Há uma verdade que, geralmente, só constatamos com a maturidade, e, entenda, essa maturidade não possui, necessariamente, relação com a nossa idade cronológica. Afirmo isso porque, lamentavelmente, algumas pessoas serão eternamente imaturas nesse quesito, por mais cabelos brancos que tenham na cabeça. Que verdade é essa? A de que não seremos “mais amados” quando abrimos mão dos nossos desejos em prol do parceiro.

É preciso muita calma, não me interprete de forma equivocada, vou explicar direitinho e você vai compreender. Eu quero dizer que, quando alguém nos ama de verdade, ele nos aceita exatamente como somos, isso não significa que ele nos considere perfeito(a), porém, ele percebe os nossos defeitos ou diferenças como pontos perfeitamente toleráveis para ele, ou seja, a pessoa coloca na balança os nossos pontos positivos e negativos e percebe que a “relação custo-benefício” é positiva.

Numa relação assim, ambos experimentam a perfeita liberdade de serem quem são, sentem-se aceitos e valorizados em sua totalidade como pessoas. É fato que os relacionamentos nos convidam, educadamente, a fazer concessões para o bem da relação, ou seja, ajustes que contemplem o bem do casal, até aí tudo certo.

Entretanto, em muitos relacionamentos, o verbo “ceder” é confundido como o verbo “anular”, e qual a diferença entre esses dois verbos no contexto relacional? Bem, nos relacionamentos, ceder é uma atitude que ambos precisam praticar, em contrapartida, o anular parte sempre de um. Existem relacionamentos em que apenas um faz tudo pela boa convivência. Ele começa cedendo em pequenas coisas, e o egoísmo do outro vai agigantando a tal ponto que esse ceder é promovido a um sacrifício solitário e injusto.

Aquele que cede vai abrindo mão de tudo o que gosta simplesmente porque o cônjuge ou namorado(a) não o(a) aceita como ele(a) é. Geralmente aquele que se incomoda com o jeito de ser do outro e exige mudança, percebe-se como um ser perfeito, um verdadeiro sonho de consumo, dessa forma, nunca está disposto a ceder em nada em prol da relação. Enquanto isso, o que cede estará cada vez mais insatisfeito, mas de tanto não ser reconhecido nem valorizado pelo o que faz, acaba destruindo sua autoestima e vai suportando tudo calado.

No fundo, essa pessoa que tanto cede acredita que ela não é reconhecida pelo parceiro porque ainda não cedeu o suficiente, então, acredita que, quando ela ceder ao ponto de “ficar perfeita” aos olhos do parceiro ela será profundamente amada por ele. Ledo engano, o amor não negocia nada para manifestar-se, ele não impõe condições do tipo: estar mais magro(a)… passar num concurso público… ter um carro.

Entendem? Infelizmente, existem muitas pessoas enfiadas em relacionamentos miseráveis, vivendo de migalhas e sonhando com o dia em que alcançará a meta para, então, receber o amor do parceiro. Nesse tipo de relacionamento, sempre existirá um ressentido e frustrado ou mesmo deprimido, e não é para menos, afinal, ele sente-se invisível aos olhos do parceiro.

Caro(a) leitor(a), se essa for a sua realidade, reaja enquanto é tempo. Na realidade, existem muitos viúvos de esposas vivas e viúvas de maridos vivos. São pessoas que vivem como sombra ao lado do cônjuge, de tal modo que nunca são ouvidas, nunca são percebidas como uma pessoa que tem alguma vontade, enfim.

São milhares de pessoas com uma aliança no dedo e um contrato de casamento assinado, porém, não sabem o que é receber afeto do cônjuge, não sentem-se parte da relação e suas opiniões nunca são levadas em consideração. Falei de casamento, mas isso se aplica aos namoros, noivados e uniões no geral. É muito triste quando o amor é desperdiçado. Manter alguém ao lado sem a menor intenção de fazê-lo feliz é algo que poderia ser considerado um crime…inafiançável.

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Ivonete Rosa

Sou uma mulher apaixonada por tudo que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e Psicologia. Escrevo por qualquer motivação: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel. Sou colunista do site Fãs da Psicanálise.



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