Woman traveling by boat at sunset among the islands.

Uma amiga querida emprestou-me um livro: “O vendedor de sonhos”. Fui capturada por uma interrogação desconcertante: “Como se achar sem nunca se perder?”.

E comecei a pensar…

Você já deve ter andado por muitas estradas; já deve ter visto gente de todo tipo e tamanho; já deve ter subido montanhas imponentes e descido vales profundos. Fato é que, por mais conhecidos que sejam os caminhos, por mais informações que recebamos antes de percorrê- los, eles sempre se revelam de forma única para cada passante.

E comecei a analisar a importância do “perder-se”. O perder-se não é um ato voluntário… Não. Definitivamente, não! O perder-se está na conta do acaso, do inevitável, da distração, ou até mesmo do risco que estamos dispostos a correr em cada escolha que fazemos.

Então, se está distante da livre volição, logo, não é o perder-se que importa, mas a capacidade de reencontrar-se. Somos o erro e o acerto, somos o bem e o mal. Vez por outra discordamos de nós mesmos e nos separamos; mas sentimos a nossa falta e nos procuramos novamente; e nos achamos; e… Que grata surpresa; já não somos mais aquele que se perdeu.

Nós não conheceremos quem somos, de fato, se não permitirmos que nosso “eu” caminhe sozinho, e se perca, e se ache novamente.

A primeira pergunta levou a outras: Eu me perdi? Se me perdi, me achei? Se me perdi e não me achei, estou me procurando? Se me perdi, não me achei e não estou me procurando, por que não quero me achar? Não sei você, mas no meu caso, quando me perco, me acho quando consigo ouvir o eco de minha própria voz…

Acho que aqui, no finzinho, cabe mais uma frase do livro, desconfortavelmente inspiradora: “Sou um caminhante que perdeu o medo de se perder. Sou um caminhante à procura de mim mesmo.”.

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Jane Castelo Branco
Pedagoga; psicanalista; coordenadora educacional. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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