É mãe, quem diria que um dia eu teria coragem suficiente para assumir a mim mesma que nosso relacionamento (se é que pode-se chamar assim) é um abuso da sua autoridade e da minha paciência.

Você e seu jeito sutil de impor coisas através da ideia de que caso não o fizesse, perderia seu amor. Quantos gritos ouvi, quantas palavras de ódio, quantas ameaças e palavrões adentrando meu peito como uma adaga que perfura a alma, e consegue fazer meu amor próprio ir pelo ralo. Mas nunca foi por mal, não é mesmo, mãe? Sempre foi por amor. Sempre foi porque você queria me proteger do mundo e suas garras.

Estive lembrando noite passada de como você me prendeu numa jaula da mesma forma que a madrasta de Rapunzel a prendeu naquela alta torre. Você cortou meus cabelos quando não me permitiu correr atrás de meus sonhos; prendeu-me numa torre quando bradou aos quatro ventos que eu deveria permanecer naquela casa para cuidar de você caso estivesse doente, e cegou todos os príncipes que se aproximaram com a acidez de suas palavras sobre como eu era uma relaxada que não daria conta de cuidar de marido e filhos.

E aí vem outra questão: de onde você tirou a ideia de que minha vida resume-se a buscar um bom casamento? Mãe, eu nasci para conquistar o mundo, e não para ser conquistada por ele. Desculpa se isso é o fel que amarga sua garganta, mas é verdade. Talvez por isso você sempre tenha tentado de toda forma me fazer desistir; deve ser insuportável perceber que a menina educada para ser princesa, dona de casa, bela, recatada e do lar, nasceu para ser guerreira, dona de si, linda, espontânea e do bar.

O que mais quis foi ter com você um laço de amizade. Gostaria de poder lhe contar sobre minhas dúvidas, incertezas, dores e desejos, mas como fazê-lo se a cada palavra recebia de volta a rispidez de frases que diziam que eu era incapaz, frágil e não chegaria a lugar algum na vida? Como ter por melhor amiga alguém que aparentemente torce por meu fracasso? Desculpa mãe, mas você é a responsável pelo abismo existente entre nós.

Ainda na infância você já evidenciava seu narcisismo; se meu pai sorria a me ver, você reduzia a expressão a uma carranca, e se ele me trazia um presente, prontamente você questionava sobre o seu. Se meus avós me bajulavam, você me mandava ficar no quarto, longe das visitas, e se era elogiada na escola, logo ouvia-lhe enaltecer a boa educação recebida de ninguém menos que você mesma. Você sempre se pôs em primeiro lugar, e tentou de toda forma abafar meu brilho; talvez por eu ser uma garota, talvez por ter projetado em mim suas frustrações, talvez por não haver desejado a gravidez… Talvez por perceber desde cedo que me prendendo só daria ainda mais impulso às minhas vontades.

Então mãe, hoje eu vim expor umas verdades e agradecer por outras. Vim tomar um café olhando meu reflexo no espelho, enquanto vejo as marcas físicas e interiores deixadas pela sucessão de desaforos e afrontas recebida diariamente.

Leia Mais: Antes de escolher o pai (ou a mãe) de seus filhos pense bem

Mãe… mamãezinha querida. Obrigada pelo menosprezo, e por avisar todos os vizinhos sobre minhas roupas jogadas no chão. Obrigada por não se despedir de mim quando eu saía porta à fora para trabalhar enquanto você dizia que eu deveria ficar em casa lhe ajudando. Foi chorando no trajeto que percebi que teria de lutar muito para chegar onde queria. Foi me sentindo só que descobri que a solidão pode ser um massacre ou um álibi, tudo depende da sua força de vontade.

Obrigada por dizer que eu era feia por estar gorda, e ainda mais feia por haver emagrecido. Obrigada por rir das feridas em minha pele, e também do meu novo corte de cabelo. Obrigada por dizer que não sei me vestir, e por fazer questão de mostrar às visitas meu tênis sujo. Ouvindo suas palavras aprendi a melhor me arrumar, e a amar cada centímetro meu (na marra). Aprendi que não importa o que pensem de mim, o que vale é estar bem comigo mesma, e dessa maneira me tornei uma moça linda, mesmo que você nunca vá assumir isso.

