São dias árduos. Desde que descobri minhas patologias mentais e antes disso. Porque era a incompreensão – que se remete a “falta de Deus”, que eu sou um vagabundo, que cada hora eu decido uma coisa, que eu nunca vou ser nada nessa vida. A única pessoa que acredita em mim foi a pessoa que me pôs no mundo que é a minha mãe, fora isso? Eu não existo. Já passei por tantas coisas e já ouvi tantas coisas que se eu não fosse forte, já teria desistido. Mas só não desisto porque eu preciso acreditar em mim.

A cuidadora da minha mãe, diz que é falta de Deus, que eu tenho um obsessor, que eu nunca vou ser nada nessa vida. Brigo com ela, porque vejo que minha mãe precisa de atendimento, muitas vezes de um psicólogo e de um psiquiatra e ela não acredita. Ou diz que eu sou o problema. As brigas são desgastantes.

Minha irmã diz que acredita em mim, mas ao mesmo tempo não acredita. Quando peço ajuda a ela, as vezes ela ajuda, mas quando eu quero tentar de novo, é a velha história: “não vou te ajudar porque você já tentou isso e desistiu”. Poxa, mas eu não mereço uma segunda, terceira, quarta… Chance? Se for aceito, é sempre com esse pensamento dela. A gente ainda tem que provar pra gente que vai conseguir. Já é tão difícil, não é?

Eu queria abraçar a minha priminha, mas minha madrinha sumiu. Minha família sumiu de vez. Minha mãe teve problemas, ninguém apareceu. Em meio a minha doença, todos sumiram. Já lancei três livros e lembro-me quando lancei o primeiro, liguei para a minha madrinha todo feliz perguntando se ela queria comprar. Bem, já vou para o meu quarto livro e minha madrinha não sabe nem que eu poderia dedicar um livro pra ela por me incentivar a ver que sozinho eu posso conquistar o Mundo.

Quem levou a minha mãe para um terapeuta fui eu. Ela já sofreu comigo. Hoje eu vou na minha psicóloga, tomo meus remédios certinho e já vi que terei que conquistar tudo sozinho, não há palmas, fora que eu não faço amigos por causa dos meus problemas mentais. Meu problema com afetividade é péssimo. Quero viver no meu Mundo e sou feliz assim ou pelo menos tento. Meu sonho é encontrar alguém que me entenda.

É muito preconceito, descrença e tristeza acima de tudo quando sua família não entende que você está travando uma luta surreal dentro de si e acaba prejudicando todo mundo a sua volta mas o mais prejudicado é você. Sim, o maior problema é a família quando se tem problemas mentais. Minha ansiedade não é frescura, minhas ideais mudadas não é bobagem, eu não tenho o “diabo” no corpo e a única coisa que eu queria era um: “Vai Daniel, tente até conseguir, pois você é capaz…”

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Daniel Velloso
É escritor, estudante de Psicologia e é colunista exclusivo do site Fãs da Psicanálise.


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