesitando em destruir até o ego mais forte. A rotatividade de funcionários em empresas administradas por ele e o índice de divórcios entre pessoas casadas com um narcisista é alto.

“A melhor defesa do empregado que decide/tem que ficar é proteger o ego do patrão e evitar desafiá-lo”, ensinou Burgo em entrevista. Seu conselho para aqueles que convivem com o narcisista extremo é “tentar permanecer calmo e ser razoável, e não se envolver em batalhas que ele (o chefe) sempre vai ganhar”.

Apesar de falastrão, o narcisista extremo é propenso à depressão, abuso de substâncias e suicídio quando não confirma a expectativa e as alegações de que é o melhor ou o mais inteligente.

O transtorno pode ser curado, embora a terapia não seja nem fácil, nem rápida; às vezes, é preciso uma crise insuportável para que a pessoa procure tratamento. “Ela tem que chegar ao fundo do poço, depois de arruinar todas as relações importantes com seu comportamento destrutivo. Porém, isso não acontece com frequência”, diz Burgo.

Nenhum remédio reverte o comportamento narcisista; já a terapia e o diálogo com um profissional pode, ao longo dos anos, ajudar a pessoa a compreender o que há por trás de seus sentimentos e comportamento, aceitar sua condição e potencial, aprender a se relacionar melhor e, como consequência, viver relacionamentos mais gratificantes.

(Autora: Jane E. Brody)

(Fonte: nytimes)

*Tradução equipe Fãs da Psicanálise.

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