A Teoria do Apego é uma área da psicologia que descreve a natureza do apego emocional entre os seres humanos. Começa na infância, com o apego aos nossos pais. A natureza desse apego, e como ele é tratado e nutrido, determinará mais tarde em nossas vidas a natureza do nosso apego aos parceiros amorosos.

A teoria do apego começou a ser elaborada na década de 1950 e, desde então, acumulou-se uma pequena montanha de pesquisas sobre o tema. Dois pesquisadores chamados Bowlby e Ainsworth descobriram que a forma pela qual os bebês conseguem obter dos pais a satisfação a suas necessidades determina suas “estratégias de apego” por toda vida.

A estratégia de apego desenvolvida por uma pessoa explica em parte a razão de seus relacionamentos falharem ou serem bem sucedidos, a forma como isso ocorreu, por quais pessoas você se atrai e a natureza dos problemas de relacionamento com que você se depara repetidas e repetidas vezes.

TIPOS DE APEGO

De acordo com os psicólogos, existem quatro tipos de estratégias de apego adotadas pelas pessoas: os tipos seguro, ansioso, evasivo e ansioso-evasivo.

Seguro:

Pessoas com estratégias de apego do tipo seguro sentem-se confortáveis exibindo interesse e afeto. Elas também se sentem confortáveis quando estão sozinhas e são independentes. São capazes de priorizar corretamente suas relações dentro da vida e tendem a traçar limites claros e a cumpri-los.

Pessoas com estratégia de apego do tipo seguro, obviamente, são os melhores parceiros amorosos, familiares e amigos. Elas são capazes de aceitar a rejeição e seguir em frente, apesar da dor, mas também são capazes de ser leais e se sacrificar quando necessário. Elas não têm dificuldade em confiar nas pessoas de quem são próximas, e são elas próprias confiáveis.

De acordo com as pesquisas, mais de 50% da população são do tipo seguros. O apego seguro é desenvolvido na infância por bebês que regularmente têm suas necessidades atendidas e recebem suficiente amor e carinho.

Ansioso:

Pessoas que adotam estratégias de apego do tipo ansioso são muitas vezes nervosas e estressadas em seus relacionamentos. Precisam constantemente de tranquilidade e afeição de seu parceiro. Elas têm problemas em ficar sozinhas ou solteiras e muitas vezes sucumbem a relacionamentos insalubres ou abusivos.

Geralmente apresentam problemas em confiar nas pessoas, mesmo que sejam próximas a elas. Seu comportamento pode ser irracional, instável e excessivamente emocional. Costumam queixar-se de que todas as pessoas do sexo oposto são frias e sem coração.

É o tipo de garota que te liga 36 vezes em uma noite perguntando por que você não ligou de volta. Ou o tipo de cara que segue a namorada até o trabalho para ter certeza que ela não está saindo com outros homens.

As mulheres são mais propensas a ser do tipo ansioso do que os homens. O tipo de apego ansioso é desenvolvido na infância por bebês que recebem amor e cuidado com suficiência imprevisível.

Evasivos:

As pessoas com apego evasivo são extremamente independentes, autodeterminadas e muitas vezes desconfortáveis com a intimidade. Têm fobia a se comprometer e são especialistas em racionalizar sua saída de qualquer situação mais íntima. Regularmente se queixam de se sentirem “sufocadas” quando as pessoas tentam se aproximar delas.

Em cada relacionamento, sempre têm uma estratégia de fuga. Sempre. E muitas vezes constroem seu estilo de vida de tal forma a evitar compromisso ou excessivo contato íntimo.

É o tipo de cara que trabalha 80 horas por semana e fica aborrecido quando as mulheres que deseja querem vê-lo mais de uma vez no fim de semana. Ou a menina que sai com dezenas de caras ao longo dos anos, mas sempre a eles diz que tudo o que não deseja “é algo sério” — e, inevitavelmente, acaba por abandoná-los quando se cansa deles.

Os homens são mais propensos do que as mulheres a serem tipos evasivos. O tipo de apego evasivo é desenvolvido na infância por bebês que só têm algumas de suas necessidades atendidas enquanto o resto é negligenciado (por exemplo, ele/ela recebe alimentação regularmente, mas não de forma suficiente).

