Durante anos, pensou-se que a depressão fosse apenas um distúrbio psicológico. No entanto, com o passar do tempo, surgiram novos estudos que têm se aprofundado sobre as causas da depressão. Esses pesquisadores examinaram dentro do cérebro, em nosso código genético e até mesmo em nosso prato, para tentar desvendar todos os fatores que, escondidos na sombra, poderiam desencadear um quadro depressivo.

Quais são as teorias mais confiáveis que podem explicar a depressão?

1. Processamento do cérebro com defeito. Em estudos nos quais o cérebro das pessoas que sofrem de depressão foi escaneado, descobriu-se que o lobo frontal, a área responsável pelo processamento cognitivo, pelo pensamento e pelo controle dos impulsos, mostra níveis muito baixos de atividade.

Por outro lado, também se vê um descompasso nas redes neurais ligadas ao processamento emocional, que impede que pessoas deprimidas controlem suas emoções e suprimam aquelas que são negativas. Além disso, um nível anormalmente alto de atividade foi observado na amígdala, uma parte do cérebro ligada ao medo.

Com esses resultados em mãos, os neurocientistas acreditam que a depressão envolve um problema no processamento do cérebro, como se as conexões neurais não funcionassem da mesma maneira que para o resto das pessoas, o que impede que modulem suas emoções e, como consequência, a depressão surge.

2. Atrofia cerebral. Pesquisas recentes também mostraram que algumas pessoas com depressão mostram uma perda de volume em algumas áreas do cérebro, entre elas o hipocampo, uma área envolvida no processamento de emoções e na consolidação de memórias. O mais surpreendente é que, quanto mais grave a depressão, maior a perda de volume cerebral.

Essa atrofia afeta não apenas as áreas do sistema límbico, mas também o lobo frontal, especialmente o córtex pré-frontal, que regula a intensidade dos estados emocionais e como expressá-los. Também foi descoberto que a depressão inibe o desenvolvimento de novas células nervosas, afetando o processo de neurogênese.

Por essa razão, alguns neuropsicólogos estão convencidos de que a atrofia cerebral é uma das causas da depressão, embora alguns afirmem que essa perda de volume em algumas áreas do cérebro é uma consequência, e não um fator desencadeante da patologia.

3. Desequilíbrio hormonal. Sabe-se que o sistema endócrino desempenha um papel muito importante nas causas da depressão. Diferentes estudos apontam para o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal, que controla as reações ao estresse. Na prática, este sistema é responsável por liberar uma série de hormônios, incluindo o cortisol, que determinará nosso nível de alerta diante de diferentes situações no ambiente.

Quando liberamos cortisol por muito tempo, o estresse muitas vezes dá lugar à depressão, e é por isso que alguns pesquisadores estão convencidos de que muitos dos sintomas depressivos podem realmente ser explicados por esse mecanismo. De fato, pesquisadores da Universidade de Cambridge recentemente elaboraram um teste simples de saliva, através do qual as chances de sofrer depressão podem ser previstas. Neste teste, um único biomarcador é avaliado: cortisol.

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4. Genética. Até o momento, o “gene da depressão” ainda não foi encontrado, mas os geneticistas estão otimistas, já que acham que este gene pode estar ligado ao mesmo gene que causa o transtorno bipolar. Os dados manipulados até agora indicam que pode haver uma base genética. Por exemplo, sabe-se que em parentes de primeiro grau a incidência de depressão é de 15%, enquanto que no resto das pessoas é de apenas 5,4%. Por outro lado, estudos com gêmeos mostraram que, se um deles sofre de depressão e o outro compartilha a maioria de seus genes, há uma chance de 46% do outro também desenvolver depressão.

No momento, existem vários genes sob pesquisa. Um deles está ligado à síntese de dopamina e outros meios de transporte da serotonina, o que não é de surpreender, já que pessoas deprimidas têm um déficit de ambos os neurotransmissores.

Mesmo assim, deve-se esclarecer que a depressão é parte do que é conhecido como “doenças geneticamente complexas”, o que significa que fatores genéticos e ambientais influenciam na sua manifestação. De fato, a predisposição genética não significa que a pessoa vá desenvolver um quadro depressivo, apenas que é mais vulnerável.

5. Inflamação do cérebro devido à dieta. Nos últimos anos, mais e mais pesquisadores estão considerando a dieta como causa da depressão. Segundo os nutricionistas, uma dieta inadequada pode ser a principal responsável pela inflamação no cérebro revelada pelos exames.

Um dos principais fatores que promovem a inflamação são o açúcar e o glúten. O problema é que não somos capazes de perceber a inflamação do cérebro como em outras partes do corpo, de modo que ela segue inexoravelmente seu curso. De fato, foi constatado que 52% das pessoas que têm sensibilidade ao glúten também sofrem de depressão.

Diferentes estudos realizados em todo o mundo demonstram que o consumo de junk food potencializa a depressão e, quanto mais comermos esse tipo de alimento, mais graves serão os sintomas. Além disso, hoje sabe-se que existem alguns alimentos que contribuem com a depressão, após seu aparecimento.

(Fonte: rinconpsicologia)

*Tradução e adaptação por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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