Valeu mesmo por reclamar constantemente do peso de ter se casado com meu pai, e por sempre que possível esfregar em minha cara que além de ter se casado você foi engravidar. Obrigada por ressaltar o quanto é desgastante ser mãe e esposa. Mas sabe, hoje sei que na verdade você não queria ser mãe; bastava-lhe ter filhos. Você não quis ser esposa; queria apenas ter um casamento. Você nunca quis assumir uma tarefa mãe, você apenas gostava de atuar.

Que você seja recompensada por desmoronar com minhas conquistas, e por tentar a todo custo me fazer abrir mão de ser a mulher que sempre sonhei. Cada palavra dura, cada desaprovação, cada enxurrada de lágrimas choradas sozinha em meu quarto, ou na rua, no ônibus, na faculdade e até mesmo no banho lavaram-me a alma e fortaleceram para o que ainda estava por vir. Seu azar foi pensar que assim como você eu não era capaz de aguentar um terremoto; enquanto você se abala com tremores de terra ou danço em meio ao fogo, logo, nada me assusta.

Parabéns mãe por durante todos os anos desmoronar com minha autoestima e por não apoiar nenhuma de minhas escolhas. Parabéns por me fazer acreditar que se não seguisse à risca seus ensinamentos não seria digna de seu amor. Eu corri atrás de uma sombra de aprovação com a mesma ferocidade que um leão persegue sua presa. Até que um dia percebi que estava correndo atrás do vento, ou seja: eu nunca iria alcançar meu objetivo. Quando se ama, ama-se ao primeiro olhar, e não ao último esforço.

E quando me dei conta disso, deixei de subir sua escada que cada dia era mais íngreme e escorregadia. Percebi que mesmo que subisse ao último degrau ainda não seria o que você sonhou, e não apenas porque você exigia de mim algo muito grande, mas principalmente porque por você mãe, eu estava me tornando tudo o que não queria ser.

Então mãe, obrigada. Obrigada mesmo. Obrigada por seguir tão bem seu próprio plano que acabou cega e não percebeu que nosso “relacionamento” era o combustível de minha revolta. Obrigada por não se dar conta de que dentro de sua menininha há um mulherão, e isso nem mesmo você pode mudar. Saiba que logo você me verá conquistando tudo aquilo que você rogou dizendo que não serei capaz, e que ficarei feliz vendo mais uma vez seu olhar de lamento e desaprovação, por que, infelizmente, isso é o máximo que consigo de você.

Fique tranquila, apesar das marcas não carrego mágoas em meu coração. Vendo suas atitudes percebi que sou bem mais que isso, e que coisas ruins bastam às que já enfrentei. Continue com sua vida e que eu continuarei insistentemente conquistando a minha. E se um dia for mãe, farei o possível e o impossível para todos os dias entregar aos meus filhos o amor que tanto quis ter.

Mais uma vez mãe, obrigada. Principalmente por ser meu primeiro relacionamento abusivo, e com isso me preparar para suportar e abolir os demais que ainda viriam, consequentes dos seus abusos que outrora eu chamava de amor.

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Raquel Gonçalves
Há quem diga que os olhos são a janela da alma, então, no meu caso, eles são uma janela bem grande e aberta. Amante das artes, do universo e das palavras, necessito de música para viver, dos astros e estrelas para pulsar e dos versos para existir. A publicidade me escolheu; por isso anuncio paz, promovo sorrisos e transmito intensidade. Sou colunista do Fãs da Psicanálise.

25 COMENTÁRIOS

  1. Sua mae é assim por causa da historia da vida dela. Eu lhe pergunto: o que voce pode fazer por ela hoje? Nao jogue pedras nela. Voce a ama, nao é?

