Em um estudo recente, os pesquisadores analisaram as palavras finais de pessoas falecidas, a fim de encontrar padrões de pensamento significativos comuns em doenças mentais.

Quando as palavras finais de Kate Spade para sua filha vazaram para a imprensa, poucos dias depois de sua trágica morte, o marido da estilista manifestou-se contra a violação de privacidade que a família experimentou com a exploração insensível da nota de suicídio. “Estou chocado que uma mensagem privada para minha filha tenha sido tão cruelmente compartilhada com a mídia”, disse Andy Spade em um comunicado ao The New York Times.

As notas suicidas, particularmente de pessoas públicas, são frequentemente exploradas e liberadas pelos motivos errados – mas em um novo estudo canadense, um grupo de pesquisadores estudou quase 300 notas de suicídio para encontrar padrões de pensamento e pistas que pudessem ajudar a melhorar os cuidados de saúde mental. O estudo, conduzido pelo Centro de Dependência e Saúde Mental (CDSM) e pelo Centro de Ciências da Saúde de Sunnybrook, analisou mais de 1500 casos de suicídio no Canadá entre 2003 e 2009 e focou em 36 notas específicas que mencionaram experiências significativas relativas à saúde mental.

As descobertas, tanto dolorosas quanto assustadoras, ajudaram os pesquisadores a identificar padrões de sentimentos e pensamentos que esses indivíduos sentiam enquanto escreviam suas últimas palavras antes de tirarem suas vidas. “Algumas das pessoas que morreram por suicídio sentiam que não tinham controle sobre sua doença mental”, disse Juveria Zaheer, psiquiatra e pesquisadora do CDSM. “A doença mental foi muitas vezes retratada como um adversário ou um inimigo com quem eles estavam lutando.”

Os pesquisadores encontraram três padrões significativos em sua análise das cartas: impotência, desesperança e perda de controle. “Olhando para trás, houve momentos em que eu deveria ter mudado o curso da minha vida, mas não o fiz e agora não há mais esperança”, dizia uma nota.

“Estou cansado demais para continuar”, dizia outra.

Os pesquisadores também encontraram várias anotações indicando que os indivíduos se identificaram com a doença, o que pode ter piorado seus pensamentos negativos e impedido a recuperação. O Dr. Zainab Furqan, um dos coautores do estudo, disse que os médicos devem trabalhar para mostrar aos pacientes uma clara separação entre eles e sua doença. Uma lição vital que os médicos devem se esforçar para transmitir: “Você não é sua doença”, diz Furqan.

Os pesquisadores planejam usar as informações para melhorar a forma como a saúde mental é cuidada e tratada no diagnóstico, com o objetivo de reduzir o número de pessoas que acham que o suicídio é a única saída. “As pessoas que sofrem podem ser os melhores professores”. Zaheer explicou. “Essas notas nos fornecem uma visão única da mentalidade de pessoas que não pudemos ajudar.”

(Link original: thriveglobal)
*Tradução e adaptação por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

Imagem: Larm Rmah

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