Ansioso-evasivo:

Aqueles que adotam a estratégia de apego do tipo ansioso-evasivo (também conhecido como tipo “temeroso”) reúnem o pior de dois mundos. Ansiosos-evasivos não tem apenas medo de intimidade e compromisso, mas também desconfiam e chicoteiam emocionalmente quem tenta chegar perto deles. Ansiosos-evasivos costumam passar muito do seu tempo sozinhos e miseráveis, ou em relações abusivas e disfuncionais.

De acordo com pesquisas, apenas uma pequena porcentagem da população se qualifica como do tipo ansioso-evasivo, e tipicamente têm uma infinidade de outros problemas emocionais em outras áreas da vida (isto é, abuso de substâncias, depressão, etc.). Os tipos ansiosos-evasivos desenvolvem-se por terem infâncias abusivas ou terrivelmente negligentes.

Como com a maioria dos perfis psicológicos, esses tipos não são qualidades monolíticas, mas de natureza escalar e um tanto independentes.

Por exemplo, de acordo com o teste que há no livro Attached, de Amir Levie e Rachel Heller, eu pontuei cerca de 75% na escala segura, 90% na escala evasiva e 10% na escala ansiosa. E o meu palpite é que há 3 ou 5 anos, o meu percentual no tipo seguro teria sido menor e no tipo ansioso ansioso teria sido maior, embora o meu evasivo sempre tenha sido consistentemente o maior (como qualquer uma das minhas ex-namoradas irá dizer).

O ponto é: você pode exibir tendências de mais de uma estratégia, dependendo da situação e em diferentes frequências, embora todos tenham uma estratégia dominante. Assim, os tipos “seguros” ainda exibirão alguns comportamentos evasivos ou ansiosos, os tipos “ansiosos” por vezes apresentarão comportamentos seguros, etc. Não é tudo ou nada.

Ambos os tipos ansioso e evasivo ainda vão marcar uma certa pontuação na escala segura. Mas ansiosos-evasivos marcarão alto nos tipos ansioso e evasivo e pontuarão baixo no tipo seguro.

CONFIGURAÇÕES DE RELACIONAMENTO

Os diferentes tipos de apego tendem a se configurar em relacionamentos de maneiras previsíveis. Tipos seguros são capazes de namorar (ou manipular, dependendo da sua perspectiva) tipos ansiosos e evasivos. Eles se sentem confortáveis o suficiente consigo mesmo para dar aos tipos ansiosos toda a tranquilidade de que precisam e dar aos tipos evasivos o espaço que necessitam sem se sentirem ameaçados.

Ansiosos e evasivos freqüentemente acabam em relações uns com os outros com mais freqüência do que acabam em relacionamentos com seus próprios tipos. Isso pode parecer contra-intuitivo, mas há lógica por trás da loucura. Os tipos evasivos são tão bons em dispensar os outros que muitas vezes apenas conseguem manter uma relação com alguém do tipo ansioso, que está disposto a permanecer ao lado deles e colocar esforço extra para que fiquem e possam se abrir.

Por exemplo, um homem que é do tipo evasivo pode ser capaz de escapar com sucesso de uma mulher do tipo seguro que tenta aumentar a intimidade, após o que a mulher segura aceitará a rejeição e seguirá em frente. Mas uma mulher ansiosa só se tornará mais determinada por um homem que a empurra para longe.

Ela vai recorrer a chamá-lo por semanas ou meses até que ele finalmente saia da caverna e comprometa-se com ela. Isso dá ao homem evasivo a garantia de que pode se comportar de forma independente pois a mulher ansiosa sempre vai esperar por ele.

Muitas vezes, esses relacionamentos produzem alguma magnitude de equilíbrio disfuncional ao caírem em um padrão de caça-caçador, dois papéis que os tipos ansiosos e evasivos precisam assumir para se sentirem confortáveis com a intimidade em comum.

Os evasivos-ansiosos só namoram uns aos outros ou aos mais inseguros dos tipos ansioso ou evasivo. Esses relacionamentos são muito confusos, e às vezes francamente abusivos ou negligentes.

O que tudo isso significa é que, nos relacionamentos, a insegurança encontra insegurança e a segurança encontra segurança, mesmo que as inseguranças de cada pessoa na relação sejam as mesmas de seu parceiro.

CONHECENDO E MUDANDO O SEU TIPO DE APEGO

Se você está constantemente evitando o compromisso, evitando seus parceiros românticos, cortando-os ou não compartilhando as coisas com eles, então você provavelmente está sendo muito evasivo.