    • Perfeito! A questão é que muita terapia tem que ser feita para se chegar à essa compreensão… Chega-se, com certeza. Principalmente quando chegar o fim da vida da mãe.

    • ” o que você pode fazer por ela hoje?” Se afastar!!
      Leia e interprete o texto como se fosse a pessoa que vivenciou, só depois que sentir, tente fazer a “pseudo” ‘análise psicóloga’!

    • Maria, nada justifica o abuso. Não é porque me machuquei é que vou sair por aí machucando os outros também. Justificar abuso com abuso só demostra imaturidade emocional. Não tem muito o que fazer por este tipo de progenitor. Eles são tão arrogantes, tão cheios de si que não percebem o quanto precisam desesperadamente de ajuda. Eu convivo há 40 anos com uma mãe narcisista e te confesso que já tentei de tudo: Igreja, terapia, psiquiatria, ignorar, terapia do abraço. Nada funcionou. Ao contrário, ela só se afunda mais e mais. Pior que agora está doente, envelhecida e não pára cuidador, nem empregada na casa dela porque ela faz da vida de todo mundo um verdadeiro inferno. Ninguém é bom o suficiente para ela, ninguém atende às altas expectativas dela, todos funcionários são vagabundos, burros e preguiçosos. É bem triste ver uma pessoa se auto-destruindo e afastando todos do seu redor. Mas só é possível ajudar quem aceita ajuda. A pessoa narcisista insiste que ela está sempre certa, não tem nada para melhorar nela porque ela é perfeita. E vc pergunta se a Raquel ainda ama a mãe. Pois eu te digo, mesmo o amor, um dia ele morre e se transforma em indiferença. Então ao invés de dar palpites superficiais que não ajudam em nada, se olhe bem no espelho e faça uma auto-análise sobre o porque a opinião da Raquel te incomodou tanto. Será que não tem uma mãe narcisista aí dentro também?

        • É bem isso mesmo, quem tá de fora não sabe nem entende. É muito triste, mas essas pessoas precisam de tratamento e em muitos casos, eles não aceitam. Não é porque colocou um filho no mundo, que o pai ou a mãe é santo ou é uma ótima pessoa. A minha mãe é abusiva e tóxica.

      • “Ninguém é bom o suficiente para ela, ninguém atende às altas expectativas dela, todos funcionários são vagabundos, burros e preguiçosos.”
        Você descreveu a minha mãe agora…
        Uma dúvida é; as mães narcisistas de vocês são hipocondríacas ou será que faz parte do ‘chamar atenção’ eterno?
        Ela não tem todos os aspectos que descrevem em muitas descrições de Mães Narcisistas, mas uma das últimas pérolas (ainda tô chamando assim, por incrível que pareça) foi ela me falar que vai se matar se ficar velha e ninguém (vulgo eu) cuidar dela.
        É tão sufocante a relação e ao mesmo tempo não. Me bota p “cima” que no jeito dela é criticar tudo, todos, e agora, principalmente meu novo trabalho com patchwork, pq claro, como todos aqui filhos de narcisistas, sabemos que só eles fazem o certo e perfeito. Poxa. Estou tão agradecida por ter encontrado esta matéria e também esse comentário. Muito!! Gratidão
        E aos poucos vou conseguir me afastar

      • Aplaudo cada vírgula. Eu me vi nesse relato, a minha mãe é essa mulher, infelizmente. É muito fácil apontar o dedo e dizer: Ame, engula, ela é sua mãe! Quem vive ou viveu essa relação se esforça diariamente pra evitar o ódio. É duro só levar rasteira e desdém daquela que, conforme vc vê por aí, deveria ser seu maior suporte. Tbm não guardo mágoa, embora tenha precisado de 12 anos de terapia, ansiolíticos e antidepressivos, mas não vou dizer que morro de amores. O desgosto é maior! Os filhos não tem culpa se os pais tiveram um passado assim ou assado, faça-me o favor!!! Que elas tem conflitos q precisam ser trabalhados todos sabem, mas dispensam e se aborrecem ferozmente com essa possibilidade.

