Quem já se apaixonou sabe: a paixão é avassaladora.

Ela não pede licença pra entrar, não chega na ponta dos pés e não faz silêncio. Ela chega arrombando a porta principal, abre a geladeira, bota os pés em cima da mesinha de centro e se sente em casa.

A paixão é impulsiva, por vezes inconveniente, mas sempre incontrolável. A paixão não segue normas de etiqueta. Não se comporta como mocinha, não faz o que esperam dela, não é nenhum bom exemplo para os sentimentos mais tímidos e recatados.

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Ela é um furacão que quando passa leva com ela tudo o que estiver na frente e ás vezes ela incomoda.

A paixão é um grande elefante na sala de estar dos amargurados.

Se existe uma coisa que a paixão não é, é discreta.Paixão, quando sentida lá no fundo do coração, transborda pelo poros. Paixão, quando verdadeira, grita bem alto. Paixão, quando trilha o caminho do amor, se recusa a fingir ser qualquer coisa que não ela mesma.

Ela faz bastante barulho e não importam as reclamações dos vizinhos, ela não tem nenhuma pretensão em abaixar o som.

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Então deixem os apaixonados se apaixonarem, deixem que demonstrem seu amor, deixem que gritem sua felicidade, deixem que transbordem de tanto afeto, deixem que os apaixonados sejam apaixonados, sem regras, sem limites, sem contenções. Do exato jeito como toda paixão deve ser.

Deixem que criem perfil de casal, deixem que se declarem na rede social, deixem que demonstrem publicamente seus sentimentos. Deixem que sejam ridículos, melosos e clichês porque assim é o amor: ridículo, meloso e clichê. E não há nada de errado nisso.

Não peça para um apaixonado esconder sua paixão.

Em tempos de frieza e indiferença, a paixão é um doce alivio, e talvez a única esperança. Proteja a paixão!

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Proteja as serenatas, as cartas de amor, as fotos cafonas, as músicas melosas, os textos intermináveis, os choros emocionados, as tatuagens inconsequentes, as mãos entrelaçadas, as conchinhas antes de dormir, os cafunés matinais, os presentes fora de data, os beijos demorados, o frio na barriga e o brilho no olhar.

Porque a paixão está em extinção. E se algum dia a perdermos, perderemos tudo o que ainda resta de nós mesmos.

(Autora: Marina Barbieri)
(Fonte: deuruim.net)
*Texto publicado com autorização da administração do site

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