Todo mundo “cabe” em algum lugar, não é verdade? Quer dizer, nem todo mundo. Ou melhor, nem todo o tempo. Parece papo de louco, mas tenho meus motivos para escrever desse jeito. Não é só papo de louco, é um sentimento meio doido.

Acho que já aconteceu com você aí do outro lado. Talvez até… bem, talvez até aconteça o tempo todo. Sendo sincero, estou escrevendo esse texto porque é assim que me senti durante toda a vida, ou melhor, praticamente toda ela e olha que não é pouca coisa, afinal, lá se vão 56 anos e meio… Claro, devo descontar aqueles primeiros anos em que a gente não sabe que é gente.

Então vamos lá. Estava escrevendo sobre caber, quer dizer, melhor falar em pertencer.

Nós pertencemos a uma categoria, certo? A de seres inteligentes e racionais. Até todo mundo normal concorda, ainda que eu tenha minhas dúvidas… Como tal, dentro dessa categoria, pertencemos a outras categorias, ou tribos, como se diz hoje em dia.

Pelo menos deveríamos – ou não – pertencer. Sei lá, acho que a gente se sentiria melhor se pertencesse. Mais confortável, talvez. E não me venham com aquele papinho de autoajuda de sair da zona de conforto, isso é besteira, todo mundo procura sua zona de conforto, já escrevi aqui sobre o tema.

Talvez seja isso que nos cause desconforto, o fato de percebermos que não pertencemos a nenhuma categoria aceitável. Será que é isso? Pode ser sim.

Quando nos sentimos mal em algum “ambiente”, seja na família, no trabalho, na sociedade, até mesmo na casa de praia ou no restaurante da esquina, logo achamos que não pertencemos àquele lugar, não é assim?

Bom, não sei se é assim com você, mas comigo é.

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Passei boa parte da vida tendo plena convicção de que não pertencia a lugar algum, pelo menos não ao lugar em que estava quando sentia aquela sensação. Muitas vezes achei que não pertencia a lugar algum mesmo, literalmente. Eu sei, tenho que fazer terapia para resolver isso, mas… acho que agora talvez seja tarde.

A ideia de liberdade sempre foi meu sonho utópico. Liberdade simplesmente não existe. Uma vez que nos inserimos na sociedade e isso é inevitável, a gente sempre tem que deixar a liberdade plena de lado.

Provável que seja isso: A falta de liberdade.

Ë isso o que provoca essa percepção de que não pertencemos a lugar algum ou ao lugar em que estamos. É uma sensação ruim. Pensar nisso agora também é ruim. Escrever sobre isso é pior ainda porque talvez eu precisasse de um livro para explicar o sentimento.

Talvez não. Afinal, somos seres inteligentes, pelo menos é o que dizem e por essa razão é que esse texto curto sirva para que você entenda meu ponto, quem sabe até pense nisso e me conte alguma coisa a esse respeito.

O que sei é que o que todo mundo queria ter é um espaço em que o espírito pudesse correr livremente. Talvez depois da vida, não é mesmo? Mas aí, tenho certeza de que será tarde demais porque o que a gente busca é, em teoria, para ser feito nessa vida porque não sabemos se haverá outra.

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Pensando bem, olhando para trás agora, descubro que passei boa parte da vida fazendo força para pertencer ao lugar onde estava. Lembrando aqui dos meus amigos mais próximos, percebo que eles tiveram o mesmo desafio, consequentemente, o mesmo destino.

Observando a sociedade como um todo, noto que as pessoas estão correndo desenfreadamente – ou desesperadamente – atrás de algo que nem sabem ao certo o que é.

Se isso é ser racional, que na próxima vida eu nasça cachorro… Sim, deve ser bem melhor, eles conseguem amar incondicionalmente e acabam por se adaptar ao meio e que vivem bem melhor do que nós, os inteligentões.

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Marcelo Mello
Coach Pessoal e Empresarial, Consultor de Negócios, palestrante e escritor. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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