    • Você não sabe o que é passar por isso, pra ta falando uma coisa dessas, ninguém é obrigado a aguentar feridas so pq a pessoa que te feriu foi machucada tbm, é mãe e um ser humano, não uma santa

  2. O pior que mesmo aos ,50 anos luto com o desamor que sofri durante anos me fez tão mal, que eu não sei se amo….e sofro por isto também porque pela lei da natureza e minha mãe …tenho que amar imagine casei tive filhos e moramos numa cidade do interior, nunca me cuidou numa dieta nunca me levou um prato de sopa, Tao pouco foi. Uma avó amorosa com meu filhos, passei nescessidade ela dona de um super mercado a uma quadra da minha casa.,fazia vistas grossas.,Cresci sendo diminuída , por mais que eu foce ê o braço direito limpando a casa fazendo o almoço sempre na hora certa pro meu pai eu era responsável mesmo tendo outros irmãos , trabalhava estudava e ouvia que tinha que fazer a faxina sábado porque não fazia nada durante a semana e domingo, podia almoçar fora que a louça trava. Amontoada me esperando. Quando eu recebia meu pagamento tinha que dar pra ajudar encasa e via ser comprado coisas que eu trabalhando não comprava e ainda escondia pra eu não usar tipo cosméticos. Hoje qualquer pessoa que me fraca algum mal e afasto gelo ,perco a amizade o carinho..e sofro muito com a desaprovação de alguém num comentário vivo querendo agradar ser legal. Não gostaria de morrer com este sentimento pois ainda acho que vou pro inferno. Não vejo minha mãe como uma pessoa boa mais sim sempre muito egoísta. Ou será que eu sou a ruim!!!????

    • Oi Mery, e é egoísta, sem dúvidas… por óbvio que não temos que alimentar nossa mágoa e tristeza, mas temos o direito de senti-la. O melhor que se tem a fazer é falar o que sentimos para a própria pessoa, desabafar, para que possamos nos melhorar a nos mesmos. Não tive uma história muito diferente, tentei amar os meus filhos o máximo que pude, e fui interpretada erroneamente, como se estivesse colocando os filhos numa redoma de vidro, na tentativa de que eles vivessem os sonhos que não realizei. Vejas como cada um faz uma idéia do que somos, acredito que cada um vê com os olhos que tem, eu fui jogada no mundo como um saco de lixo, e passei uma vida tentando dar um lar para meus filhos que preferiam ter sido jogados no lixo. Infelizmente a vida é uma dicotomia. Mas se permita perdoar e conversar, não irá para o inferno por sentir o que sentes, até por que é real, e a realidade nos precisamos viver, é tempo de tirar levantar os tapetes e varrer a sujeira, precisamos andar de alma limpa, nosso Deus é de amor e conhece o nosso coração.
      Fale com franqueza, para que ela tenha a oportunidade de refletir.

      abraços.

  3. Maria José a mãe dela é uma mãe narcisista. Procure ler sobre “mães narcisistas”, antes de julgá-la. Vc não sabe o que ela sofreu, vc não faz ideia do que é um relacionamento abusivo de mães com as filhas. Ou vc acha que todas as mães amam seus filhos? Pense…

  4. Não se trata de jogar pedras na mãe. Se trata em se conscientizar e se libertar da manipulação de uma mãe narcisista. É necessário muito amor próprio, auto-cuidado, limite claro, cercar-se de um ambiente nutritivo com pessoas acolhedoras e as vezes terapia e distancia para curar as feridas causadas por uma mãe narcisista. E as cicatrizes são tão profundas que as vezes mesmo já tendo sido curadas, em um momento de descuido voltam a se abrir… Só quem passou por isso entende… Amigos muitas acreditavam que eu exagerava em meus relatos, até presenciarem seus ataques… Mas eu acredito que há como melhorar. Pessoalmente precisei de quase uma década em outro continente e muito trabalho de desenvolvimento e integração pessoal. Hoje é possível um relacionamento mais saudável, mas mantendo sempre limites claros e firmes, e em processo de auto-conscientização constantes. Sim, da forma dela, com os limites dela, minha mãe me ama e fez o melhor que pode com os recursos que ela tinha. Mas isso não dá a ela o direito de me manipular ou de me maltratar. Desejando força e luz para todas que vivem essa situação.

