Ser uma mulher solteira com certeza tem seu lado bom. Ser independente, livre para ir onde quiser, com quem quiser, a hora que quiser sem ter que dar satisfação nem ouvir reclamações são alguns exemplos disso.

Outra vantagem de não se prender à um compromisso amoroso é poder ter vários parceiros no decorrer da vida, de acordo, única e exclusivamente, com sua vontade (seja ela sexual, afetiva, não importa).

Mas apesar de toda essa liberdade a vida de solteira tem várias dificuldades que a maioria das pessoas desconhece.

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Eu achava (ou não havia me dado conta) que isso só acontecia comigo e com minhas amigas, mas ao ver o assunto ser discutido recentemente em redes sociais e ao julgar pelos comentários de outras internautas, acredito se tratar de um caso muito comum que vem acontecendo com a maioria de nós. O problema de ser uma mulher solteira são os homens.

As mulheres estão passando por um processo de empoderamento coletivo. Crescem na internet veículos de comunicação como sites, páginas e canais feitos por mulheres e para mulheres que discutem padrões impostos e socialmente aceitos há anos, denunciam maus tratos que até então eram vistos como “prova de amor” e questionam o verdadeiro papel da mulher na sociedade.

Nunca se falou tanto em relacionamento abusivo, violência contra mulher, estupro, aborto… Obviamente ainda há muito que fazer.

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Quando vemos uma menina dizer com orgulho que não precisa do feminismo está claro que estamos longe de vencer uma alienação em massa que nos foi imposta há muito tempo e que continuam nos impondo.

Mas é nítido também um avanço em um número cada vez maior de mulheres que começam a questionar a sociedade patriarcal e a exigir seus direitos como ser humano _ que como tal deveria ter equidade com o sexo oposto.

Diante dessa “nova mulher” em construção (ou em desconstrução), estão os homens. Homens que em sua grande maioria não estão dispostos a mudar, afinal foram criados e vivem em um mundo que o colocam num lugar privilegiado. Estão em sua zona de conforto e não pretendem sair dela (muitos até relutam contra isso e veem a ascensão da mulher como uma ameaça).

Existem também aqueles que fingem ser um homem desconstruído, mas só o fazem para atrair mulheres interessantes, que mais tarde irá chamar de “loucas e radicais”.

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Tem também os que realmente se acham desconstruídos mas estão muito longe de ser, porém não aceitam e pensam que qualquer coisa além do que compreendem é “exagero” ou “vitimização”.

A verdade é que vivemos em um país com um dos maiores índices de feminicídio do mundo, onde o simples fato de andar sozinha na rua ou usar roupas curtas é visto como “pedir” para ser estuprada ou no mínimo assediada.

Denunciar isso e lutar por dignidade ainda é visto por muitos como “politicamente correto” ou “chato”.

É extremamente broxante quando você conhece um cara que julga culto, inteligente e ele abre a boca para reproduzir algum senso comum/machismo, como se aquilo fosse a última descoberta do universo. Ou quando ele se diz moderno, à favor do amor livre, mas só o faz para conseguir sexo mais fácil e objetificar a mulher.

Mas uma das piores coisas é o tal de se fazer de sonso no dia seguinte. Trata-se de um fenômeno que tem acontecido com muita frequência ultimamente e ao que tudo indica o motivo é o medo do compromisso.

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O homem que age assim supostamente acha que se tratar a mulher exatamente igual tratava antes de o contato físico acontecer (ou seja, tratar bem), irá despertar nela falsas ilusões a respeito de seu interesse em ter um relacionamento sério com ela.

No entanto essa justificativa não é plausível, pois pressupõe que todas as mulheres solteiras do mundo estão doidas correndo atrás de um namorado/marido e que o simples fato de ser bem tratada a fará cair de quatro por qualquer homem. É também uma atitude bem egoísta, porque se educação e atenção são fatores assim tão irresistíveis para uma mulher, por que os mesmos são válidos antes de se encontrarem pessoalmente e terem relações sexuais com elas e depois do ocorrido são evitados/proibidos?

Aí é que está. Voltamos ao ponto do machismo: a mulher é vista como um objeto de desejo, um artigo de luxo, porém descartável. É o prêmio merecido por todo esforço desprendido ao conquistá-la até levá-la para a cama. Fazer sexo com uma mulher ainda é visto por muitos homens como um desafio que depois de superado perde o sentido. Dessa forma, não é mais necessário tratá-la como uma pessoa normal que é, um ser humano digno, mas sim como uma completa estranha. E se a mesma não gostar e arriscar se queixar de alguma coisa basta taxá-la de louca. Afinal essas mulheres são todas histéricas mesmo…

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Homens aprendam: nem toda mulher quer um relacionamento, muitas vezes só queremos transar ou ter uma companhia temporária. Pasmem: muitas vezes uma noite agradável de sexo bom pode ser apenas uma noite de sexo bom. Ou no máximo resultar em outras noites de sexo bom. E mesmo que ela queira namorar não significa que seja com você. Caso ocorra dela te cobrar algo, você pode simplesmente dizer que não está interessado e seguir sua vida.

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Só porque você não está apaixonado não quer dizer que tenha que ser mal educado, evitar ou tratar friamente a pessoa que até ontem você dava toda atenção do mundo.

O melhor é ser sincero desde o início, deixar claro o que você quer e não ter medo de dizer o que não quer se sentir que ela está criando expectativas. Ficar mais de uma vez com uma mulher interessante, fazer amizade com ela ou simplesmente bater papo no whatsapp, como uma pessoa normal, não é nenhum pedido de casamento. Tentem. Pode ser agradável.

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Ellen Dutra de Oliveira
Graduada em Engenharia Civil, atua como militante em movimento social. É apaixonada por animais, livros, música, filmes, séries e pelos mistérios da mente humana. É colunista do site Fãs da Psicanálise.




2 COMENTÁRIOS

  1. Na verdade o nome da matéria deveria ter sido “O que acontece com os homens de hoje”. Com o título dado dá a impressão que o problema nos relacionamentos somos nós mulheres. Chega de culpas, não?

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