O modelo de atendimento psicoterapêutico em grupo, ou seja, a grupoterapia é uma prática relativamente pouco conhecida nos consultorias de psicanálise. A terapia individual ainda é a mais comum, entretanto, existem aspectos da terapia grupal que fazem dela um importante instrumento terapêutico, principalmente para pacientes como adolescentes, idosos, famílias, casais ou com quadros de mesma categoria psicopatogênica como deprimidos graves, transtornos de alimentação, psicossomáticos etc.

Já em Freud é possível identificar a importância atribuída aos significativos elementos da prática terapêutica em grupos: “A psicologia individual e a social não diferem em sua essência (…). O êxito que a terapia passa a ter no indivíduo haverá de obtê-lo na coletividade. No futuro, os estudiosos da sociologia e psicologia se perguntarão, perplexos: como é que há mais tempo nós não nos interessamos por grupos se vivemos e convivemos, a maior parte do tempo de nossa vida, em uma permanente, intensa, extraordinária e complexa relação do indivíduo com o seu mundo?”.

Afinal, o que é um grupo?

É importante compreender que grupo não é a mesma coisa que agrupamento. Assim como esclarece Zimerman (2000), “imaginemos um conjunto de instrumentos musicais de uma orquestra: enquanto os músicos estiverem antes do início do concerto, isoladamente, afinando os seus respectivos instrumentos, eles não passam de um mero conjunto, um agrupamento de instrumentos e músicos. A partir do momento em que o maestro começa a reger a orquestra, cada músico, e cada instrumento, assume o seu lugar, papel, posição e função e, principalmente, dialoga e interage com todos os demais, compondo um grupo dinâmico mais ou menos harmônico, conforme a qualidade da regência”.

Neste sentido, o grupo ou o enquadre grupal é a criação de um novo e único espaço, no qual os pacientes poderão reexperimentar velhas experiências emocionais que foram mal resolvidas no passado, na família e nos demais grupos de convívio, e nesta nova experiência terão a oportunidade, neste enquadre terapêutico, de resinificar e reconstruir tais experiências que estão internalizadas de modo patogênico dentro de cada um (Zimerman, 2004).

Tipos de grupos

Existem diversas classificações dos grupos, mas de modo geral, eles se diferem em nível de operativos e terapêuticos. Os grupos operativos estão mais ligados aos grupos de ensino-aprendizagem, como os “grupos reflexão” presente em instituições e comunidades. Neste modelo, há uma atividade centralizada enquanto tarefa proposta, com pouco espaço para eventuais interpretações ou intervenções mais aprofundadas, mas com um especial momento para integração e potencialização de capacidades positivas e saudáveis.

Já nos grupos terapêuticos, em que se incluem grupos de autoajuda e grupos psicoterápicos, são espaços em que a intervenção de cunho psicoterapêutico pode ser mais bem pensada.

Independente da classificação do grupo, o que importa é a disponibilidade dos integrantes deste grupo, o genuíno desejo de mudança e o acolhimento e capacidade interna do terapeuta para facilitar o processo grupal, promovendo um ambiente de liberdade para fantasiar, pensar, contestar, sofrer, agredir, amar, desejar e criar.

Referências

Zimerman, D.E. (2000). Fundamentos básicos das grupoterapias (2ª ed.). Porto Alegre: Artmed.

Zimerman, D.E. (2004). Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Artmed.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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