Palavras poucas para sentimentos muitos. Palavras poucas porque elas se sabem incapazes de conter um amor que transborda. Palavras poucas, mas com letras cheias de alma.

“Quem tem amigo não morre pagão”, diz o ditado. Mas quem tem irmã não VIVE pagão, não VIVE apagado, não VIVE sozinho.

Quem tem irmã tem companhia dos dois lados: do lado de fora e do lado de dentro. Porque irmã, além de ser parceira de balada, de viagem, de visita à casa da tia, de consulta ao dentista, de revezamento em hospital e de confidências que vão desde medo do homem do saco até intimidades absurdas, ainda é a dona dos braços que mais te acolhem, dos lenços que mais enxugam suas lágrimas, dos ouvidos que mais escutam suas ladainhas, dos sorrisos que mais comemoram suas conquistas e do coração que mais te envolve em todo e qualquer momento da vida – e o mais lindo: sem te julgar.

Quem tem irmã teve que aprender a dividir os brinquedos logo cedo. Teve que aprender a guardar segredo em tenra idade. Teve que aprender a lidar com diferenças, com explosões, com brigas (algumas homéricas!), com chantagem, com aquele ódio quase mortal, que durava a eternidade de algumas horas. Quem tem irmã teve o privilégio de entender ainda na infância que esse tal de amor é mesmo grandioso, é mesmo misterioso, é mesmo uma confusão: ele faz a gente ter raiva e, ao mesmo tempo, uma força inimaginável capaz mover mundos e fundos pra defender alguém.

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Quem tem irmã compreendeu na carne e na alma o poder e a contradição do sangue, que faz duas pessoas serem idênticas e extremamente diferentes, tudo no mesmo pacote. A identificação não faz delas seres iguais e as diferenças não as fazem distantes. Porque, de alguma maneira, elas internalizaram essa verdade louca de que duas irmãs são duas almas que não se largam, mesmo que o tempo e a distância digam não.

Quem tem irmã tem conforto. Irmã é um travesseiro macio com uma xícara de chá no inverno. Irmã é uma rede preguiçosa pra deitar ao som de sinfonia de pardais no verão. Irmã encaixa, irmã é adaptável a qualquer circunstância, irmã não tem necessidade de condições normais de temperatura e pressão.

Quem tem irmã vive a insanidade de ter metade do próprio coração batendo dentro de outro corpo. E, como se não bastasse, vive a experiência mística de ter a alma duplicada de amor dentro de si. E as almas se dobram, encolhem as barrigas (sim, alma de irmãs tem barriga), se abraçam bem apertadinho, se encaixam milimetricamente, se espremem sem fim… mas dão um jeito de ficarem juntas, indissociavelmente juntas.

Quem tem irmã tem tudo isso. E tem muito mais que isso. Quem tem irmã tem coisas e sentimentos e sensações e ligações e amores que as palavras ainda não sabem descrever, não sabem escrever.

Quem tem irmã tem a generosa chance de se tornar uma pessoa melhor. Quem tem irmã tem a sorte que mora dentro de todos os trevos de quatro folhas do mundo.

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Giselle Castro

Graduada em Letras, com MBA na área de Engenharia da Qualidade – o que mostra que nem tudo é linear nessa vida. Não é terapeuta, nem psicóloga. É só uma dessas pessoas que tentam viver com ética, bom humor e leveza – e que nem sempre conseguem, mas continuam tentando. É dessas pessoas que têm “apenas duas mãos e o sentimento do mundo”, como diria o poeta. E quando o sentimento do mundo extravasa, ele invade os papéis, a tela do computador, as canetas, o teclado… e se transforma num texto. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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