Eu sempre gostei de ler. Cresci em uma casa cheia de livros. Minha mãe é professora, os pais dela também foram professores.

Lembro que desde pequena eu já gostava de folhear gibis e revistinhas. Aprendi a ler cedo (com 4 anos). Minha mãe ficou tão contente que, para me incentivar, me fazia ler para as visitas e me dava cada vez mais livrinhos de
presente…

Eu tive sorte também na escola. Nos primeiros anos do ensino fundamental estudei no Menino Jesus. Lá as professoras nos mandavam para biblioteca sempre que terminávamos as atividades mais cedo. “Agora vai pegar um livrinho”. E eu adorava! Minha carteirinha era sempre cheia, quando acabava a “tia” da biblioteca grampeava outra e me elogiava por “pegar tantos livrinhos”. Era tão bom receber esses elogios!

Na terceira série (hoje quarto ano) tive uma professora muito especial, a Tia Rejane. Na minha época chamávamos as professoras de “tia”. Sei que hoje não se usa mais chamar as professoras de tia, mas no meu tempo era assim praxe.

Ela mandou publicar uma redação minha no jornalzinho da escola. Queria tanto achar aquele jornalzinho. Fiz uma redação sobre a minha casa. Foi minha primeira publicação em um jornal e Tia Rejane foi a primeira pessoa que disse que eu “tinha jeito” para escrever. Ela adorava minhas redaçõezinhas.

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E quanto mais eu gostava de escrever, mais eu gostava de ler, porque uma coisa vai “puxando a outra”, sabe? Lembro até hoje do primeiro romance grande que eu li. O primeiro sem “figuras”. As Brumas de Avalon. Eu tinha 11 anos, achei em casa. Era da minha mãe, era um romance para “gente grande”, mas ela me deixou ler. A história do Rei Arthur, contada na versão das mulheres. Que livro interessante, como fiquei encantada! Li o volume um em menos de uma semana (mais tarde li os outros três). No primeiro era a mãe dele quem narrava, depois a tia, a irmã, a esposa… Muito bom. Até hoje meu romance preferido, confesso. E confesso também que até hoje não me conformo com a “paixão” de Lancelot por aquela rainha boba e não pela fada Morgana.

Bom, depois li muitos, muitos outros livros. Tenho centenas deles em minha casa e dezenas no escritório. Por que estou falando isso agora? Ah, porque acompanho alguns jornais virtuais. E leio os comentários das pessoas nas matérias. É realmente impressionante como alguns comentam os artigos sem entender o que está escrito. E comentam com erros tão grosseiros de concordância e grafia. Não errinhos normais, como uma vírgula ou outra, erros que todos nós cometemos.

Com certeza se algum professor de português pegar este meu texto encontrará alguns. Estou falando de erros graves. Coisas do tipo:”a gente fomos”, “nada haver”, “de menor”, “encomodar”. Que tristeza… Fico pensando: se tivessem lido mais quando pequenos, se tivessem frequentado a biblioteca do colégio, se alguém tivesse dito que escreviam bem, se alguém tivesse elogiado, estimulado. Se ensinassem as crianças a gostar de ler. Ah, eu sempre penso isso…

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Saíle Bárbara Barreto
Advogada. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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