Os amores são como os livros em uma estante da vida. Conhecer alguém com intimidade é como abrir aquele livro recém comprado ou retirado da biblioteca, e sentir o cheiro de novo, o aroma das páginas ainda desconhecidas. É folhear com prazer cada gesto, cada toque, cada sensação, cada sorriso. É folhear com carinho e cuidado cada problema, cada dificuldade, cada obstáculo.

Aquele ingresso de cinema que você guardou do primeiro filme que assistiram juntos é como aquela nota de rodapé. É como aquela leve dobrada na orelha de uma página que você leu com gosto e que não quer esquecer nunca mais.

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E os grandes acontecimentos, então?! Esses estão grifados no auge dos capítulos. Estes estão destacados com marcadores de página bem vivida, com intensidade quase grampeada, como se ainda pudéssemos sentir tudo aquilo mais uma vez. Mas como todo livro que a gente lê, um dia ele acaba.

Não, não estou dizendo que todo amor acaba. Se o amor se constrói e reconstrói, novos livros de vocês são escritos, com novas páginas, novas versões, preenchendo cada vez mais as prateleiras altas de sua estante particular.

Infelizmente, alguns livros (assim como os filmes) possuem continuações desnecessárias. Se o amor desbota, o jantar perde o sabor, o sexo perde o tesão, a piada perde a graça e as histórias se perdem. Perder-se é bom quando a gente se encontra nos braços de alguém, mas nunca é bom quando o amor se perde, afinal, todo mundo perde. Mesmo.

Já percebeu que uns amores são maiores que outros? Existem aqueles de capa colorida, bem enfeitada. Outros são de capa dura, repletos de páginas, ocupando quase a prateleira toda. Outros são mais estreitos, mas brilham tão forte que muitas vezes chamam mais atenção que os demais. Assim são os amores, assim são as páginas que viramos.

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Quando a história é boa, muitas vezes a gente até volta umas duas ou três páginas para trás para ler um pouco mais, somente para saborear esse momento. Quando a história é boa demais, muitas vezes nos pegamos lendo de novo, do início, não é mesmo?

Assim são os amores, assim são as páginas que viramos. Quando um sentimento acaba, é mais um livro que se fecha. E assim como as boas leituras, valeu muito a pena enquanto durou. Às vezes ficam as dúvidas. “E se tivéssemos mais uma página, só mais uma?”. “E se tentássemos escrever uma sequência?”. Mas não. A vida não é feita de Ses. Os amores também não. Os livros, tampouco.

Mas fica a imaginação. Assim como uma boa ficção, o amor sobrevive pela eternidade como uma memória maluca do que foi vivido (ou pensou-se viver). E vai viver outras histórias, outros contos e versar em outras poesias. Poesia, aliás, que sempre é feita com sentimento. Muito sentimento. Não existe amor vazio, não existe livro sem ponto final.

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Portanto, antes que seja tarde, antes que a última página seja virada, antes que a contracapa abrace as últimas palavras, antes que você não olhe mais para trás, antes que eu somente olhe adiante, antes que a vida siga seu curso e a gente deixe de se encontrar, quero te dizer que foi muito bom te ler até aqui.

Os créditos finais são nossos. Assim como o começo e o meio.

(Autor: Denis Araujo)
(Fonte: deuruim.net)
*Texto publicado com autorização da administração do site

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