Se você começou a ler esse texto, é bem provável que você está começando ou já começou um relacionamento de uma maneira muito errada.

Estou falando daquele assunto bem delicado que algumas minas já viveram: perceber que é “a outra” num relacionamento.

E sabe o que é inevitável nessa situação? Comparar a si mesma com ela, a atual namorada do cara, e consequentemente transformá-la em sua rival e acreditar piamente que é superior a ela.

Mas vem cá, deixa eu te dizer uma coisa, por mais que seja difícil ler e absorver isso: você não é mais especial do que ela. Ponto. E não estou dizendo para te diminuir, mas para abrir os seus olhos.

Por que eu falo isso? Porque eu estive na mesma situação que você está agora ou já esteve. E, mana, isso é errado em tantos níveis que nem sei por onde começar.

Há alguns anos, conheci um cara que vou chamar aqui de Vinícius. Ele era o extremo oposto de mim: jeito malandro, folgado, matava aula, curtia falar sobre ideias revolucionárias e era extremamente convincente em tudo o que dizia.

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Tínhamos o mesmo círculo de amigos, então convivíamos quase diariamente. Tá, mas e daí? Bom, o Vinícius namorava. Há mais de um ano. E agia como se não tivesse uma aliança no dedo. Aliás, ele não a usava em alguns dias. Quem convivia com ele quase esquecia que havia uma namorada em algum lugar.

O caso é que, desde o início do ano, Vinícius demonstrou interesse em mim, acima de todas as garotas que ele “dava em cima”. Ele me tratava como uma deusa e qualquer cara que chegasse perto de mim recebia olhares de ódio.

O lugar onde eu estudava era pequeno, então não demorou para menino algum de lá demonstrar interesse em mim. Havia uma regra implícita: se um dia eu “pertencesse” a alguém, seria o Vinícius, e apenas ele. Não preciso comentar o quão machista era essa situação. Fica para outro texto.

Enfim, Vinícius era tão manipulador e bom de papo que comecei a gostar dele. Existia essa atração quase magnética entre a gente. Então, durante as férias, o nosso grupo de amigos foi viajar. Eu fui. Ele foi. Sem namorada, sem aliança.

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Álcool aqui e acolá, música bacana, eu deitada no chão observando o céu, ele se deitou ao meu lado e pronto. Rolou um beijo. Mana, você pode me julgar o quanto quiser nesse momento. Eu faço isso até hoje.

Para resumir, as coisas ficaram muito complicadas. Ele dizia que queria ficar comigo e, sinceramente, eu queria ficar com ele. E a partir daí minha cabeça começou a analisar e comparar a mim mesma com ela, a namorada, aquela que tinha o cara que eu queria.

Você provavelmente se sente mal com a situação, como eu senti. Mas caras manipuladores como o Vinícius irão te convencer que você é muito melhor do que ela. Que você é especial, única. E ele quer de todo jeito ficar só com você. Mas, na real, isso não acontece. Ou demora para acontecer.

No meu caso, o resultado de tudo isso foi um belo tapa na cara. Ele terminou o namoro com ela, ficou comigo, e me traiu depois com ela. Hoje, não fico surpresa com a situação toda, até acredito que foi uma espécie de carma. No fim, abri um inbox com ela e pedi desculpas por tudo, do jeito que quis fazer desde o início. E, para a minha surpresa, ela aceitou e ainda agradeceu por finalmente confirmar para ela que ele a tinha traído.

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Essa história toda é pra mostrar o que está lá no título. Se você está ou já esteve numa situação parecida, coloque na sua cabeça uma coisa: você NÃO É mais especial do que ela. Ambas são especiais, cada uma da sua maneira.

E quer saber de uma coisa? Vocês duas são boas demais para ficar com ele.

*Texto publicado originalmente no Site Lado M e reeditado com autorização do administrador

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