  5. Raquel, excelente texto. Passei pela mesma coisa. Minha mãe viveu para assistir meu sucesso, sempre com sua típica inveja e reprovação. Hoje tenho meus filhos e todos os dias os abraço, todos os dias os lembro que eles são fortes, inteligentes e que eles conseguem. Minha mãe hoje é velha e doente e vive esmolando migalhas de afeto, se auto-mutilando para chamar àtençao, se envenenando para ir para a UTI. Ela com seu jeito autoritário e prepotente espezinhou marido, irmãos, sobrinhos, filhos, genros, noras e agora ainda está espezinhando os netos. O pior é que ela não percebe o quanto é tóxica e quanto ela afasta as pessoas pelo jeito arrogante e egocêntrico dela ser. Nem empregada fica com ela mais de 3 meses. Eu sinto muita pena, mas pelo bem da minha sanidade mental, dos meus filhos e do meu casamento, me afastei. Não deixo faltar nada materialmente, mas não sirvo mais de saco de pancada, muito menos coloco meus filhos pequenos para serem sacos de pancada de gente narcisista.

    • Muito obrigada por sua franqueza, ler seu texto me economizou um tempo de terapia…apesar de sofrer abusos de um péssimo relacionamento com uma mãe tóxica ainda sentia algumas culpas!
      Mas você resumiu tudo. ..”não ser saco de pancadas de gente narcisista”.

  6. Parece que vc me descreveu,não tenho mágoas da minha mãe, mais feridas no coração tenho muitas, eu tinha medo de ser mãe, pq pensava que seria com meus filhos o que ela é comigo,hj sou casada ( e ela vivia falanfo que eu era feia e gorda que ia ficar pra titia pq homem n gosta de mulher gorda) hj sou casada e no início ela não apoiava meu namoro ,hj casada ela “tolera” meu casamento. Mais ainda tenho muitos complexos ,não consigo me amar, acho que todo mundo vai me abandonar, hj pago preço auto por ela não ter cuidado de mim (tipo dentes,cabelo, alimentação) .. ela sempre me desmotivou e até hoje faz isso. Mais eu relevo, e coloquei no meu coração que quando tiver meus filhos vou ama-los e cuida deles com muito amor que não tive.
    Essa relação me deixou , ansiedade, depressão, pensamentos negativos constantemente ,não consigo confiar nas pessoas , pq eu pensava se minha própria mãe faz isso comigo o que as pessoas que não são minhas parentes vão fazer?!
    O que tá me curandk aos poucos e Deus é meu marido que me ajuda muito!!
    Só tenho a agradecer, peguei as coisas ruins que ela me fez e tomei de lição pra n fazer com meus filhos .
    E o pior de tudo vejo ela agindo dessa maneira com meus irmãos.. até que com eles ela não é tanto assim não .. ( eu pensava que nasci para ser escrava dela, e descobri que fui realmentede uma gravidez “indesejada” talvez seja o motivo dela ter me tratado dessa maneira, e me trata as vezes até hj assim..tem mulheres que não nasceu para ser mãe!!!!

