Muita gente nem imagina, mas no Brasil existe uma estimativa de 25 suicídios por dia.

Cada vez que uma pessoa tenta se matar e não consuma o ato, ela tende a ter 50% a mais de tentar se matar de novo. Além disso, mais de 90% desses casos estão diretamente ligados à doenças mentais.

Infelizmente, em nosso país, falar sobre o suicídio ainda é um tabu e, apenas em casos extremos, é que o assunto se é discutido.

Em 30 anos, o número oficial de suicídios no Brasil foi de 195.607 pessoas, a mesma soma de três bombas atômicas iguais a de Hiroshima, esse calculo foi feito pelo sociólogo Gláucio Soares, que é professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O suicídio ele pode ser detectado previamente, mas é preciso saber reconhecer seus sinais.

No livro “Suicídio e sua Prevenção”, do psiquiatra especialista, José Manoel Bertolote: Estão envolvidos em uma tentativa de suicídio os fatores predisponentes, como genética, psiquismo do indivíduo, círculo social, ambiente familiar e até religião. E os precipitantes, aqueles fatores que motivaram o ato”.

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Problemas mentais como a depressão, alcoolismo, bipolaridade, transtornos de personalidade, abuso de drogas, esquizofrenia, são alguns dos exemplos de casos que compõem os 90% de tentativas de suicídio.

Comportamentos inesperados

Muita gente diz o seguinte: “Quem fala não faz”, essa não é uma verdade.

Isso, de acordo com Bertolote “São praticamente anúncios. Normalmente os mais jovens são mais diretos. Eles verbalizam claramente, ou avisam pelas redes sociais, por e-mail. Já o mais idosos são mais sutis. Se despedem distribuindo posses.”

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Outro comportamento que deve ser observado são as mudanças inesperadas, como por exemplo, desistir de um hobby que tanto gostava ou perder/sair de um emprego que considerava muito importante.

Falas comuns

Existem algumas falas muito comuns que as pessoas que pensam seriamente em suicídio tendem a dizer. Quando essas pessoas dizem que pretendem acabar com suas vidas, não necessariamente é da boca pra fora.

Na verdade, de acordo com a psicanalista especializada em suicídio, Mônica Kother Macedo, e professora da PUC-RS, “falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda”.

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O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma ONG de auxílio a pessoas que pensam em suicídio. Há 16 anos, Adriana Rizzo (engenheira agrônoma) é voluntária do CVV e conta que das milhares de ligações que já atendeu, as frases que mais ouviu foram: não aguento mais, eu queria sumir, eu quero morrer.

Adolescência conturbada

Nos últimos 10 anos, as taxas de suicídios entre os jovens brasileiros teve um aumento de 30%. Apesar do que muita gente pensa, o comportamento do adolescente, que muitos chamam de “aborrescente”, pode ser na verdade um forte indício de tentativa de suicídio.

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O psiquiatra Jair Segal explica que “Existe uma falsa ideia de que a depressão atinge mais pessoas adultas. O adolescente apresenta outros sintomas, ele vai se trancar no quarto, não vai falar com ninguém, e isso vai ser entendido como fenômeno da adolescência normal, já que ele não consegue expressar seu sofrimento de uma forma clara.”

Drogas e depressão

Algumas estatísticas estimam que pessoas que cometeram suicídio, antes de consumar o ato, tentaram entre 10 e 20 vezes. Isso quer dizer que essa pessoa que já tentou mais de uma vez está muito mais vulnerável.

O psiquiatra e vice-presidente da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio, Humberto Correa da Silva Filho, afirma que quando uma tentativa de suicídio dá maior força para novas tentativas.

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Como dissemos acima, por volta de 90% das pessoas que cometeram suicídio possuíam algum tipo de problema mental, como a depressão.

Essas pessoas precisam de muita atenção, principalmente se forem consumidores de bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de droga.

Também de acordo com Jair Segal, “O maior coeficiente de suicídio se dá por transtorno de humor associado ao uso de substâncias psicoativas, mais da metade dos casos de suicídio. Depressão e consumo de álcool e drogas é responsável pelo maior número de mortes no mundo inteiro.”

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Essas são apenas algumas das características de uma pessoa que pretende suicídio. Mas, o mais importante é conversar com a pessoa sobre.

Segundo o psiquiatra Carlos Felipe Almeida D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio, “muitas vezes essa pessoa só precisa de atenção, ser ouvida. Além disso, deixar essa pessoa sem acesso a possíveis ferramentas que a poderiam levar à morte, como remédios, armas, substâncias tóxicas, etc”.

(Autora: Julia Marreto)
(Fonte: m.fatosdesconhecidos.com.br)

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