Família perfeita não existe, nem na tv. Se não tiver qualquer problema ou rusga, não é família, são apenas parentes. Uma família que se preza tem que haver discussões, diferenças de opiniões, atritos pequenos e grandes, palavras doídas na hora da raiva e mãos estendidas a tempo.

Família é o melhor presente que recebemos quando nascemos e a melhor fuga para os nossos problemas. São as pessoas mais significantes em nossos acontecimentos, e mesmo que não sejam perfeitas ou como almejamos, nas horas extremas eles se juntam a nós, para que tudo se faça sentido e se torne menos doloroso. São braços que suportam angústias e afagam choros.

Família perfeita não existe, nem na tv. Se não tiver qualquer problema ou rusga, não é família, são apenas parentes. Uma família que se preza tem que haver discussões, diferenças de opiniões, atritos pequenos e grandes, palavras doídas na hora da raiva e mãos estendidas a tempo.

Pais, mães, filhos, avós, tios, primos, que juntos são uma festa ou encrencas, mas são a família. Sagrada ou profana, movimentam os nossos dias. E, quando pensamos que eles não estão nem aí, tocam a campainha da nossa casa perguntando se está tudo bem, levam bolo de ontem com a maior cara de pau depois de uma briga daquelas, e abraços se entregam em reconciliações.

Não vivemos isolados no mundo. É doloroso ver famílias que não se ajustam devido ao poder e ao dinheiro, prezam mais as posses e poses, do que união para sempre. Muitas famílias amargam a tristeza de serem desunidas, enquanto outras são apegadas demais nos sufocando, e nenhum extremo é bom.

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Aquela família de antigamente, reunida em uma sala, para assistir tv e conversar, está ficando como em conto de fadas. O almoço de todos os dias juntos, a preocupação real se o outro está feliz, está ficando cada vez mais escassa. Os valores e uma vida melhor, foram se transformando em correria para se fazer mais dinheiro, e as tecnologias foram criando distâncias para ficar cada um no seu canto, conectados.

A família e as suas mudanças, que a cada dia vão se adaptando a um mundo moderno, ainda consegue ser o porto seguro para nós. Pode haver distâncias entre familiares, mas não podemos permitir mudez entre pais e filhos, pois os abraços, os beijos, as ligações, as preocupações uns com os outros são doses de ânimo para o cotidiano, que muitas vezes nos fazem solitários demais. Não podemos deixar à deriva o amor incondicional pela falta de tempo e a modernidade, pois os gestos são para sempre, e o resto, são apenas detalhes, nada mais.

O laço que me une a família não pode virar um nó, pois perdão, reconhecer os erros, dizer eu te amo devem ser mais importantes do que distâncias. Família é mais do que amigos à nossa volta, é estar rodeada de sentimentos gratuitos e verdadeiros. E, se alguma chateação aparecer, fingimos que não estamos envolvidos. Se houver contratempos, podemos fugir por algumas horas. Mais vale uma “grande família” ouriçada, do que distâncias e silêncios frios que dizem ser parentes.

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Simone Guerra
Professora e colunista do site Fãs da Psicanálise.


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