Num lapso, quando menos esperamos, o curso das coisas pode mudar e aquela escuridão que tanto nos acompanhou pode desaparecer. Ao virar da esquina ou mesmo à porta daquela frequentada lanchonete no meio da cidade, por um acaso, pode lá estar ela, a Esperança.

Ela pode vir disfarçada e, por distração, passar-nos ao lado, perto, entretanto, o suficiente para sentirmos a singularidade do seu cheiro e notarmos a perspicácia do seu estilo.

A Esperança anda perdida por aí, com um sorriso simples no rosto, cheia de sonhos inocentes e à espera de um futuro.

No meio de tanta angústia, a felicidade pode estar mais próxima do que pensamos e a possibilidade de reinventar-se face aos holocaustos da vida é emancipadora. Renascer é a virtude e, talvez, o segredo para a vida.

É a tal de Esperança, pequena, meiga, sensível e, quase sempre, discreta para o mundo mas presente para quem ainda guarda algum tempo para contemplar os mistérios da natureza.

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É a Esperança, com o leve sorriso de quem sabe que, apesar de tudo, o futuro será melhor e, depois de uma tenebrosa noite, a imensidão de um sol sempre espera por nós.

É a lógica natural da estranha dicotomia entre a dor e o prazer pregando-nos partidas engraçadas, até certo ponto.

São os surpreendentes mistérios da natureza que nos permitem sempre renascer, legitimando a ideia de que a vida é nada mais do que um conjunto de escolhas, que não são certas nem erradas, são meras opções.

É a vida a acontecer e, infelizmente, por vezes, estamos distraídos demais para perceber os seus contornos e sentir o sortilégio da existência.

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Os mais sabidos dizem que não há fórmulas mágicas para a felicidade e parece que o segredo é muito óbvio: fé e perseverança. Não sei. Talvez estejam certos.

No meu caso, a verdade é que a Esperança que eu conheci na manhã daquela sexta-feira de inverno fez-me pensar em tudo. Pensei em mim e em toda esta loucura, a existência. E percebi que sempre existem alternativas e que nenhuma angustia eterna.

A felicidade pode estar escondida ao virar da esquina e o amor é sempre um termo pensado no infinito.

Mesmo sem saber qual é o real significado de tudo isto e se realmente há alguma lógica na existência, a minha Esperança diz-me que quer ser feliz e, pelos vistos, está disposta a dar tudo para o efeito.

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Mas, por um instante, na deidade daquele primeiro sorriso por mim roubado, ela nota que a felicidade é, na verdade, um momento e que não há tempo a perder para quem à natureza pede a luz de um luar e os suspiros de uma pessoa querida na noite de um sábado inesquecível no inverno de agosto.

A Esperança anda perdida por aí, acredite.

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Estêvão Azarias Chavisso
Jornalista, da Agência Lusa ( Agência de Notícias de Portugal), delegação de Maputo (Moçambique). “É um menino, igual a tantos, apaixonado pela escrita e cheio de sonhos. Sem grandes pretensões, escrevo o que sinto emotiva e apaixonadamente. A tinta é a dor e a fonte é o coração”. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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