Se você está constantemente se preocupando com seus parceiros, sente que eles não gostam de você tanto quanto gosta deles, quer vê-los 24 horas por dia e tem necessidade de confiança constante deles, então você provavelmente é o tipo ansioso.

Se você está confortável no namoro, sendo íntimo e capaz de desenhar limites claros em seu relacionamento, mas também não se importa de estar sozinho, então você provavelmente é do tipo seguro.

A boa notícia é que seu estilo de apego pode mudar ao longo do tempo — embora seja um processo lento e difícil.

A pesquisa mostra que um ansioso ou evasivo que entre em um relacionamento a longo prazo com um tipo seguro, pode ser “erguido” ao nível do seguro por um período de tempo prolongado. Infelizmente, um ansioso ou evasivo também é capaz de “derrubar” um seguro para o seu nível de insegurança, se não forem cuidadosos. Além disso, eventos negativos extremos, tais como divórcio, morte de criança, acidente grave, etc., podem fazer com que um tipo seguro decaia para um tipo mais inseguro.

Por exemplo, um homem pode ser mais ou menos seguro, casar-se com um tipo ansioso, trazer sua parceira para um nível mais seguro, mas quando ficam sem dinheiro ela retorna ao nível ansioso, trai seu parceiro e se divorcia dele exigindo parte do patrimônio e tornando-o do tipo evasivo. Ele recomeça sua vida evitando intimidade e pula de parceira em parceira pelos próximos dez anos, temendo tornar-se íntimo de qualquer pessoa.

Os psicólogos Bartholomew e Horowitz criaram um modelo hipotético que mostra que a estratégia de apego de cada pessoa corresponde ao grau de auto-imagem positiva/negativa e à imagem positiva/negativa que tem dos outros.

Os seguros possuem tanto auto-imagem positiva quanto percepções positivas dos outros. Os tipos ansiosos exibem auto-imagens negativas, mas percepções positivas dos outros (daí o seu comportamento carente). Os evasivos exibem auto-imagens positivas e percepções negativas dos outros (daí sua arrogância e medo de compromisso), e os evasivos-ansiosos exibem percepções negativas de quase tudo e todos (daí sua incapacidade de funcionar nos relacionamentos).

Usando este modelo como um roteiro, se pode começar a navegar para um tipo de apego mais seguro. Tipos ansiosos podem trabalhar em se aprimorar, criando fronteiras saudáveis e promovendo uma auto-imagem saudável.

Uma das minhas dicas mais comuns de aconselhamento sobre relacionamentos é para os homens encontrarem algo bom pelo que eles são apaixonados e fazer disso um ponto focal de sua vida, em vez de mulheres. Tipos evasivos podem trabalhar em se abrir aos outros, e enriquecer seus relacionamentos doando-se mais.

Outra das minhas dicas mais comuns de aconselhamento para as pessoas é que é sua responsabilidade identificar algo positivo em todas as pessoas que você conhece. Não é responsabilidade delas mostrar isso a você. Se torne curioso. Pare de ser julgador.

E, claro, alguns de vocês podem estar lendo isso e pensando: “eu gosto de estar sozinho e ser capaz de dormir com quem eu quiser, eu não mudaria nada em mim.” E é verdade — muitas pessoas levam vidas felizes e bem sucedidas como tipos evasivos ou ansiosos. Alguns até têm relacionamentos de longo prazo bem sucedidos como um ansioso ou evasivo.

Mas a pesquisa mostra que os seguros são consistentemente mais felizes e se sentem mais apoiados, são menos propensos a ficar deprimidos, são mais saudáveis, mantêm relações mais estáveis e se tornam mais bem-sucedidos do que os outros tipos.

E posso lhe dizer, por experiência pessoal, que me senti tirado de um forte tipo de apego evasivo (e ligeiramente ansioso) para um tipo de apego mais seguro nos últimos seis anos ao trabalhar nesta área. E eu posso inequivocamente dizer que estou mais feliz e mais satisfeito nos meus relacionamentos e com as mulheres que namoro agora do que eu era naquela época. Eu não trocaria de volta por nada.

Autor: Mark Manson

Fonte: ano-zero.com/teoria-do-apego/

*Texto reproduzido com autorização do site parceiro

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