  7. Texto perfeito! Como me descreveu! Minha mãe sofreu muito na infancia, abandono materno, violencia domestica, psicológica, maus tratos, pobreza… por muitos anos tentei relevar td o q ela me fazia por pensar q ela apenas não sabia ser diferente, só recebeu porrada da vida e por isso só sabia dar porrada. Mas minha depressão e falta de auto estima, junto com as constantes humilhações q vinham dela me tornaram uma pessoa q não suportava mais viver. Ela nunca me deixou tentar ser eu mesma, pensar por mim mesma, decidir minha propria vida! E se eu insistia, ela sempre torcendo p dar errado. Qualquer coisa q desse errado era culpa minha por não ter feito do jeito q ela falou. Eu era empregada dela! Trabalhava a semana toda, e de fim de semana tinha q limpar a casa, fazer comida, lavar roupa, pq ela estava cansada e tinha q dormir o dia inteito. Não me lembro quando foi o último elogio, o último abraço, o último beijo ou carinho q recebi dela. Td q ela fazia por mim sempre foi pra ficar me jogando na cara, até o fato de ter me carregado nove meses dentro da barriga dela. Tenho certeza q ela nunca quis ser mãe, e só teve nós 3, filhas, porque era um sonho do nosso pai. Minha ficha caiu depois de muita terapia, de chegar a beira da loucura, de perceber o ciume q ela tem do meu pai com as próprias filhas. Eu precisei me afastar dela para poder tentar ter uma vida normal. Faz um ano q ela nem me cumprimenta, pq eu não deixo mais ela dar palpites na minha vida. Faz dois anos q mudei de casa, na mesma cidade, e ela nunca veio me visitar, sinceramente, prefiro assim. Me sinto culpada as vezes, por não conseguir definir o q sinto por ela, mas não é amor. Eu não amo minha mãe. Não consigo amar nem a mim mesma, “nem minha mãe me ama”. Mas descobri q ninguém é obrigado a amar ninguém! Ela não tem q me amar e nem eu tenho q amar ela. Talvez seja como li aqui no comentario de alguém, meu amor por ela se transformou em indiferença. Obrigada mãe, por me mostrar q a vida é dura e o mundo é cruel! Tive q aprender a me virar e uso seu “modelo” para saber como “não ser” com meus filhos, por isso não gosto q eles convivam com você e toda essa sua amargura. Um dia eu te amei, quis seu amor, queria ser igual a vc! Hoje não faço mais questão de nada disso! Aliás, de vc agora eu só quero distancia, nem saudade eu sinto mais! Obrigada por ter me dado o seu nome, Ana, e por ter planejado pra mim a vida q vc queria pra vc, mas eu não sou a continuação de vc, sou outro ser humano, completamente diferente. Meu pai, meus filhos, amo vcs incondicionalmente! Mas pai, vc também tem culpa! Por ter visto ela fazer tudo isso comigo por mais de 25 anos e não ter tomado nenhuma atitude para me proteger, me defender dela. Eu precisava tanto do seu apoio… quem se omite também é culpado! Mas hj vejo q vc ainda sofre por causa de tudo isso. Filhos, meus amores! Me perdoem por as vezes acabar agindo como ela, mas eu juro q tudo o q eu mais quero nessa vida, é ser diferente da mãe q eu tive, ser pra vcs a mãe amiga, compreensiva e carinhosa q eu sempre quis ter.

  8. Eu sofri muita violência na infância tanto física quanto psicológica, Isso me prejudicou muito, pois me tornei tímida, com a auto estima baixa e tinha muita dificuldade de dizer não. Tinha muita mágoa dela e a culpava por não ter conseguido realizar meus sonhos. Ela morreu sem conversarmos sobre essa mágoa. constantemente eu tinha pesadelos horríveis que um ser estranho partia pra cima de min contudo disposto a me matar , eu clamava o nome de Jesus mas minha voz não saia mas dentro de mim havia uma fé muito grande então ele não conseguia sequer tocar um dedo em mim. Aconteceu que tive depressão grave e foi sessa época que parei pra meditar porque ela tratava eu e minhas irmãs daquele jeito. Então Deus me fez compreender que ela me tratava assim porque ela tinha sido criada assim e que eu deveria perdoa lá. Existem pessoas que pensa assim: O que não foi bom pra eu não vai ser bom pro meu filho e realmente consegue fazer diferente mas há outros que reproduz o mesmo erro. Naquela noite que a perdoei ela veio em sonho e disse o seguinte: Vocês me deixaram por tanto tempo e eu nunca mais tive aquele pesadelo.

