Cerca de 14 anos atrás, quando entrei no hospital pela primeira vez para ter o nosso filho mais velho, eu achava que sabia tudo o que precisava saber sobre o parto. Eu tinha lido o livro predominante da época sobre a gravidez. Eu tinha visto centenas de artigos. Eu tinha os sábios conselhos de minha mãe e irmãs. Eu estava pronta para enfrentar qualquer coisa que viesse em minha direção.

Pouco depois de ter sido internada, fui levada a um quarto, recebi uma epidural (algo que minha mãe e irmãs insistiram que eu iria querer) e comecei o longo processo do parto. As próximas 25 horas foram as mais intensamente difíceis horas da minha vida. Eu não conseguia comer. Eu não conseguia dormir. Eu não podia sair da cama. Eu me lembro de náuseas terríveis, cólicas estomacais, e de suplicar a Deus para aquilo acabar. Os médicos fizeram o seu melhor para ajudar o progresso do trabalho de parto, mas nada funcionou.

Depois de um dia inteiro do que parecia tortura, chegou a notícia de que os níveis de oxigênio do meu bebê estavam perigosamente baixos. A cesárea foi necessária. Fiquei arrasada. Esse foi o capítulo que eu não havia lido, o único assunto que eu nunca estudei. Eu acreditava que era uma mulher perfeitamente saudável e capaz. De maneira alguma eu teria um parto cesariana. Eu sabia que a cesariana era uma coisa negativa para muitas pessoas, e eu tinha adotado a mesma atitude. Então, quando isso aconteceu comigo, eu não sabia como reagir.

Após o parto, descobri que minha anatomia me impediu de ser capaz de ter um filho naturalmente. Além desta notícia, eu também fiquei sabendo que faço parte do 1% de mulheres que não têm meios biológicos para a produção de leite. Minha vida virou de cabeça para baixo. Como mulher, eu me sentia completamente destruída. Eu não podia fazer as duas coisas que tantas mulheres usavam para definir-se como mães.

Eu me sentia culpada pela minha incapacidade de ser a mãe que eu achava que deveria ser, e para piorar a situação, a sociedade também me intimidava. Outros me julgavam porque eu não tentei um parto normal com meu segundo filho. Eu escolhi ouvir o conselho do meu médico invés disso. Enquanto eu me sentava entre as mães que amamentavam, e tirava uma mamadeira da bolsa, eu via os olhares silenciosos de julgamento, os sussurros. Senti-me envergonhada por minha incapacidade de fazer o que elas podiam fazer. Por anos, eu senti como se fosse menos mãe que elas por não “ter meus filhos naturalmente” e depender de uma mamadeira.

Levei muitos anos para entender que a forma como os nossos filhos vêm ao mundo não importa realmente. O que importa é que os trouxemos aqui. Eu sofri os mesmos longos nove meses que qualquer outra mãe. Eu senti cada movimento, cada soluço, cada chute. E se as crianças são alimentadas com a mamadeira ou amamentadas, não importa. Elas são alimentadas. Muitos bebês em todo o mundo são negligenciados e deixados para morrer de fome, mas os meus filhos estão prosperando. Eles estão prosperando porque eles têm uma mãe que os ama, que faz sacrifícios por eles e que entende o que importa.

Ser mãe é muito mais do que dar à luz e fornecer leite. Uma boa mãe proporciona uma vida boa, bem equilibrada.

Eu tive cinco cesarianas, e eu tenho cinco filhos lindos como resultado. Eu sou grata pela tecnologia moderna, que me permitiu ser mãe e me deu a oportunidade de ter bebês saudáveis ao mesmo tempo em que eu me mantive segura e saudável. Estou em dívida com os cientistas que trabalharam incansavelmente para criar uma fórmula para bebês que é tão próxima do leite materno quanto possível. Eles alimentaram meus bebês quando eu não podia.

Eu aprecio as mães que me encorajam e me ajudam a entender que a maternidade não é definida por um único momento no nascimento ou pela forma como o bebê é alimentado em seu primeiro ano de vida. A maternidade é definida por muitos momentos que compõem os dias, as horas e os minutos – os momentos que se somam aos anos de bondade.

Meus filhos estão felizes, saudáveis e prosperando. Eles são espirituosos, inteligentes e respeitosos. Eles são gentis, honestos e caridosos. Eles são definidos por suas ações, pelo que fazem e pelo que são. Minha relação pessoal com cada um deles ajuda a ensinar-lhes as coisas que precisam para ser boas pessoas.

Mães, não deixem que a sociedade defina você pela forma como você deu à luz ou pelas escolhas que você faz com uma mamadeira. E, por favor, não seja a pessoa que define os outros. Somos melhores do que isso. Todos nós tentamos fazer as melhores escolhas para os nossos filhos da melhor maneira que sabemos. Parentalidade não tradicional não significa que nós amamos os nossos filhos menos – que somos “piores” que outras mães.

No fim das contas, não é a forma como as nossas crianças nascem que determina o seu destino. É como os nossos filhos escolhem viver – e isso, meus amigos, é imensamente determinado pela forma como os ensinamos nos muitos momentos preciosos que vêm após o nascimento.

Traduzido e adaptado por Sarah Pierina do original To the mom who had a C-section.

(Autora: Tiffany Fletcher, autora de “Mother Had a Secret: Learning to Love my Mother and her Multiple Personalities” (Mamãe tinha um segredo: Aprendendo a amar minha mãe e suas personalidades múltiplas)

(Fonte: familia.com.br)

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