A Psicologia é conceituada como sendo a ciência capaz de traduzir os comportamentos dos seres humanos através dos estímulos externos e as respostas comportamentais das pessoa a elas. Já a Psicanálise, como Sigmund Freud a concebeu, enfatiza as forças inconscientes, as pulsões sexuais de vida e de morte (hostis).  Nesse sentido, o sujeito em psicanálise é provido de moções pulsionais, desejos de diferentes ordens, conscientes e inconscientes.

Para Sílvia Lane, ‘o homem fala, pensa, aprende e ensina, transforma a natureza; o homem é cultura, é história. Este homem biológico não sobrevive por si e nem é uma espécie que se reproduz tal e qual, com variações decorrentes de clima, alimentação, etc. O seu organismo é uma infra-estrutura que permite o desenvolvimento de uma superestrutura que é social, e portanto, histórica’.

A busca de um bem estar é pano de fundo da vida. Bem estar físico aliado ao bem estar psíquico é a parceria perfeita. Mas a multiplicidade de atividades que o mundo contemporâneo nos apresenta – cuidar da casa, estudar, trabalhar, levar uma vida saudável, lutar contra o colesterol e os quilos a mais – faz com que as pessoas se sintam pressionadas a seguir um ideal, e por ser ideal, fica difícil de encontrá-lo. Não somos máquinas, somos seres humanos, temos nossas próprias histórias de vida e carregamos conosco uma gama de sentimentos e afetos. Somos seres de inconsciente e seres de corpo.

Quando o corpo adoece, o espírito adoece. E o contrário é também verdadeiro. Adoecer no sentido de desequilíbrio, desarmonia, descompasso. O psíquico manda um sinal e o corpo é o receptador dessa mensagem. O que fazer então? Depende da história de cada um, do jeito como cada sujeito está inserido em sua vida e da forma como lê e interpreta essa mensagem. Alguns saem correndo e batem na porta dos consultórios médicos, e assim escolhem o uso de fármacos com a promessa da ‘pílula mágica’; outros escolhem fechar os olhos e seguir doído, doente; mas há também outros, tantos. Dentro destes, há uma possibilidade de enxergar uma saída, uma luz. A análise pessoal é uma dessas outras possibilidades, na qual o sujeito vai se deparar com diversas constelações de si mesmo, entre dores e amores, há sempre uma luz.

Penso, em primeiro lugar, na importância de tudo aquilo que é sinônimo de saúde, tanta física quanto psíquica. Análise pessoal, academia, corrida, hipismo, ciclismo, natação, etecetera e tal. Cada um tem o seu próprio modo de buscar satisfação e liberar suas endorfinas, mas que seja pela pulsão de vida e não pela de morte.

Na complexidade de cada ser humano existe uma forma de colocar o corpo em movimento sem deixar que a cabeça fique parada. Não vivemos mais na época em que se pensava que corpo e mente eram duas coisas distintas, sem relação. Quando colocamos o corpo em movimento, seja numa bela caminhada, seja na prática de Yoga, ou numa luta de Jiu-Jitsu entra em marcha a liberação biológica de endorfina e muitas outras sensações. O que penso é que a prática de uma atividade física é a promoção de um encontro de dois melhores amigos: o corpo – com suas habilidades e fraquezas, e o psíquico – com toda a sua multiplicidade. Se o corpo está cansado de ter trabalhado o dia todo, extenuado por um cansaço físico, a cabeça ‘estende’ a mão ao corpo dizendo que precisa de um passeio, seja ele a pé, à cavalo ou de bike.




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