  9. Tenho 60 anos e ainda não superei os traumas por maus tratos, tortura, negligência, omissão que sofri. Sei que não vou superar. Depois de procurar inúmeros recursos para superar as marcas deixadas pela mãe e irmã. Consigo me amar um pouco mais hoje. As sequelas dos maus tratos estão visíveis, irreversíveis. Recebi ajuda de uma sensitiva há 30 anos. Foi essa ajuda que me fez sobreviver. Com essa ajuda desenvolvi minha espiritualidade. Continuo nessa linha de conduta. Descobri que sou sensitiva. Organizei minha vida de uma forma para não depender de ninguém. Desenvolvi minha habilidade artística e me dedico a realizar artesanatos e pintura. No meu caso, acredito que encontrei uma maneira de sobreviver. Não vivo plenamente porque tenho limitações físicas. Me adequei para continuar a viver. Não veja a possibilidade de conviver com pessoas porque não confio.

  10. Sempre acreditei ser a única a ter uma mãe ruim, que faz inferno na vida de muita gente!! Vejo que a maternidade pode vir para muitas mulheres, mas ser mãe é diferente…é amar incondicionalmente!! Não quer dizer que nunca ficaremos bravas com nossos filhos, até porque é nosso dever educá-los, mas mãe é um resumo de Amor. Sim, ela teve uma infância e vida difíceis, mas acredito que podemos e devemos usar as situações ruins para nosso aprendizado e crescimento. Um exemplo disso é que minha filha é super educada, amorosa, uma filha excelente! E só bati nela 1vez! Uma única vez! Vivemos em diálogo, respeito e AMOR….enquanto eu apanhava todos os dias, era humilhada, recebia xingos e maus tratos. De que valeu? Hoje eu quero distância! Eu digo que me aproximar de Deus me ensinou a perdoá-la e seguir em frente. Deus abençoe a todos e os encha de perdão!

  11. Faço minhas suas palavras. Não, nem toda mãe é boa. Sim, você tem o direito de se afastar de quem te faz mal. E não, realmente não, você não é obrigada a tolerar um abusador maldito escondido sob a égide da palavra “mãe”.

  12. O texto é triste, considerando seus reflexos através dos depoimentos, tão contundentes!
    Não ne cabe o julgar…Mas me remeti há anos atrás, bem no início da minha graduação, quando uma Professora (que dizia que gostava de questionar-me por eu ser franca, e eu gostava muito dela). Me perguntou: Luiza, você acha que tida mãe ama o filho? Eu, diante do que eu sentia pela mamãe e o jeito que ela cuidou dos 08 filhos, mais do que depressa respondi: Sim! Ela olhou-me nos olhos e disse: Não, Luiza, não! E deu uma aula de desamor de doer a alma…
    Depois de anos em minha profissão…Pude ver tanto isso, de vivências desastrosas entre mães e filhas (vou me ater somente a esse viés)… Só posso dizer que os conflitos, inerentes ao ser humano, trouxe-me yantos fatos que de fato, professora tinha toda razão. Ali, creio que comecei a refletir sobre as diferenças existentes e o tanto de respeito que se deve ter às mais diverdas histórias contadas por pessoas que viveram suas experiências. Respeitar essa história. Acreditar quando elas nos são confiadas. Acolher com infinita compreensão e ternura.
    Ouvir demoradamente e jamais aconselhar ou duvidar da dor ou do desamor…O amparo no desamparo é uma escuta ativa, responsável e considerar as lentes ou os olhares como forma da pessoa poder se sentir em um lugar seguro, onde está livre do julgamento…E pode contar…Re-contar…A sua história como a sente! Contá-la como sendo a sua história de vida!…Tão única, tão sua!…Ler suas respostas me fizeram voltar a um tempo onde eu acreditava que toda mãe ama o filho (a)…Tão doce quanto a ilusão de uma imaginação…Mas no real das coisas é lá, no mais profundo do seu ser é que somente você poderá aquilatar (de dar o peso em quilates) o que está vivo dentro de você e é isso, é disso que eu me refereria…
    Meu abç fraterno para a autora e para todas (os) que de certa forma “ouvi” ao ler…

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