A chamada Síndrome do Filho do Meio ou Filho Sanduíche acontece em famílias com 3 ou mais filhos. É caracterizada tanto pela pouca atenção dos pais em relação a estas crianças, quanto pelo sentimento dos filhos do meio de serem “menos importantes” que seus irmãos.

De acordo com Alfred Adle – um renomado psicólogo austríaco, fundador da psicologia do desenvolvimento individual – a formação da personalidade da criança depende, dentre outras coisas, da ordem cronológica do seu nascimento na família. Ele estudou casos de famílias com três filhos no começo do século XX e chegou a conclusão que existem padrões de funcionamento semelhantes entre os primogênitos, os filhos do meio e os caçulas.

De acordo com sua teoria, os primeiros filhos são como “laboratórios” para os pais, eles se dedicam mais a sua criação justamente por serem pais de primeira viagem. Diante de tantas inseguranças, eles se esforçam ao máximo para fazer tudo certo.

Quando o segundo filho nasce, os pais precisam dividir a atenção e o afeto entre os dois, portanto, o segundo filho já não terá toda a energia paterna e materna voltado para ele, como aconteceu com o primogênito.

Com a chegada do terceiro filho, a atenção passa a ser dividida mais ainda e o filho do meio pode achar que não tem mais espaço na família, afinal é o irmão mais velho o que aprende tudo primeiro que ele – em geral, recebendo mais elogios da família – e é o filho mais novo o que requer mais cuidados e mimos. Não é raro que o filho do meio passe a ter raiva do caçula e regrida emocionalmente para tentar ter o zelo dos pais novamente, mas o que conseguem – na maioria das vezes – é levar bronca pelo mal comportamento.

Nos atendimentos clínicos, Adler constatou que os filhos do meio são os mais ambiciosos porque desde pequenos tentam superar o irmão mais velho e são os mais independentes porque são os que recebem menos atenção e, por isto, tendem a se virar sozinhos.

Uma pesquisa da Universidade de Stanford afirma que os filhos do meio são os mais invejosos. Entretanto, outras pesquisas recentes mostram que o que parece ser uma desvantagem – o fato do filho sanduíche não se sentir tão valorizado quanto os outros e, muitas vezes sofrer com sentimentos de inferioridade e solidão – na realidade pode ser um estímulo para um maior sucesso pessoal e profissional.

A psicóloga Catherine Salmon e a jornalista Katrin Schumman, autoras do livro The Secret Power of Middle Children, mostram que os filhos do meio podem se tornar os mais brilhantes membros da família. Elas citam alguns exemplos como: Tony Blair, Bill Gates, William Dell, Nelson Mandela, Martin Luther King, Princesa Diana, Julia Roberts, Madona e Abraham Lincoln – por sinal, 52% dos presidentes dos Estados Unidos eram filhos dos meio. Outra descoberta interessante exposta no livro é que eles são mais aventureiros e “cabeça aberta”, mas que quando estão numa relação estável tendem a ser mais fieis. São os que conseguiram ter relacionamentos mais longos também.

Outro livro intitulado Birth Order, da psicóloga inglesa Linda Blair, conclui que os filhos do meio são os mais diplomáticos, flexíveis e criativos.

Portanto, mais importante do que a ordem de nascimento é como cada indivíduo encara sua história. Se você é filho do meio, tente se reconciliar com o lugar que ocupa dentro da sua família e desta forma, poderá desenvolver suas potencialidades de forma consistente.

Estar no meio é tanto ter a oportunidade de seguir os bons exemplos do irmão mais velho, quanto ser o maior exemplo para seu irmão mais novo. Ser filho do meio pode ser maravilhoso, basta saber olhar pela perspectiva mais bonita.

Compartilhar
Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA