Mais um ano está chegando ao fim e é inevitável fazer uma retrospectiva pessoal. Olhar para dentro de nós na busca de respostas para perguntas filosóficas como “quem sou? para onde vou? o que me define?” acabam por nos assaltar a mente.

Afinal de contas, quem sou eu? Alguns poderão dizer “sou uma pessoa trabalhadora, que tem sonhos e busca o equilíbrio”, outras se definirão como um executivo e bem-sucedido, ou até mesmo, um desempregado que devido à crise perdeu o rumo e procura um novo caminho (qualquer que seja) para se estabilizar novamente.

Mas ainda assim, não estão respondendo a pergunta, ou seja, estão apenas descrevendo fatores externos que o tornam um ser social. Falta o olhar interno, que seja capaz de torná-lo inteiro e único.

Antes que possam dizer que para isso é preciso isolar-se e ficar rodeado pela natureza, em silêncio absoluto para então atingirmos as profundezas de nosso íntimo (ou self), digo que o autoconhecimento é uma observação diária de nosso comportamento social, nossos pensamentos, nossas ações irracionais.

Credita-se a frase “quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro de si, acorda” a Carl Gustav Jung, fundador da escola analítica de psicologia, por isso, quando um ciclo termina, estamos na verdade querendo acordar de tudo o que passou e não nos agradou; das pessoas que nos fizeram sofrer e dos momentos em que nos submetemos para agradar o outro e não a nós mesmos.

Parar e voltar-se a si mesmo é fundamental, pois nos ajuda a dar continuidade a nossa listinha de promessas para o novo.

Contudo, isso exige disciplina, atenção e muita vontade em mudar. Não é fácil e muito menos tranquilo ou favorável.

Encarar nosso lado sombrio faz parte do processo e na grande maioria das vezes é doloroso, mas faz-se necessário, já que é importante observar que muitas vezes (por que não dizer sempre?) nós fomos e/ou somos a pedra no caminho do outro.

A partir do momento em que nos colocamos no centro das ações, para nos observarmos como atores sociais, não permitiremos mais que outras pessoas nos magoem; assumiremos novos posicionamentos baseados no autoconhecimento; mas acima de tudo, respeitaremos o próximo como uma extensão de nós mesmos.

E as palavras de Jesus: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7:12) serão mais fáceis de serem praticadas, nossa lista de promessas será menos extensa e teremos a resposta para a pergunta que nos levou a essa reflexão.

Referência: BRANDENBURG, O J. WEBER, L N D. Autoconhecimento e liberdade no behaviorismo radical. Psico – USF, v.10, n.1, p.87-92, jan/jun 2005. (http://www.scielo.br/pdf/pusf/v10n1/v10n1a11 acessado em dez/16).

FURNHAM, Adriano. 50 ideias de psicologia que você precisa conhecer. 3. Ed. – São Paulo: Planeta, 2015

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Natalia Garrido
Bióloga e Microempresária. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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