Uma professora me afirmou certa vez:

‘Se uma pessoa disser que você é um cavalo, não precisa lhe dar ouvidos. Se duas pessoas disserem que você é um cavalo, talvez precise prestar mais atenção no que anda fazendo. Se três pessoas lhe disserem que você é um cavalo, é bem provável que haja feno caindo de sua boca e uma sela nas suas costas.’

Em outras palavras, quem olha de fora para você talvez veja coisas das quais você não está ciente. Com freqüência não nos dispomos ou não somos capazes de discutir os aspectos desagradáveis de nós mesmos. Em vez de discutirmos o que sentimos, nos criticamos uns aos outros. As pessoas sempre me diziam que eu tinha uma aparência zangada.

Quando não estava dizendo que eu tinha uma aparência zangada, diziam que eu estava sempre na defensiva ou pronta para brigar. Quando essas cosias me eram ditas eu ficava ofendida e começava um discurso longo e veemente, afirmando que as pessoas não me conheciam, não sabiam o que eu pensava ou sentia.

Normalmente eu terminava meu pequeno discurso declarando que estava de saco cheio de ser criticada e que não estava zangada coisíssima nenhuma, ora droga! Quando você se recusa a prestar atenção no que a vida esta lhe dizendo, ela será muito clara em sua demonstração. A vida quer que estejamos atentos a nós mesmos para podemos fazer os ajustes necessários para vivermos de forma mais harmoniosa.

A vida estava tentando me conscientizar de que eu agia como um cavalo, embora eu insistisse que era uma gatinha. A vida tentava me lembrar que eu era uma representante divina de Deus, agindo como uma completa idiota. Um belo dia ficou bastante claro que eu estava com a boca cheia de feno. Muitos anos se passaram até que tudo fizesse sentido para mim.

Foi preciso que eu esfaqueasse meu marido, batesse com o carro e sofresse um esgotamento nervoso. Era a raiva. Era o medo. Essa série de acontecimentos me fez perceber como a raiva me fazia ficar agressiva e descontrolada. Se você já esteve com muita raiva de uma pessoa, sabe como é difícil sentir coisas boas em relação a ela. Você é capaz de ter uma ataque de fúria só de pensar nela.

Se você consegue imaginar o impacto desse grau de fúria quando é direcionado a alguém, imagine o impacto que tem quando é direcionado à pessoa que você vê no espelho todos os dias! As pessoas percebem quando você esta com raiva. Percebem pela sua voz, pelos seus gestos. E a sua raiva causa medo nas pessoas.

O medo pode fazer com que elas enxerguem coisas que não existem, ouçam coisas que não foram ditas. Eu passei por isso. A energia que havia dentro de mim, e da qual eu não tinha a menor consciência, manifestava-se como uma experiência de raiva e medo. Tomar consciência de quem você é e do impacto que produz sobre o mundo não é uma tarefa simples.

Exige o mesmo tipo de determinação que eu imagino que os corredores olímpicos das provas de longas distancia devem ter. Você precisara se dispor a ouvir, aprender a aceitar, a compreender e a se amar exatamente como é, com suas experiências de vida. O primeiro passo na direção da consciência é nos dispormos a olhar para nós mesmos e para nossas vidas sem julgamentos ou autocríticas.

Cada pequeno detalhe deverá ser examinado. Cada experiência, cada dificuldade e cada incidente deverão ser revisitados e explorados. Foi James Baldwin quem disse: ‘Você não consegue consertar o que não consegue encarar!’ Vou lhe dar uma pista para você ter sucesso na conscientização: basta apenas olhar e tomar consciência, não precisa consertar coisa alguma.

Quando se tornar consciente, não haverá mais necessidade de temer a critica. Você se dará conta de que as pessoas não estão querendo anular quem você é ou faz. Quando as pessoas chamarem a sua atenção para coisas desagradáveis das quais você já tem consciência , em vez de cair na armadilha da raiva, diga simplesmente: ‘Agradeço seu interesse. Sei disso a meu respeito e estou tentando mudar’.

(Autora: Iyanla Vanzant)
(Fonte: eueapsicologia.com.br )

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