Eu te amei, é verdade, não há mais como negar. Mas como é difícil falar desse amor. Talvez deva comparar com as estrelas, que brilham na imensidão do céu e um dia caem na escuridão. Talvez melhor seja pensar em borboletas, que nascem em seu momento de plenitude, mas logo voam para longe de nós.

Mas borboletas e estrelas não tem o cheiro desse amor. Por isso conveniente seria falar das flores, adoro as estrelas e admiro as borboletas, mas ainda não sei se gosto das flores, talvez por isso seja tão parecido com meu amor.

Elas estão presentes nos melhores momentos e nos piores, como a morte, elas trazem paz e emocionam, elas embelezam e sujam, elas perfumam o ambiente e confundem… Não decidi se gosto de tê-lo, ou não.

Meu amor por ti foi como uma flor. Brotou com um pouco de cuidado e ao florescer trouxe a mim uma alegria surreal. Uma felicidade simples, mas ainda assim felicidade. O tempo passou e a troca de estação não permitiu que continuasse a existir. Assim, mesmo com todo o meu zelo, murchou. Mas não me arrependo de tê-la cativado. Pois a tristeza de ver as pétalas caídas não foi maior que o instante de emoção ao vê-la perfumar imensamente o meu coração. Guardo em mim todos os momentos de amor. Cheios de vontade. Guardo em mim teu sorriso radiante e a tua saudade.

Guardo em meu peito a lembrança de seu cheiro único e as memórias dos dias em que coloriu a minha vida.

Mas agora basta. Sinto-me estafada por um jogo que não trará ganhadores, de momentos que não satisfazem, de piadas que perderam a graça e malícias que não divertem mais. Estou exausta da sua inconstância, injuriada com tuas fugas e decepcionada com suas mentiras. Chega! Não mais rimas, nem mais contos, nem mais versos, e sem maior drama. É hora do recomeço, aquele mesmo que pediu para te escrever.

Estou em busca da ingenuidade que outrora me usurpou. De toda a paz que me tirou dia após dia. Estou em busca do sentido de uma existência sem ti e cheia de mim mesma. Olho em meus olhos e não me vejo, mas quando olho para os seus… quanta vergonha.

Parto em busca do meu verdadeiro eu no espelho. Deixo para trás toda a angústia de te ter em minha vida, sem nunca realmente ter de verdade. Parto em busca do esquecimento de todas as lágrimas derramadas. Parto agora sem arrependimentos, apenas uma promessa de não mais sucumbir.

Recomeço o reencontro com o amor-próprio. Recomeço a partir de hoje com novos sonhos e outro tipo de esperança. Recomeço agora te agradecendo, por tudo, por nada, por qualquer coisa. Recomeço assim, triste, porém firme, te dizendo adeus, nunca mais. De cabeça erguida e com os pés no chão.

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Mia Coutinho
Publicitária por formação, aeromoça por opção e escritora por paixão. Virginiana, perfeccionista, mãe do Henri. Entre fraldas e mamadeiras, entre pousos e decolagens, entre artes e artimanhas, ela escreve. Escreve porque para ela, escrever é como respirar: indispensável à vida! É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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