Liberte-se da necessidade de agradar todo mundo: fazer concessões é importante, mas nem todas as pessoas o são – ao menos não a ponto de te fazerem abrir mão de você.

Liberte-se da ânsia de ser compreendido. Nem todos compartilham da sua visão de mundo e das suas prioridades. Nem todos terão disposição de olhar para as suas escolhas sem julgamento.

Liberte-se da obrigação de compreender, incondicionalmente, o lado dos outros: o exercício de empatia é admiravelmente válido, mas identificar os próprios limites é essencial para o seu equilíbrio físico e emocional.

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Liberte-se da necessidade de acertar sempre: errar e se propor a lidar com as falhas é mais bonito que ser parâmetro de perfeição. E, depois disso, liberte-se da culpa: aceitar com benevolência os próprios erros é leve e grandioso.

Liberte-se da busca pelo corpo perfeito: seu corpo já é perfeito, tal qual como é – com gordurinhas sobrando (ou faltando), com celulites e estrias à mostra, com rugas se aprofundando, com músculos se escondendo ou com cabelos brancos aparecendo. Cuidar da saúde é primordial, mas a compulsão estética pode comprometer a percepção do tipo de beleza que realmente importa na vida.

Liberte-se da responsabilidade de levar seus relacionamentos adiante sozinho – sejam eles de amizade, familiares ou amorosos. Onde não há reciprocidade e disposição mútua, não há sentido em despender tempo e energia.

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Liberte-se de condicionar suas vontades à existência de companhia. Planeje-se para o que gostaria de fazer e, se não tiver com quem ir, vá consigo mesmo. É incrível e altamente libertador conseguir curtir a própria companhia em qualquer lugar.

Liberte-se do que as pessoas pensam sobre você: isso é problema delas. Dê-se ao trabalho de se explicar apenas àqueles que são, de fato, imprescindíveis na sua vida.

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Liberte-se da pressão para se adequar a padrões socialmente cristalizados. No trabalho, nas relações sentimentais e em todas as opções que se faz na vida o sucesso se mede com a fita métrica da satisfação pessoal e não com a do retorno financeiro ou da valorização da imagem.

Liberte-se do que te cansa emocionalmente. Se seus investimentos não trazem o retorno que você gostaria e ainda exigem doação irrestrita, mude o foco. Às vezes não é por mal, mas quando as visões de mundo são incompatíveis não adianta insistir pra sempre.

Liberte-se do que te faz perder a espontaneidade. Se você restringe sua natureza por medo de não agradar, está usando um tempo precioso com as situações ou as pessoas erradas.

Leia mais: O perigo de aceitar como normal aquilo que nos causa sofrimento

Liberte-se do sofrimento por situações que não pode controlar. Tente aceitar que algumas coisas são perfeitas como estão – e que essa perfeição não necessariamente vai se equilibrar com os seus modelos, com as suas expectativas ou com as suas vontades. Lidar com as dores irremediáveis sem se desesperar é um dos maiores sinais de sabedoria e maturidade de uma pessoa.

Liberte-se do apego. Ele é essencialmente egoísta e por isso mesmo terá sempre um peso difícil de gerenciar. Deixe fluir. Abra mão da posse. E abra os braços para o que quer entrar espontaneamente: são essas as coisas que têm valor genuíno na vida – e é só com elas que você poderá contar a todo e qualquer momento.

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Giselle Castro
Graduada em Letras, com MBA na área de Engenharia da Qualidade - o que mostra que nem tudo é linear nessa vida. Não é terapeuta, nem psicóloga. É só uma dessas pessoas que tentam viver com ética, bom humor e leveza - e que nem sempre conseguem, mas continuam tentando. É dessas pessoas que têm "apenas duas mãos e o sentimento do mundo", como diria o poeta. E quando o sentimento do mundo extravasa, ele invade os papéis, a tela do computador, as canetas, o teclado... e se transforma num texto.


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