Só agora, depois de muito tempo e uma coleção de descasos, é que caiu a ficha. Finalmente, você percebeu que aquele amor tão idealizado só existia na sua cabeça. Hoje você deita sozinha no escuro e fica procurando respostas que expliquem o trágico desfecho.

A questão é que, você amou intensamente, estava repleta de sonhos para o futuro, mas esqueceu de olhar para o lado e se dar conta que era uma empreitada solitária. Vazia de sentidos e sem reciprocidade. A sua alegria nunca foi a dele. Quantas vezes você chegou animada para contar sobre as suas conquistas e sequer recebeu um abraço? Muitas, eu sei. Recebeu apenas um aceno de longe, um sopro gelado no meio da fogueira dos seus sonhos incríveis.

Você deve estar se perguntando onde esteve o tempo inteiro que não percebeu antes. Vou dizer… você esteve do outro lado da história, vivendo uma vida que não era sua, justificando o desinteresse dele como cansaço temporário. Tantas vezes ele recuou, sinalizou que não queria ir além, que era só algo superficial e passageiro. Pediu até para que você desistisse, mas você disse que o faria mudar de ideia a qualquer custo. Disse que o transformaria, o curaria da frieza de ser distante e apático.

Eu sei que dói tentar remendar a alma que foi dilacerada tantas vezes no mesmo lugar. Dói mais ainda saber que, às vezes, colocamos a responsabilidade da cicatrização nas mãos de quem vai ferir novamente.

Reparo bem nos seus olhos, enquanto você me diz que quer passar a vida a limpo e esquecer. Veja bem, esse é só um trecho do percurso, a sua vida não se resume a esse fato. Provavelmente, agora seja difícil compreender. As coisas ainda estão nubladas, há um misto de mágoa e amor no seu olhar.

Impossível não reparar nos seus belos e esperançosos olhos. Tão límpidos. Externam uma pureza tão digna de ser apreciada por almas de semelhante tessitura.

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Algumas pessoas não sabem enxergar por dentro. Não conseguem sentir a verdade do outro porque estão mais preocupadas em acreditar nas próprias mentiras. Mas não fique tão ferida a ponto de se isolar do mundo e duvidar do amor.

O mundo precisa desse seu sorriso, da sua mania de colorir tudo que toca. Que a solidão de agora seja apenas uma pausa. Breve pausa para compreender que a vida, às vezes, parece nos castigar retirando algo que amamos, quando na verdade, está nos abençoando com a possibilidade de um encontro verdadeiro.

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Ester Chaves
Ester Chaves é escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-Graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. É colunista do site “Fãs da Psicanálise”.


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