Para os que moram nas grandes metrópoles, é cada vez mais difícil o contato visual com o outro.

Andando pelas ruas as pessoas estão interagindo com seus smartphones, cabisbaixas “admirando” a calçada, olhando para um ponto no horizonte infinito como se estivessem em uma passarela do SPFW e, na maioria das vezes acabam por desviar os olhos da pessoa que passa na direção contrária.

O medo, as preocupações com questões laborais ou familiares ou a tecnologia não podem ser responsabilizadas por este comportamento que o indivíduo optou; se fechar no próprio mundo, seja este ideal ou virtual, cria o distanciamento social em tempo real.

O metrô é um excelente observatório do comportamento social. De forma geral, a relação é bem fria, porque os passageiros buscam enxergar seu entorno pelo vidro do vagão. A sensação que se tem é de que estão espreitando o outro. E quando olhares se cruzam nesta espreitada, logo desviam, como se algo errado tivesse feito.

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O relacionamento interpessoal está escasso e isso é nítido quando se observa na mesa de um bar um grupo de amigos conversando e atualizando suas redes sociais simultaneamente, à espera de likes e comentários virtuais, olvidando a comunicação não verbal que o olhar pode traduzir.

Além de sinal de respeito com o outro, há uma interação cognitiva entre os indivíduos se a conversa ocorre olhando aos olhos. “Olho nos olhos, quero ver o que você diz” já nos alertava Chico Buarque.

Os seres sociais se cobriram com uma carapaça e não perceberam isso, o que gera a ausência do contato visual que induz ao monólogo entre duas pessoas. As duas falando, mas nenhuma escutando (SILVA, 2000).

As mães são um ótimo exemplo quando o assunto é comunicação não verbal. Enquanto amamentam, olham aos olhos de seus bebês e neste momento um incrível diálogo começa, uma relação de confiança e carinho se estabelece.

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Edgar Allan Poe disse “os olhos são as janelas para a alma”, e nós estamos perdendo a oportunidade de admirar e conhecer outras almas que estão ao nosso lado, tão isoladas quanto nós, à espera de um olhar amigável.

Façamos diferente, busquemos olhar aos olhos dos que se apresentarem pelo nosso caminho. Fazer o contato visual com o outro é se permitir ver o jardim de outras almas, que com nós estão no percurso evolutivo.

Referência:

DIAS, C M. Olhar com Olhos de Ver. Revista Portuguesa de Pedagogia. Ano 43-1, p.175 – 188/2009.

LEITE, A M. SILVA, I A. SCOCHI, C G S. Comunicação não verbal: Uma contribuição para o aconselhamento em amamentação. Revista Latino-americana de Enfermagem, v.12 n.2, março – abril 2004, p.258 – 264. (www.eerp.usp.br/rlaenf acessado em jan./17).

SILVA, Herbert dos Santos. Intuição.com Você na Nova Era. São Paulo: OL Editorial e Comunicação Ltda, 2000.

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Natalia Garrido
Bióloga e Microempresária. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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