Dia desses uma amiga estava me contando que iria viajar e que uma pessoa próxima lhe disse para não gastar com isso e fazer uma plástica no rosto, porque ela estava precisando. Eu achei um horror, mas disse que gente assim existe aos montes e que não devemos nos deixar abater.

Para consolá-la comentei que tenho uma conhecida que cada vez que sabe que estou arrumando as malas sugere: “Vai viajar de novo? Por que não fazes uma lipoaspiração em vez de viajar tanto?” E outra que sempre diz que acha melhor investir na troca de um carro, pois o meu é simples demais para uma advogada.

Pois bem. Não acredito que as pessoas façam este tipo de comentário por maldade, ou por inveja. Não é nada disso. Boa parte das pessoas com as quais convivemos realmente priorizam investir no que consideram palpável e não em experiências. Só que eu não sou assim, nem todo mundo é.

Quanto ao carro, por exemplo, faz muito tempo vi um economista falando na televisão que se seu carro equivale a mais de 15% do valor de seu patrimônio, você é um péssimo investidor. E realmente, concordo com ele. Fora o arrependimento, né? Nunca vi ninguém dizer “nossa, como me arrependi de ter feito aquele cruzeiro pela Grécia”, mas
o número de pessoas que ouço dizendo: “maldita hora que comprei aquele carro”, já cansei de contar…

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É claro que a gente deve investir o dinheiro em coisas úteis sim. É importante ter uma reserva para o futuro, um plano de aposentadoria, casa própria e etc. Mas quando tenho que optar entre viajar ou comprar o que quer que seja, sempre acabo optando pela viagem. Se tiver também que optar entre continuar as aulas de francês ou comprar aquele casaco maravilhoso da vitrine, não vou pensar duas vezes antes de renovar a matrícula.

Dia desses olhei para o estado do meu sofá velho, lembrei que seria bom mandar encapar, mas tenho que renovar a matrícula da academia. Ah, o sofá vai ficar para depois. E, puxa vida, estou morando tão longe do trabalho. Quero muito comprar um apartamento com uma localização melhor, estou guardando uma “graninha” para trocar o meu, mas sempre surge outra coisa que acaba desviando o meu foco.
Agora é uma oportunidade de mestrado fora do Brasil e estou achando (na verdade já tenho quase certeza) que minha reserva “vai acabar” mudando de rumo.

O que quero dizer é que nunca me arrependo do investimento nas experiências, mas já comprei tanta tranqueira que não me serviu para nada. Por exemplo, tenho em cima do armário da área de serviço uma enorme escultura de barro que trouxe de Natal/RN.

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Ela não combina com absolutamente nada que tenho dentro do meu apartamento. Acho que vou doá-la para uma feira que ajuda cãezinhos de rua, assim paro de esbarrar com ela cada vez que vou lavar roupa. E não esbarrando esqueço que teria sido mais negócio ter feito um último passeio pelas praias, porque do dinheiro que gastei conhecendo as praias de lá, ahhh mas não me arrependi nem um pouco! Ô graninha bem empregada, viu!

Para fechar, quero dizer o seguinte: o investimento vivendo as experiências nunca é perdido, nunca. Mesmo que ela não tenha sido bem como a gente imaginava, foi vivida. Alguma coisa a gente acabou aprendendo, por isso, se estiver em dúvida entre casar ou comprar um guarda-chuva, case. O casamento é uma experiência. Pode dar certo, pode dar errado. E, se der errado ninguém vai te impedir de voltar atrás.

Você tentou e a tentativa valeu. Já ficar sem um guarda-chuva só vai te molhar um pouco. E, vou te contar, um bom banho de chuva é uma experiência para lá de agradável!

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Saíle Bárbara Barreto
Advogada. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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