Quem trabalha com Direito de Família sabe que os casamentos de hoje não duram muito.

A média nacional é 8 anos (11 aqui no sul e 5 no nordeste).

Mal começou o ano e já protocolei mais 2 divórcios.

Lembrei então da minha avó. Se ela fosse viva, completaria 86 anos em julho.

A velhinha era muito conservadora e religiosa. Nunca aceitou a separação dos meus pais, mas cuidava da gente para mãe trabalhar.

Uma vez ela me disse:

– Hoje em dia os casamentos não duram porque as mulheres não sabem mais qual é o “lugar” delas.

– Como assim, vó?

– No meu tempo a mulher sabia que tinha que ceder. Teu avô era um homem muito difícil, mas eu nunca briguei com ele. Nunca discuti, nunca falei mal da família dele.

– Nem se ele falasse mal da mãe da senhora?

– Ele falava! E eu falava junto com ele. Dizia “tens razão querido.”

– E se dissessem que ele tinha outra?

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– Claro que ele não tinha! Eu acreditava no meu marido e não nos outros! Eu fazia tudo como teu avô queria e nunca teve discussão. Fiquei junto com ele até a morte.

– E a senhora sente saudades dele?

– Não.

– Não queria que o vô estivesse vivo?

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– Claro que não. Imagina que velho chato eu teria que aguentar? Ainda bem que ele já se foi. Teu avô era um homem insuportável… E assim os casamentos das nossas avós duravam…

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Saíle Bárbara Barreto
Advogada. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


1 COMENTÁRIO

  1. Não é de hoje, mas partimos, só atualmente, para uma compreensão ainda tímida sobre as relações humanas – especificamente entre homens e mulheres! Para mim dois seres que trazem uma individualidade que não têm denominador comum! Elas existem simplesmente! Permitam-me; mas, sei que há uma história, uma antropologia, uma sociologia, nada é tão simples assim, sei disso, etc, etc. Desculpe-me a fragmentação! Mas, então o que percebo é que raros; são as relações que se estabelecem como uma parceria firme, consciente da individualidade, da maneira de ser um do outro! Conheci um casal que tem mais de vinte anos juntos e eles me disseram que acham que a amizade que tem um pelo outro, no sentido de que – jamais fariam bobagens para magoar o amigo(a) – e já que são “mais”, um para o outro, nem pensar – são muito transparentes mesmo quando não pensam da mesma forma! E mais – ela faz atualizações do curso anualmente em Minas, ele viaja, às vezes só – passa quase um mês distante! Filhos; dois – e acho que muito bem formados como pessoas emocionalmente! Bem não há regras – mas, minha mãe foi um exemplo como muitas de submeter-se ao universo masculino! Mas tenho que anotar um paradoxo – em sala de aula, psicologia – muitas mulheres não gostaram quando num debate – se refletiu sobre uma suposta mentalidade “machista” na alma feminina, ou seja; homem que não tratar mulher assim e assado põe dúvida em sua masculinidade! Minha mãe é uma pessoa esclarecida e entende dessas sequelas! No inicio lá em casa tanto eu como meu irmão fomos tangidos como que para uma arena – coisa de macho; levar e dar porrada! Mas minha mãe perceptiva – passou a ter conversas duras com o meu pai que graças sempre a respeitou e com isso moderou a situação e nos falou da forma companheira e amiga como deveria ser as coisas! Papai deixou a minha mãe se apaixonou por outra – mas nunca deixou faltar nada para ela! A outra deveria ter sido compreensiva e muito acho, faleceu no Rio de Janeiro se não me engano! Bem esse foi um exemplo – que merece a minha atenção – principalmente num mundo que todo mundo se acha “doutor’ etc. Há agora bem mais gente mal-educada em todos os aspectos! Lá na época deles – e para eles (pai/mãe) – achei-os muito civilizados! E mamãe nunca entrou em estado de depressão por isso! Claro, sofreu e muito!! Amizade é fundamental permitir ao outro a sua existência não é um direito nosso! Diálogo, e mais diálogos – curtos, longos, medianos, de um dia, de cinco minutos, de um ano… é fundamental! O que leva uma mulher bonita, formada, com trabalho próprio, carro, filhos bonitos, a depois de mais de 10 anos de convivência – a se afastar em definitivo de um homem também bonito, nas mesmas condições, quando não há outra, nem outro no pedaço? Caso analisadíssimos num dos laboratórios de psicologia aqui da capital pernambucana. As famílias perplexas querem uma razão! Mais de ano que não tinham relações sexuais, e nem procuram, segundo os próprios, outros(as). Mas, não se aguentavam mais, conviviam numa infelicidade irrestrita e geral, doentia – PODE? Deixando os preconceitos de lado – pode, e muito!!! Infelizmente… para as famílias de ambos, elas achavam aquilo fora dos padrões – mas, que padrões – os deles? Abraços…

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