“Você não pode sentir raiva, inveja, ciúmes”. Quantas vezes você já ouviu isso durante sua vida? E caso tenha sentido, quantas vezes não se reprimiu e se sentiu culpada(o) por haver se entregado ao lado negro da força?

De fato, esses são sentimentos caracterizados como inferiores ou até mesmo destrutivos, mas, se levamos em conta que somos seres humanos passíveis de sentir o bom e o ruim, nada mais justo do que assumir esses sentimentos, certo?

Então vem minha pergunta: por que não conseguimos assumir que estamos sentindo algo negativo? A partir do momento em que assumimos nossos sentimentos estes se tornam reais, porém, quando nos defrontamos com eles nos assustamos. E, quase que de maneira automática, projetamos no outro esse sentimento, ou seja, “eu senti raiva porque você me deixou esperando”, “eu estou com ciúmes porque você me deixou sozinha(o) para ficar com seus amigos”, “eu estou com inveja porque ele(a) trocou de carro, e eu que me mato trabalhando não consigo”… e assim vai.

Primeiro, é preciso entender o que sentimos, o que significa denominar nosso sentimento. Deixar de lado ou simplesmente não assumir e fingir que nada aconteceu torna esse sentimento mais forte e quando nos depararmos novamente com ele, este será como uma montanha intransponível.

Uma vez denominado(s) o(s) sentimento(s), passamos a não mais projetar no outro a razão pela qual sentimos, mas nos responsabilizamos por nossos sentimentos. Deixamos de ser a vítima e nos tornamos protagonistas de nós mesmos. Por exemplo: “eu senti raiva porque eu me permiti abalar e senti-la pois você se comprometeu em chegar em determinado horário, mas por alguma razão não cumpriu”.

Quando tiramos a responsabilidade do outro lidamos diretamente com nossa essência e aos poucos vamos nos aceitando como luz e sombra. Isso é ser honesto consigo mesmo.

O ponto fundamental para isso é deixar de lado nosso severo julgamento. Aceitar cada um como é, sem rótulos nem expectativas. Se seu/sua amigo(a) sempre se atrasa, aceite. Ele(a) não vai mudar porque você quer. A mudança ocorrerá quando ele(a) sentir a necessidade disso.

Por isso, lide com compaixão consigo mesmo(a), com seus sentimentos, sem julgamentos ou culpas. Faz parte do amadurecimento emocional perceber tudo o que sentimentos, sem reprimi-los e sem fomentá-los. É preciso saber observar e desapegar-se. Um passo de cada vez e a mudança interior chegará.

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Natalia Garrido

Bióloga e Microempresária. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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