Parece uma afronta dizer que alguns amigos só servem para sugar nossas energias, machucar, competir, julgar e nos colocar para baixo. Mas e aquele papo de que todo amigo é para sempre, guardado sob sete chaves, do lado esquerdo do peito ? Bom, como qualquer outro relacionamento afetivo, às vezes os santos não batem, não se bicam, querem distância que nem os pólos iguais de um imã.

Namoros terminam; casamentos, também. Por que, então, é tão difícil falar em terminar uma amizade? Acontece que alguns têm a tendência (esquisita) de prolongar uma relação que não funciona e apenas faz mal, já que alguém, um dia, disse que todo amigo é para sempre. Na contramão dessa lei absoluta, especialistas afirmam que amizades tóxicas existem, sim, e são capazes de minar a autoestima do lado mais fraco do relacionamento – aqueles que são submetidos a abusos e maus tratos, ainda que apenas emocionais, na relação.

“Essa relação, ao invés de estimular o crescimento dos amigos e passar uma sensação de bem estar e felicidade, faz com que nos sintamos deprimidos e inseguros. São amores baseados na indiferença, sem troca, sem confronto e sem respeito”, atenta a coach Bibianna Teodori

Vale lembrar que toda amizade tem um pouco de atrito, discordância e faísca, já que a ideia de um relacionamento absolutamente ideal e perfeito é incompatível com a realidade. Vez ou outra, vamos brigar, falar besteira, cometer algum tipo de injustiça… O problema é quando esse cenário se torna regra, e não exceção.

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Se só de pensar naquele amigo/amiga você se sente exausto e angustiado, é hora de reavaliar o papel dessa relação na sua vida. O melhor a fazer é se afastar para garantir a estabilidade emocional. Isso não quer dizer que precisamos guardar mágoas e criar uma animosidade com esta pessoa. Nem sempre um amigo tóxico é alguém necessariamente ruim.

Foi assim que Bruna* decidiu se afastar e por um ponto final a duas amizades que tinham mais de cinco anos de história. “Estávamos sempre juntos, saindo todo final de semana. Então, percebi que era uma amizade cômoda, já que eles só tinham disposição para me ver se eu os buscasse e levasse em casa. Quando eu não podia, eles simplesmente desapareciam”, lembra ela.

A partir daí, a relação se tornou ainda mais pesada e negativa. Os amigos criticavam todo comportamento e atitude de Bruna, sempre encontrando uma maneira de colocá-la para baixo, a qualquer custo. “A pessoa entrou para o time de roller derby comigo, um esporte sobre o qual eu falava há três anos. Quando chegamos lá, ela mudou completamente, passou a agir como se não me conhecesse e a falar mal de mim pelas costas, para todo o time”.

Depois de cortar as relações, Bruna ainda ouviu que era uma pessoa muito egoísta, por não ter conversado e tentando resolver os conflitos. ”Foi difícil porque eu me senti culpada por muito tempo, achando que estava errada. Outros amigos começaram a perceber como isso estava me fazendo mal, também. Eu sentia culpa de sair e postar uma foto, porque eles ficariam incomodados. Quando acabou, me senti muito mais leve”, desabafa.

Se a relação se resume a negatividade e baixo astral, talvez já não valha tanto a pena. Uma conversa franca pode ser a solução para alguns amigos que sentem que a relação está desgastada, já que toda lavação de roupa suja é bem-vinda. Se ainda assim tudo permanecer como antes, considere tomar outro caminho e mandar aquele “até logo” para os parceiros em questão, sem medo de ser feliz.

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Semadar Marques
Semadar Marques, palestrante, educadora e analista em inteligência emocional. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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