Todos nós já passamos por separações mais ou menos dolorosas que nos causaram sofrimento, carência e solidão.

Não é fácil terminar uma relação, porque com ela vão também as expectativas, um passado e um futuro em comum.

Com a relação vai muita coisa, mas fica muita coisa também.

Por um lado fica o vazio que é preciso preencher com coisas novas que nos façam bem, mas fica também a esperança numa relação melhor, num futuro melhor.

Embora seja o mais acertado usarmos essa dor emocional como catalizador para construirmos uma melhor versão de nós mesmos em vez de tentarmos voltar, em alguns casos as separações ocorrem por razões banais, do dia-dia e no qual pode ainda haver uma oportunidade para reacender o que se apagou.

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Muitas vezes, carentes e magoados emocionalmente, temos a tendência de voltar atrás, reatar as coisas, insistir na pessoa. Curiosamente também, reparamos que quanto mais tentamos, menos nos sentimos correspondidos e acabamos sempre mais insatisfeitos e tristes do que propriamente alegres e amados.

De fato este não é o caminho. O caminho é apenas um: construir uma melhor versão de nós mesmos – Investir em nós – quer se queira voltar quer não.

Quando sentimos a falta de alguém, tentamos demasiado – e quando tentamos demasiado elevamos as nossas expectativas demasiado também.

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Uma relação como em qualquer outra coisa na vida está sempre assente numa dualidade entre quem dá, mas também recebe. E quando estamos emocionalmente carentes não nos apercebemos disso, dando muitas vezes mais do que aquilo que recebemos.

Coloque-se no lugar do outro: como acha que a pessoa iria se sentir se tivesse alguém constantemente a abordá-la para combinar encontros, tentar reatar a relação, estar sempre recebendo mensagens de carinho sem ter feito nada para o merecer? – acha que essa pessoa lhe iria dar valor ou desvalorizar?

Iria respeitá-la, ou sentir-se-ia sempre numa posição superior já que é ela que tem “a faca e o queijo na mão” – como se costuma dizer na minha terra? – “Deus dá nozes a quem não tem dentes” diz-se por aí..

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Esta situação acontece constantemente em muitas relações nas quais um dos indivíduos dá muito mais do que recebe porque procura constantemente conquistar alguém que acha que não precisa de fazer o mesmo esforço. E no jogo da sedução isso não é nada sedutor.

A sedução tem que estar sempre presente em todas as relações. O casal deve reconquistar-se todos os dias para que a chama não se apague.

Quando se quer voltar para alguém, esse jogo tem também que estar bem vivo para que ambos sintam necessidade e atração um pelo outro.

Então o que devemos fazer?

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A melhor maneira de recuperarmos alguém que perdemos é simplesmente esquecer.

Depois de manifestarmos ao outro a nossa disponibilidade em voltar, devemos afastar-nos não insistindo mais.

Todas as pessoas são, em alguma parte do seu íntimo, inseguras – procuram assim segurança, direção e afeto nos outros, procuram no outro algo que não têm, que não possuem.

Por isso, as pessoas que são extremamente seguras de si mesmas, que sabem exatamente o que querem da vida são as mais atraentes aos olhos de quem as rodeia.

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Tentar recuperar alguém que se perdeu torna-se assim uma questão de poder, que deve ser equilibrado já que se não o for, dificilmente terá sucesso e colocar-se-à na mão do outro, “às suas ordens”, vivendo mediante a sua real vontade e prazer. Será como um escravo dessa pessoa.

É essencial então que aproveite o tempo que passa sozinho e o utilize para se melhorar, para se desprover de qualquer necessidade do outro, para se construir mais forte.

Quando isso acontecer, do nada pode cair uma mensagem no celular (quem sabe) e o poder estará do seu lado novamente – use-o com sabedoria!

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Pode agora, provido da melhor das suas capacidades, decidir se essa pessoa é ideal para você ou não.

A ausência encarrega-se de ensinar o que a sua presença não consegue.

Até breve.

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João Fernando Martins
Psicólogo Clínico e Forense Membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses Licenciado em Psicologia, Mestre em Medicina Legal, Dirige atualmente o seu gabinete de psicologia, colaborando também com outras 6 clínicas no Porto. Dedica-se também à formação e ensino, tendo sido recorrentemente convidado como Orador e Palestrante em várias universidades da zona norte de Portugal. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


3 COMENTÁRIOS

  1. E quando a minha ausência não provoca nenhum efeito? Ou quando minha ausência é vista como algo natural, que as coisas tinham que seguir esse caminho dá separação?

    O que fazer? Existe o tarde demais para essa reconquista esquecendo ela?

    • Gustavo acho que se não provoca nenhum efeito é porque não existe mais sentimento… e você não quer uma pessoa que não sente mais nada ao seu lado, não é?

      • Na verdade até provoca, antes falávamos sempre é foi diminuindo. Agora é confuso, quando estou começando a achar que ela não tem mais nenhum interesse, ela me manda mensagem e puxa uma conversa curta. Mas não entendo o interesse, se é real ou não, porque não tem mais interesse em ter minha presença física e não compartilha mais a vida comigo. Porque ainda fala comigo?

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