Nunca se esqueça de que é o seu nome que está tatuado em meu coração, e é por ele que chamo em silêncio. Estaremos sempre juntos, doce e verdadeiro amor da minha vida (e quem sabe de outras).

Estava lembrando aqui o dia em que o reconheci. É, porque eu já o conhecia. Você estava nos meus sonhos, não sei como, nem porque, mas estava. Eu já sabia que um dia viria esses olhos pretos, feito noite sem estrela e um meio sorriso que quer abrir, mas prefere ficar tímido, escondido atrás da boca que se curva um pouquinho, só o suficiente para dizer que vai sorrir.

Tudo ia bem. Eu, como sempre, estava falando alto, dando risada de tudo, e olhando pra qualquer lugar, exceto para o seu. E o destino, como sempre, veio me lembrar que o dono das rédeas é ele e não eu. Fez-me olhar para outra pessoa, para que o verde dos meus olhos se perdesse na escuridão dos seus.

Ah, os seus olhos! Incrível como são capazes de me tirar o chão só de estar na mesma direção que os meus. E eles combinam tão bem com a sua pele que não é clara, nem escura, é de uma mistura que me lembra o sal do mar e o doce do rio encontrando-se para formar uma coisa só. Nessa mistura que lhe cobre os ombros largos e o abdome firme quantas vezes eu me perdi, sem nem estar do lado de dentro!

E que sorte a minha, quando da boca saiu o que guardava o coração! Ouvi dizer que você também me sondava, e assim, de repente, eu me senti criança que acaba de ganhar um pirulito, sem o pedir. Ah menino, se você soubesse o quanto lhe quero bem!

Mas a vida é um jogo, não é mesmo? E em nossa rodada foi ela quem embaralhou, distribuiu e virou as cartas. Tão rápido quanto o tic-tac do relógio nossas horas de risadas e segredos transformaram-se em uma eternidade de silêncio.

As tardes antes tão animadas, repletas de uma conversa que rolava fácil feito cantiga de criança, agora pareciam madrugada fria, escura e sem luar. Seus porquês foram tirados de mim na brutalidade, sem nem aviso prévio. E apesar da sua insistência em querer compreender melhor cada centímetro do mundo por vezes me deixar irritada, eu me sentia
tão bem tentando explicar o que me levou a preferir o açúcar ao invés do sal.

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Moço, a sua ausência esfregou na minha cara que você era o amor da minha vida.

Naquele fim de tarde do meu aniversário em que você reapareceu só pra atiçar, eu vi que a culpa não era sua por ter de se afastar. Não, não era mesmo. A verdade é que a vida se encarregou de colocar cada um de nós num canto do mundo para que a gente terminasse de amadurecer. E nesse tempo eu sangrei as feridas que se abriram, até não querer mais, para que após sangrar bem, elas se curassem sozinhas.

Já dizia aquela velha música: “tentei te esquecer; não deu”. É… Não deu mesmo. Estranhamente, quanto mais eu tentava, mais percebia estar mentindo para mim mesma. E em cada noite mal dormida revirando o passado à procura de respostas, fazia questão de repetir que foi melhor assim, eu longe de você, você longe de mim, mas enquanto a cabeça se encarregava de dar razão ao acontecido, o coração penava numa eterna tentativa de aceitar a realidade à sua frente.

Eu o amava, rapaz, e lá no fundo, bem no fundo, sabia que você me amava também.

Eu sei, é loucura acreditar num amor que não passou dos poucos dias vividos juntos, mas que então eu seja considerada uma verdadeira louca de pedra. Pois além de acreditar nisso, acreditei também que um dia eu o veria mais uma vez. E apesar dos anos passarem depressa, por vezes, parecia que o tempo havia parado naquele instante em que eu o vi.

Conforme já disse, a vida é um jogo, e ela mesma dá as cartas. Quem diria que num desses carnavais a gente se toparia mais uma vez, hein? E quando vi seus olhos na minha direção, não contive o riso, o sorriso e muito menos o pulso acelerado. Não contive o abraço, as mãos que percorriam suas costas e nem o pensamento disparado em tantas coisas. E após duas ou três perguntas, e algumas confusões se tornarem um pouco menos confusas, não contive a mão direita de estar na sua nuca, à esquerda no seu peito… e o beijo na sua boca.

Toda aquela adrenalina percorrendo meu corpo parecia o sol do meio-dia aquecendo o frio do inverno. Não sei dizer a quanto tempo não me sentia daquela forma. Eu flutuava com os pés no chão, e mergulhava num oceano sem fim, mesmo estando em terra firme.

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E quando num impulso, um deslize não planejado, recostei sua cabeça em meu peito, beijei sua testa e disse que o amava, por louco e incrível que pareça, você sorriu e disse me amar também. Ah rapaz se você soubesse quantas vezes essas palavras ecoaram dentro de mim. Se pudesse contemplar as incontáveis ocasiões em que imaginei essa cena, compreenderia que às vezes o amor vem em forma de beijo sim.

Mas agora é hora de ir. Por duro que seja tenho de aceitar que, apesar de nos pertencermos, não devemos estar juntos, pelo menos não agora. Ainda não chegou aquela tão sonhada hora em que você virá para permanecer e fazer do meu corpo o seu melhor travesseiro. Eu preciso estar bem comigo mesma para lhe fazer bem também, e você precisa acertar suas questões para trazer solução às minhas.

A gente se encontra. Na esquina da sua casa, ou numa rua da Capadóccia. Em nossos sonhos mais bonitos, e na tristeza da saudade. Nas conversas entre nossos amigos, em que sem querer um esbarra no nome do outro, tropeça, e cai de amor.

Sim, a gente se encontra, afinal, a vida sempre dá jeito de unir o que nasceu para estar junto. E enquanto isso, eu quero que você saiba, que de tantos amores que tive, o seu foi o único que permaneceu (mesmo estando distante). E foi com o seu rosto que vez ou outra eu sonhei e acordei pingando saudade. E foi o seu cheiro que calou em mim, e que, de vez em quando, assim, involuntariamente, eu sinto e você me parece tão perto, tão vivo.

Quero que tenha sempre certeza de que bem, você foi o amor da minha vida, e continua sendo isso. E mesmo que um dia você me veja ao lado de outro alguém, feliz, numa foto bonita dessas que a gente gosta de publicar no Facebook, tenha certeza de que aquele homem presente na foto carrega tanto de você, e por isso o permiti adentrar minha vida. Nunca se esqueça de que é o seu nome que está tatuado em meu coração, e é por ele que chamo em silêncio.

Obrigada por ser a história mais bonita que já vivi, e que continuarei vivendo. Mesmo longe estou sempre perto. Continue a embelezar o mundo com seus olhos escuros, e a inundar vidas com esse sorriso que sempre se abre na hora certa. Estaremos sempre juntos, doce e verdadeiro amor da minha vida (e quem sabe de outras).

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Raquel Gonçalves

Há quem diga que os olhos são a janela da alma, então, no meu caso, eles são uma janela bem grande e aberta. Amante das artes, do universo e das palavras, necessito de música para viver, dos astros e estrelas para pulsar e dos versos para existir.
A publicidade me escolheu; por isso anuncio paz, promovo sorrisos e transmito intensidade.
Sou colunista do Fãs da Psicanálise.



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